quarta-feira, 23 de julho de 2014

Troquei a licença da minha cadela com a Junta de Freguesia!

Depois do meu 1 ano, 11 dias, 1 horas e 1 minuto cheio de feiras de trocas, mensais um pouco por todo o Portugal foi altura de descansar um pouco e não organizar feiras a torto e a direito. 

Pontualmente, sempre que me contactam a perguntar se posso ajudar a organizar uma feira, envio o guia de trocas que elaborei e digo que ajudo a promover a feira, dando apoio à distância na organização da mesma. (Se quiserem saber mais, cliquem aqui)

E foi isso que aconteceu desta vez, apesar da minha ajuda não ter sido à distância e sim, a nível presencial, com a Junta de Freguesia de Agualva-Mira Sintra, ou seja, a junta de freguesia à qual eu pertenço.

Pois bem... um dia recebi um email de uma funcionária da Junta de Freguesia a dizer que me tinham conhecido através da comunicação social e que gostavam imenso que o Believe chegasse à localidade onde eu vivo. Claro está, com uma feira de trocas! Aceitei de imediato e sem dúvida foi muito enriquecedor.

A feira foi organizada tal como as outras feiras, em que cada indivíduo pode trazer a sua banca/lençol e trocar os seus produtos/serviços, mas teve uma novidade que foi, convidar as associações da freguesia para que nesse dia estivessem com as bancas dos seus projectos, também a trocar! Fizeram-se algumas reuniões de preparação e a resposta foi muito positiva por parte das associações que quiseram estar presentes, com produtos, serviços e até espectáculos à troca.

Da minha parte, ao ajudar a Junta a organizar a feira, tive uma troca supimpa: a licença da minha cadela! Que feliz que fiquei!

No dia da feira troquei muito. :) Troquei livros por consultas, trabalhos manuais (decorei essa boneca de pano que vêem na foto) em troca de linhas que troquei para fazer um téreré. Troquei umas botas de caminhada que me vão ser muito úteis para levar a minha dieta a bom porto e muitas outras coisas! Trocar faz-nos sempre trazer um sorriso do tamanho do mundo, quando voltamos para casa!

O que é facto é que já existem muitas organizações a preparar feiras de trocas e cada vez, tanto as feiras como as lojas são uma constante no nosso país, principalmente em Lisboa. Que bom!

Deixo-vos alguns links úteis:
. Loja de trocas Ponto de Troca
. Loja de troca mensal itinerante Trokaki
. Feiras de trocas temáticas Troca-te
. Loja de trocas Beshop (em Coimbra e pertencente ao Believe in Portugal)

Trocar é o que está a dar!!! :)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Pequenos passos, grandes mudanças

Como vos disse a troca do meu emagrecimento, inclui sessões de coaching alimentar. E no meio das conversas e das metas e dos objectivos a atingir neste processo, tenho tempo para divagar e para perceber várias circunstâncias ligadas ao meu emagrecimento e à minha relação com o corpo/comida. Tenho percebido algumas coisas, sim senhor! Mas daquelas que se podem contar, assim publicamente (porque umas há, que são mais privadas), há uma que gostaria de partilhar convosco.

Essencialmente, o meu projecto de viver de trocas e de belivar num mundo azul, harmonioso, onde todos somos mais humanos, felizes e saudáveis, tem muito de viver para os outros... dar as outros, trocar com os outros... E dei-me conta ao longo deste tempo, que mais uma vez, me esqueci de mim. De mim, como pessoa, como mulher, de mim com um corpo para tratar e cuidar, de mim como alguém com necessidades e cuidados próprios a ter, de conforto, cuidado e protecção. Assim em meias palavras: esqueci-me de mim! 

No meio do burburinho da comunicação social, das palestras, das trocas e de conhecer tanta gente em tão pouco tempo... aos poucos, não fui ligando à minha alimentação, aos meus ritmos diários, aos meus horários de sono, horários alimentares, etc etc... Esqueci-me de mim... Comia o que de mais rápido houvesse... (eu não como grandes quantidades e por isso, quanto mais hidratos de carbono ou açúcares um “alimento” tivesse mais rapidamente tinha energia para dar e trocar) Esqueci-me de mim... Esqueci-me do que era ter disciplina, horários, timmings... e o que me esqueci mesmo mais, foi de gostar de mim!

Assim esta semana, os objectivos que foram trabalhados no coaching, são simples: deitar cedo e cedo erguer, fazer as refeições a horas certas e comer sempre de 3 em 3 horas! Apenas um pouco de disciplina e método! Pequenos passos, é certo! Mas grandes mudanças... mudanças para voltar a lembrar-me de mim!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

As trocas pegam-se... o espírito belivador anda aí! :)

Há muito que digo que as "ideias não são de ninguém" andam por aí e são aproveitadas por quem está mais atento... Einstein também dizia isso... Bem, ele disse antes de mim e eu é que segui as pisadas! :) Mas é verdade... tal como a história dos 101 macacos... (podiam ser 111, mas não... são 101 porque é mais 1 do que o total, ou seja, os 100%) os costumes, as ideias, os novos comportamentos primeiro estranham-se e depois entranham-se! Claro que há um tempo para tudo... e nem todas as modas pegam em todas as alturas, mas quando é para "pegar" é uma maravilha!

