segunda-feira, 15 de maio de 2017

STRONG DREAM - Salvador

By Maria Carvão
Estive muito tempo sem vir aqui... sem escrever, sem dar notícias ou pura e simplesmente dizer como está a minha vida ou divulgar os meus eventos que continuei a fazer. A verdade é que comecei a desligar-me cada vez mais de mim, do projeto das trocas, do porquê de fazer trocas, de continuar na passagem da mensagem. Não que não acreditasse nela, não que não a continuasse a querer, mas porque me senti nos últimos tempos mais preocupada com a visibilidade, o número de likes, o número de amigos ou os convites para os eventos. Isso foi terminando e eu dei conta quando fiquei farta de publicar coisas para ter visibilidade ou fotos para mostrar como estava bem ou a forçar-me a ser comercial em algo que no início era simples e puro.

No início, este blog, esta minha vida, tudo isto ligado às trocas e ao Believe tinha apenas e só a ver com a letra da música "Amar pelos dois". Pois... nessa altura, no final de 2011 a música ainda não existia, mas eu tinha-a dentro de mim. A decisão deste projeto era dedicado a uma pessoa, que amava mais do que a mim e por isso, pelos dois. Numa tentativa de amar mais e mais... e de estar junta, mesmo sem poder, criei o Believe in Portugal. Depois, tudo se tornou o que vocês conhecem, algo que eu sabia poder acontecer, mas que não premeditei, não fabriquei, não tive estratégia de marketing ou um plano de negócios. Fi-lo apenas e só, porque amava alguém, em dobro e queria experienciar todos os valores e crenças que ele me tinha passado.

O tempo passou, as trocas foram espalhadas no nosso país de forma "louca" e um pouco por todo o mundo a minha mensagem também foi passada... e sei que não foi pelas trocas em si, ou pela situação improvável de uma "mulher que se despede para viver de trocas". Eu sei que o mediatismo que tive na altura, foi porque eu estava carregada de amor, fi-lo genuinamente e quem estava à minha volta, acreditou, sentiu, belivou... Aos poucos, o meu ego foi crescendo e eu já não sabia o que estava a fazer, porquê, para quê... e de todos os lados recebia dicas, conselhos de como "comercializar" este projeto... este amor.

Com o tempo, fiquei um bocado perdida e vazia, sem saber para onde caminhar, para onde ir... e decidi voltar a trabalhar, numa empresa, que curiosamente tem como siglas B.E.! :) Voltei a ter o pé no chão, a sentir-me amada e útil... e as minhas crenças das trocas, das partilhas, do networking, do fazer diferente e "Trocar Portugal", como o disse na Visão, começaram a fazer sentido de outra forma, sem pressas, sem pressões, sem projetos, sem mil e uma atividades, sem 500 mil amigos no facebook (que nem conhecia). 

Ainda não sei bem para onde vou... mas decidi parar. Há um mês, tive de parar ainda mais... torci uma rótula e tive de ficar em casa de repouso. PARADA. Hoje, foi o primeiro dia que saí à rua pelos meus próprios pés. (Já cá voltamos a esta parte... )

... 13 Maio 2017: Papa e 100 anos de Fátima + Benfica + Salvador (Eurovisão)...

Não senti isto que sinto hoje no momento em que ouvi a música "Amar pelos Dois", fui como muita gente que no início das minhas trocas criticava por alguma coisa, nem que fosse pela incredibilidade de ainda existirem pessoas genuínas e "meias loucas saudáveis" que se tinham despedido só porque sim. Gostei da música, mas avaliei-a pelo pacote externo e não pela ligação a algo que fez magia nestes últimos dias: o AMOR.

O que aconteceu este fim-de-semana, não foi uma vinda de um papa, ou um clube de futebol qualquer, nem um festivalzeco... foi uma conjunção de 3 cores: branco + vermelho + azul que dão o VIOLETA! A cor da transformação e da mudança... que é tão só e apenas, acreditar no amor, entre povos, entre gentes, que se ligam à música, que é a linguagem comum a todos. Podia estar aqui mais 1h11 minutos a tentar explicar o que senti, o que acredito ou o que "leio" de tudo isto, mas não preciso de partilhar mais. O que aconteceu este fim-de-semana, principalmente com o SALVADOR (só pelo nome é caricato) é algo que só alguns perceberão agora, outros depois e outros já perceberam há muito tempo. Talvez tudo isto seja imaginação minha (tenho-a muito fértil!), mas o que sinto é impossível que seja! Além do mais "Amar pelos dois" era a canção número 11! :)

(Voltando à parte de cima) Depois de toda a turbulência exterior e interior destes 2 dias, decidi sair pela primeira vez de casa, com a minha cadela Azeitona e com a minha amiga canadiana. Precisava de ar puro, de ver relva e árvores e de me enraizar novamente. Fui a um jardim próximo de casa e sentei-me só a ouvir o som do rio. A Azeitona comia relva e dava ao rabo e eu tinha uma sensação no peito, tão grande, tão grande, que só me apetecia chorar de alegria. Nesta onda de AMOR mundial! Não consigo explicar mais. Nisto, apareceu um menino com uns dois anos que adorou a Azeitona. Fez-lhe muitas festas, sorria, queria mexer-lhe no focinho, no rabo... A mãe (uma senhora com um Hiyab - burca só no rosto) sorria e envergonhada ia buscar o filho vezes sem conta, para não nos incomodar. Isto repetiu-se mais de 6 ou 7 vezes. Comecei a sorrir ao miúdo, a dizer à mãe que não fazia mal ele brincar com a Azeitona, que não se preocupasse. A mãe sorria. O miúdo estava felicíssimo. E eu com o coração grande. Eles não falavam português. Percebi que dizia umas palavras em inglês e começámos a falar sobre o fato do miúdo adorar cães. Ela começou a falar comigo, disse o nome do filho e o nome dela, bastante difíceis de pronunciar. Então como forma de me ajudar, disse: "O meu nome em inglês quer dizer DREAMS". Eu sorri. Só me apetecia chorar mais uma vez. Contive-me e perguntei: "E o nome do seu filho, tem algum significado?" Ela disse-me: "Sim, STRONG." Calei-me, sorri. Falámos mais um pouco de como é viver por cá e disse que o marido estava a chegar com uns amigos. Eles viviam cá há 2 meses, ela era Síria e ele Iraquiano. Perguntei se gostava de cá viver. Disse-me: "Sim, gosto. Quando olho para as pessoas, recebo sempre um sorriso e é bom." Teve de voltar para ao pé da família, acenou-me. O Strong fez mais uma festa à Azeitona. Eu chorei... e chorei e chorei... e ganhei CORAGEM (que é o significado do meu nome) para vos escrever isto, passado tanto tempo.

Foi isto que o Salvador e todo este fim-de-semana fez em mim... <3

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