sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quem eu era...


e quem eu sou!
Sempre fui uma moçoila a modos que alegre, risonha, energética e de bem com a vida... mas tenho de admitir que sempre fui (e dizer isto no passado é óptimo) algo gastora e compradora! Não é que vivesse em total dependência com dinheiro ou com as compras, mas sei que tal como comer, o comprar era algo de bastante aliviador, nem que fosse naquele momento presente e instante!

Na altura em que tive o meu primeiro emprego, costumo dizer que trabalhei para a vida... ou seja, tinha um emprego a full-time, dava aulas à noite até às 22h todos os dias, consultas e formação ao sábado e no domingo trabalhava para a associação onde era presidente... Costumo dizer também que esses 5 a 6 anos valeram-me pela vida... ganhava muito dinheiro, mas não tinha tempo para o gastar! Gastava no dia-a-dia: comia fora todos os dias, tinha empregada doméstica, comprava roupa e acessórios semanalmente (quando tinha um tempinho) e guloseimas diariamente... e depois, o resto do dinheiro era mesmo gasto em viagens ao estrangeiro com o meu marido, sempre que tínhamos férias. Tinha um carro novo, uma casa nova com tudo o que tinha direito, amigos, família e a vida das 9 às 17h que não me trazia nada de novo e pouco tempo para usufruir de tudo isto... Pensava muitas vezes em como a vida era só aquilo e como aquilo não me chegava, por muito que toda a gente à minha volta me dissesse que eu tinha a vida que todos sonhavam! Este foi o meu primeiro casamento.

No meu segundo casamento, os meus empregos diminuíram e com eles também o meu ordenado ao final do mês... mas não era por isso que não tinha dinheiro para gastar no que estava habituada. Nada me faltou, felizmente! Mas como eu costumo dizer, quanto mais temos, mais gastamos... se não temos não gastamos!... As compras que eram diárias, começaram a ser semanais e as que outrora eram semanais passaram a ser mensais... O dinheiro era apenas um pormenor... mas foi aqui, nesta fase da minha vida que um dia escrevi uma lista de novas aprendizagens que tinha feito e que hoje vejo com ternura, que eram tão especiais por as ter assimilado e hoje estão tão coladas à minha pele como se nunca tivessem morado noutro sítio.

Ora vejamos:
- Fazer reciclagem (durante anos nem sabia para que serviam as cores dos caixotes do ecoponto)
- Comer fruta e legumes (andava meses e meses sem um colorido de vitamina no meu corpinho)
- Fazer comida em casa (se fazia comida uma vez por mês era capaz de ser muito)
- Poupar dinheiro (não sabia o significado da palavra poupar) 
- Ligar menos às coisas materiais (eu era a típica mulher que tinha conjunto para tudo: sapatos, mala, roupa, bijuteria, sombras dos olhos e verniz das unhas... dava-me ao trabalho de mudar de cor de unhas quase diariamente para combinar com a roupita)
- Andar mais a pé (então a partir do momento em que tive carro, andar a pé não estava no meu dicionário)
- Aprender todos os dias algo sobre a natureza (outrora a natureza era apenas um pormenor)
- Ser uma pessoa melhor cada dia, acreditanto em mim e reavivando os meus valores morais
- Pensar sobre o amanhã
- Aproveitar as sobras de comida (é incrível pensar, mas acho que ajudei muito pessoal Freegan durante muito tempo da minha vida)
- Dar valor a pequenos pormenores (como o mar, como a lua, como o cantar de um passarinho ou a companhia da minha cadela)
- Comer de forma saudável, não só pela dieta, mas porque cada dia que comesse melhor era mais um dia bom na minha velhice
- Conseguir olhar nos olhos do outro e ler a "alma"
- Aproveitar o presente com mais intensidade (eu sempre fui de pensar ou no passado ou no futuro...)
- Desfazer-me do desnecessário (se imaginassem a quantidade de conjuntos de copos que eu tinha, por exemplo... uiiii... felizmente dei quase tudo o que tinha a mais no ano passado)
- Não arrancar flores ou matar bichinhos porque são seres vivos!
- Saber esperar (sempre tão díficil para mim)
- Saber estar em silêncio (sempre tão impossível para mim)
- Acreditar sempre que o amanhã vai ser melhor do que o hoje e que o hoje apesar de ser díficil servirá para se construir  algo mais forte e melhor

Olho para trás e parece que estes meus pequenos passos que hoje estão gravados em mim, sempre cá estiveram... nem sei como pude ser outra... um dia...

http://www.youtube.com/watch?v=IRTR8pD6AhU&feature=related

2 comentários:

  1. Eu diria que, tal como andar de bicicleta só se aprende depois de uma queda, muitas outras coisas há que só se aprendem depois de as vivermos.
    Por outras palavras, o conhecimento ou a sabedoria resultam da conjugação de dois factores: tempo de vida e vontade de aprender.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ...não sei se é do seu tempo de vida ou da sua vontade em aprender, que diz sempre a frase certa no momento oportuno!

      Adoro os seus comentários!
      Grata*

      Eliminar