Mas de que vos quero falar eu hoje?! Das pessoas belivadoras que andam para aí! Aquelas que vivem de forma mais simples, com menos dinheiro, fazendo trocas e vivendo de dádivas, sendo ecológicas com mais cuidado com o ambiente e com os seres humanos... E hoje lembrei-me disto, porque desde ontem toda a gente me fala da Greta, uma jornalista alemã que viveu 1 ano SEM DINHEIRO, utilizando o que a sociedade dispõe, como desperdício! (ver mais aqui http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3990441&seccao=Europa)
Temos também o caso de outra alemã, que vive há mais de 16 anos sem dinheiro, excepto o dinheiro que lhe pagam para se transportar de comboio (ver mais em http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=2704449).
E de uma familia alemã que faz greve ao consumo do dinheiro para uma vida mais saudável (ver mais em http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-da-redacao/familia-fellmer-greve-dinheiro-protesto-consumo-excessivo/)
Ou o tão conhecido "Homem sem dinheiro", que iniciou toda a sua vida com bens de uma vida com dinheiro... e depois vendeu um livro por dinheiro, para comprar um terreno (ver mais http://www.hypeness.com.br/2013/10/a-historia-do-homem-que-decidiu-viver-sem-dinheiro/)
E ainda a família que tentou não ter impacto ambiental, os "No impact man" (ver mais em http://noimpactman.typepad.com/)
E a rapariga que durante 1 ano, experimentou 365 novas experiências ecológicas (ver mais em http://vfarquharson.com/book/)
Incrivel, né? E imaginem a quantidade de pessoas que ainda deve haver no mundo assim?!!?

Pois, é fácil viver sem dinheiro, se tivermos uma vida muito dedicada a "sobras", vida alternativas onde se vive como ocupas ou onde se come de respiganço... O difícil, difícil é viver nesta sociedade sem dinheiro e tendo os mesmos luxos: andar de transportes públicos, comer comida biológica e saudável, ter hobbies citadinos ou até ter roupa nova em cada estação do ano! Claro que nada disto é possível... ou até é... e depende do que queremos para a nossa vida... :)

Também eu experimentei um pouco desta vida: uma vida de sobras, de restos daqui e dacolá, de coachsurfing, respiganço, freeganismo e woofing, mas o que é verdade verdadinha, é que nem todos poderíamos viver assim... Não é humanamente possível... pois para sermos freegans alguém tem de "desperdiçar" comida, para vivermos de woofing, alguém tem de ter uma quinta., etc etc... Por isso, para mim, pode ser uma forma de viver temporariamente, até haver equilibrio entre os modos de viver, mas a vida mesmo saudável, a vida mais simples, igualitária e de partilha... ou seja, uma vida comunitária!

Por isso, estive a pensar depois de ler e de saber todos estes casos de belivadores espalhados um pouco por todo o mundo... e penso que a grande diferença entre eu e eles, é que eu quero continuar na vida citadina, com todas as condições que sempre tive, com a qualidade de vida que me sinto bem, sem muitas restrições... mas vivendo numa vida não dependente do dinheiro, do consumismo desenfregado ou do capitalismo ganancioso. Uma vida com qualidade, com peso e medida! Sim, porque eu acredito numa vida "normal", "moderna", citadina com trocas, dádivas e partilhas... onde o dinheiro não é "A" prioridade ou o "FIM" mas sim o meio para o fim... o fim de um mundo melhor!

Ainda estou longe... ainda não faço trocas com o metro... com a electricidade, com o gás e a água... mas já faço com o comboio, com a junta de freguesia, com o dentista, com a nutricionista, com a empresa que tem comida para a minha cadela, com o supermercado biológico que me alimenta... É um dia de cada vez... um pequeno passo para o mundo... um grande para a humanidade... será? Será? Ou será utopia?

domingo, 1 de junho de 2014

Trocar a alimentação

Foto tirada por Cátia Cóias
Fazer dieta para mim é bastante fácil! Gosto de quase todas as frutas e todos os legumes e adapto-me bem a novas receitas e novos paladares. Fácil, excepto não poder ingerir açúcares. 

Eu costumo dizer que só tenho um vício e o meu vício chama-se açúcar! Eu nunca fumei, não gosto de bebidas alcóolicas, não acho piada a jogos de azar, nunca experimentei outros tipos de vícios... mas quanto ao açúcar, sim, confesso-me: sou mesmo viciada! Poderia contar-vos até onde vai o meu vício pelo açúcar... e começar a arrepiar os espíritos mais sensíveis que se alimentam de forma saudável, mas não arrisco! Contudo, posso contar-vos por exemplo, que os meus doces favoritos são carregados de ovos moles, fios de ovos, amêndoa e muito açúcar. Conhecem por exemplo, o pão de rala ou o pingo de açúcar!? Pois bem, aí estão as minhas preferências... e de preferência também, mais do que uma unidade! J 

... Esta conversa toda, para vos dizer, que sim, dificil foi mesmo começar e parar de ingerir açúcar todos os dias! De resto, a dieta que a nutricionista da Nutriconcept me passou não foi dificil, não passei fome e até foi variada (excepto as saladas de alface e pepino todos os dias, na primeira semana)! 

