sábado, 20 de setembro de 2014

Troquei com amor

Elaborado por Bruno Maltez
De tantas coisas que aprendi depois de começar a viver de trocas, uma sem dúvida, foi saber fazer sites. Já fiz sites à troca de consultas de dentistas, de massagens, de acompanhamento nutricional... eu sei lá! As encomendas são mais que muitas e é sempre algo que tenho prazer em trocar!

É certo que fazer um site dá um certo trabalho e é um pouco demorado, dependendo da quantidade de informação que é colocada, mas é algo que me dá prazer fazer, porque mexe com organização, detalhe e dá um ar de profissionalismo a qualquer empresa.

Desta vez, fiz uma troca muito saborosa! Em troca de elaborar o site, recebi comida vegetariana muito saborosa: almôndegas de aveia e noz, seitan caseiro, hamburgueres de grão, folhado de seitan com alheira vegetariana... bem, a lista é enorme e quase toda muito dietética!

Este projecto é de uma amiga, que me conheceu através do meu projecto e chama-se “Meu vegetariano” e podem ver o site aqui. Depois digam se gostaram!!! Já sabem que foi à troca!

Isto de trocar o site pelo produto propriamente dito, é divinal! Mas o que gosto ainda mais, é que não tenho a mínima ideia do valor que ele vale. Primeiro porque não sei quanto custa fazer um site, mesmo que seja numa plataforma como a que eu uso, depois porque não tenho valor hora e por fim, porque a dona do projecto vai-me dando comidinha na medida da sua possibilidade, sem estar preocupada que tem de chegar ao valor “x”. Digam o que disserem mas é assim que eu gosto de fazer trocas. Fico sempre um pouco chateada quando me pedem valores hora ou valores serviço... Porque se vivo de trocas, não vivo com valores. Ou será, que não vivo de trocas e sim de partilhas/dádivas?!


É certo que há algumas áreas da minha vida que é feito um valor hora para depois me ser pago em produtos/serviços, mas de todo não é esta a filosofia da minha forma de vida... Agora digo-vos tal só é possível, quando ambos os intermediários têm os três valores do projecto Believe: confiança, partilha e altruismo. E o “Meu vegetariano” é um deles! J

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Obras a dia 11?! :)

Parece mentira, mas é verdade! Hoje dia 11 de  Setembro, por mera casualidade, iniciámos as obras no “Bekyosk – casa de trocas de Torres Vedras”. E parece mentira, porquê?! Por dois motivos! Primeiro, porque o inicio das obras ter calhado num dia 11 foi mesmo casualidade!!!! E como já sabem o 11 é sempre o “nosso/meu” número belivador! Por outro lado, e este segundo motivo, porque finalmente as obras arrancaram depois de mais de 1 ano, de inicio deste projecto!

Isto de obras, tem que se lhe diga. Ele é licenças, ele é planos, ele é empresas, ele é certificações, ele é entulho para tirar, ele é rua para fechar e colocar o carro do entulho. Sei lá, um cem número de situações que vai atrasando tudo e todos.

Mas sim, por fim, as obras iniciaram. Não se sabe quanto tempo vão demorar... bem sabemos que uma casa com três pisos e quase duas dezenas de assoalhadas, não é pêra doce... mas pelo menos já começaram! Esperemos que não demore 1 ano e 11 dias... e pelo menos 111 dias!

A ver vamos. Por enquanto temos cada vez mais parcerias a trocar, a emprestar, a ajudar... Artistas que vão redecorar e reabilitar cada uma das divisões e empresas e associações que vão ajudar a que tudo siga em frente.

É que há sonhos demorados e complexos! Este é um deles. Na verdade, não é de forma rápida que se transforma uma casa numa zona histórica de uma cidade, num projecto, totalmente sem dinheiro, apenas com trocas, partilhas e bom vontade...


Para seguirem este projecto, cliquem aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Último mergulho às 1h11!

E pronto, acabaram-se as férias à troca!
Depois de roupa passada a ferro e tratamentos estatísticos com direito a gráficos, trago muita coisa na bagagem, além da roupa que tenho de lavar!


Trago muito descanso... 
...peixe assado acabadinho de pescar...
...melância maravilhosa... 
...um monte com uma paisagem deslumbrante sobre o mar...
...a minha cadela em liberdade... 
...algumas conversas em "americano"... 
...uma piscina azul...
...um céu estrelado com estrelas cadentes sincronizadas...
...conversas tardias sobre trocas, Portugal e o futuro...
...bicharocos que se afastam, pegando pelas antenas... 
...louva-a-Deus que parecem bonequinhos telecomandados e que insistem em me perseguir...
...um cão alentejano que ladra deitado... (mas é um fofo)
...a ventania que nos adormece e acorda... 
...o descanso... 
...o sossego...
...a vida boa... 
...a alegria... 
...a família...
...e sorrisos!

Mas o melhor: muitos mergulhos na piscina! :)
O último foi no dia 1 de Setembro às 1h11, por três jeitosas que partilharam a piscina com uma rã (ou sapo que se poderá, quem sabe, transformar em príncipe) e que estava no fundo da piscina, num luar quente de Verão (talvez o primeiro luar e a primeira noite quente, deste Verão)! Foi o mergulho belivador, ao luar... para comemorar as férias, o ACREDITAR e INSPIRAR na felicidade!

Ricas férias... e venho tão rica... por dentro!

Bem haja!!!!!! *** 

E porque adoramos esta música e Portugal, cá vai: https://www.youtube.com/watch?v=JAgsROsJVnQ

sábado, 30 de agosto de 2014

As minhas férias à troca

Durante umas semanas, tentei junto dos meus contactos e nas redes sociais saber onde poderia ter férias, que em troca de algum trabalho, mas onde pudesse descansar um pouco. Não foi difícil encontrar um cem número de locais, desde: quintas onde precisavam de trabalho de agricultura, comunidades em versão wooffing, trabalhos sazonais em aldeias, ou pessoas que tinham a sua casa vaga nas cidades e que estavam ausentes para férias. Ainda tive algumas propostas de férias desde género. 

Gostei de todas no geral, mas algumas eram incompatíveis, porque isto de ter férias à troca, não se tem de pensar só no alojamento, tem de se pensar na comida, na deslocação e no meu caso, de aceitarem que levasse a minha cadela para as ditas férias. Umas delas, não tinha como me deslocar, outras pediam mais de 6h de trabalho diário, outras eram cheias de gente que queriam saber como era viver de trocas, outras num apartamento dentro da cidade... logo avistavam-se férias onde não iria descansar do meu “assunto de trocas”.

Mas o que eu queria mesmo... e depois percebi isso, era que apesar de ter de fazer algo em troca, para “pagar” as minhas férias... eu queria era estar em família!!!

Depois de uma conjunção do Universo, uma amiga de uma amiga, falou-me de uma casa num monte algarvio, no meio do nada, mas com uma vista para o tudo (mar, cidade, campo... lindosssssssss) onde poderia ir passar uns dias e onde podia levar a minha cadela! Voilá!!! Pareceu-me muito bem... mas tinha agora uma situação para resolver: a deslocação! Mas como vos disse, o Universo estava a torcer e uma amiga de Lisboa, vinha precisamente para o Algarve nessas datas e deu-me boleia!!! Yupi!!! Férias!!! J

E é onde estou! Num paraíso sossegado, onde me sinto em família, onde consigo estar com os meus botões (ups... botões não, porque o meu fato de banho não os tem... lolol), onde dou uns mergulhos na piscina, onde apanho sol, onde leio, onde durmo descansadamente e onde penso na vida!!!

“E trocas, perguntam vocês?” Pois bem, já passei roupa à beira da piscina (com um cenário fantástico) e actualmente estou a fazer o tratamento de uns dados estatísticos para um relatório.

Ter férias à troca é assim! ;)

sábado, 23 de agosto de 2014

O dinheiro e as férias

Desde que comecei o projecto nunca mais tive férias, na verdadeira acepção da palavra. Bem, a bem dizer estou diariamente de férias, mas como sempre tenho de fazer algo à troca, a terminologia “férias” não está bem empregue... sendo que a palavra “trabalho” também não é o que deve definir o meu tipo de vida diário. Que tenho algum trabalho e muitos trabalhos tenho, mas nenhum emprego! Contudo, trabalhar é coisa que ainda não parei desde que comecei a viver de trocas. Mas sentimento de estar “um pouco aprisionada”, que o trabalho nos dá, esse sem dúvida é algo que não sinto muito... sinto mais algo que se pode chamar de “comprometimento” e “responsabilidade” de ter de fazer as trocas, para “pagar” os bens ou serviços que preciso.

O bom do dinheiro (e o dinheiro tem muitas coisas boas) sem dúvida é a liberdade que nos dá (mas também nos dá muita prisão) de sermos autónomos para pagarmos por “aquilo que nos dá na tola”, sem pedir autorização a ninguém. Já as trocas... essas são diferentes, temos sempre de conseguir negociar o que nos convém, de preferência em situações que ambos os lados fiquem a ganhar.

É essa sensação de “liberdade e autonomia” que o dinheiro dá e que sinto mais saudade. Realmente eu nunca vivi sem dinheiro... estou farta de dizer isto... mas quando se fala da minha experiência quase todas as pessoas dizem: “A Andresa, a menina das trocas, que vive sem dinheiro”... Mas tal não é verdade!... Como sabem, no meu 1 ano e 11 dias vivi com 1111€, logo: com dinheiro. É verdade que cada vez vivo com menos... e sei que conseguiria viver sem dinheiro nenhum pelo menos por uns tempos ou na maior parte das coisas, tendo de me adaptar noutras, cedendo noutras e escolhendo outras.... mas como já tive oportunidade de escrever aqui no meu blog, ainda não é minha intenção viver totalmente sem dinheiro. O dinheiro, ou pelo menos, algum dinheiro, dá-me uma certa liberdade! E sou muito mais feliz com os 50€ que gasto num mês, do que a viver inteiramente de trocas, mesmo que vivesse de uma forma milionária (mas sem dinheiro)! J

Nestes três anos que vivo sobretudo de trocas, comecei ultimamente a sentir-me muito cansada... não do esforço que faço dos diversos trabalhos onde troco, mas mais de estar constantemente em contacto com pessoas, nas palestras, na comunicação social, nas redes sociais... focada nos meus 1111 projectos (casas, feiras, lojas de trocas, livro, site, entre outros) e nas minhas trocas diárias. Viver de trocas é um “non stop” que se torna um ciclo vicioso: tudo é possível trocar, mas quanto mais se quer, mais se troca!

Cheguei a uma situação de emergência: precisava de férias! Mesmo: FÉRIAS! Não é bem, ir uns tempos para comunidades ou quintas com wooffing ou trabalhar num hostel à troca... Não, o que eu precisava era de FÉRIAS mesmo!

E claro... como não podia deixar de ser: Férias à troca!