Mas o melhor mesmo foi o peso que perdi: 6 kilos até à data! Não é fantástico?! E é engraçado, que basta perder uns quilitos, para uma pessoa se sentir logo “outra”, nem que seja para vestir as calças de ganga que estiveram guardadas meses e meses a fio. E foi o que hoje me aconteceu! Vestir umas calças de ganga que já nem me lembrava que existiam e que até gostava delas... mas que não me serviam e de uma hora para a outra servirem, é sem dúvida muito motivador para se continuar na dieta!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

O sapateiro

As coisas mais difíceis de se trocar para mim, são: serviços médicos, mecânicos e sapateiros! Talvez porque são especialidades e nem todas as pessoas sabem fazer este tipo de serviço... mas pronto, que é difícil é! E quando digo médicos, digo: dentistas, médicos de clínica geral ou não, veterinários, entre outros... Mais fácil é encontrar enfermeiros, fisioterapeutas, osteopatas e naturopatas à troca... mas pronto, às vezes precisamos mesmo de certo tipo de especialidades...

Bem... como já vos falei no passado, dentistas já consegui e mecânico também... mas há muito que andava a pensar num sapateiro! Sim, a verdade é que é fácil de arranjar roupa à troca, emprestada ou dada, mas os sapatos nem sempre é assim tão fácil! Claro que há muita gente que queira dar sapatos, mas o sapato em si terá de ter a ver connosco, ser confortável e ser o nosso número e para isso, é preciso uma certa individualidade na escolha!

Talvez por isso, os sapatos sejam das únicas coisas que tenha comprado nos últimos 3 anos... De roupa não me lembro de ter comprado nada, desde que iniciei as trocas, mas os sapatos, por muito que tenha conseguido uma data deles à troca, houve sempre necessidade de comprar uns sapatinhos baratos, nem sempre produto nacional (o que não é nada belivador)! Por exemplo, estes da foto custaram-me 2,5€... são de borracha, mas são mesmo muito confortáveis... mas nada duradouros! E não são portugueses! :(

Bem, comecei a pensar que o que eu precisava era de fazer uma troca com uma empresa de sapatos ou com um sapateiro... mas só pensei, não me dei "ao trabalho" de procurar nem de dizer a ninguém. Mas qual não foi o meu espanto, que quando fui a semana passada dar palestras à Benedita e de forma imprevista, fui visitar uma fábrica de calçado de pele e com corantes naturais, produtos portugueses e com um ar de conforto, que só visto!?!?... Ao falar com os donos sobre a minha vida de trocas, ficaram tão entusiasmados que me disseram que quando lá quisesse ir trabalhar uns tempos, me davam em troca uns sapatos! Fiquei contente! Tenho de lá voltar!

Mas antes de ter sapatos novos... comecei a pensar que precisava era de arranjar um sapateiro à troca, para arranjar alguns dos sapatos que se foram estragando com o uso... mas não procurei e não falei desta minha necessidade a ninguém... Contudo... esta semana a minha mãe liga-me! A minha mãe mora no distrito de Castelo Branco e como não tem facebook nem sempre está muito a par das minhas lides... mas outro dia, como estava a dizer, liga-me assim do nada e diz-me: "Não vais acreditar no que aconteceu... outro dia, o sapateiro aqui da terra, vem ter comigo e pergunta-me se eu era familiar de uma menina que tinha saído numa revista e que vivia de trocas. E mostrou-me um recorte de uma notícia tua, há mais de 2 anos. Eu disse, que sim, que eras minha filha e ele disse-me, que bem lhe parecia porque éramos muito parecidas. Então, disse-me que te admirava muito... e que desde que viu a notícia na revista, a guardou e têm-na afixado no seu espaço de sapateiro, porque tu inspiras e ele sente que uma vida assim é que vale a pena." Bem... eu fiquei assim, sem conseguir dizer nada... eu que andava a pensar em arranjar um sapateiro, como é que do nada, alguém que tão longe vai ter com a minha mãe, que não sabe que é minha mãe e diz isto tudo!?!?!? Bem, aproveitei para dizer à minha mãe, que realmente precisava de um sapateiro... e que gostaria muito de fazer uma troca com o senhor, no sentido de me arranjar os meus sapatos... 

Conto-vos isto... porque é por estas e por outras, que o viver de trocas me faz sentido... o poder inspirar, o poder fazer diferente e por acreditar/belivar que há por aí muito português/cidadão do mundo (também) a pensar como eu... numa vida mais comunitária, de inter-ajuda, com menos dinheiro e mais valores... e é por estas e por outras, que continuo a belivar muito numa vida belivadora!