segunda-feira, 12 de agosto de 2013

11 dias luzidios!


O incoveniente das trocas é que não se pode passar férias de papo para o ar sem fazer nenhum! E às vezes, bem que uma pessoa precisa! Também é verdade que viver de trocas não tem um horário específico e por isso, não se pode propriamente dizer que se tem uma vida rígida para se precisar de férias forçadas, mas acreditem que as férias são sempre muito bem vindas... e a verdade, verdadinha é que já estava a ressacar!!

Mas pronto, em falta de melhor, vim passar 11 dias à Quinta do Luzio! (ver mais em https://www.facebook.com/quintado.luzio?ref=ts&fref=ts e em http://quintadoluzio.wordpress.com/)

A troca é viver na tenda de campismo e fazer as refeições principais na quinta, em troca de algum trabalho voluntário, mas mais a nível organizativo e burocrático.

Já lá vai 1 semana desde que aqui estou... e realmente, hoje que tive de ir a Lisboa, percebi mesmo em como a vida é diferente nos dois sítios!!! :( Acreditam que até vim a modos que enjoada com tanta confusão de metros e autocarros e buzinas e sei lá mais o quê?!

Por aqui, a quinta é muito bonita... tem uma casa muito interessante, onde vivem algumas pessoas e são albergados alguns woofers, tem uma zona de hortas, de estufas, um galinheiro e uma coalheira e a parte mais bonita de todas é mesmo uma casinha de pedra, que pode ser alugada. Aqui fazem-se eventos de permacultura, cinema ao ar livre, actividades para crianças e famílias, cinema ao ar livre, aulas de yoga, cursos de detox, entre outras temáticas! Diariamente chegam voluntários de todo o mundo, que alegremente querem contribuir nas actividades da casa e também nas actividades de reorganização e construção da quinta! Há sempre trabalho para fazer! Neste momento, está a ser feita a casa-de-banho seca que vai ter chuveiros e quarto de vestir! Finíssimo... como eu costumo dizer!!!

Na 4a feira já me vou embora... e vou com uma sensação do género "voltar para casa... nãooooooooooo... confusão de transportes, de poluição, de stress, de pessoas mal encaradas... nãooooooooo..." Enfim... decidi que em breve, me tornarei uma nova rural... mas para quando será essa decisão?

E aqui fica uma música que tenho ouvido muito por aqui, enquanto a comida se faz e se acende o forno a lenha!!! :) (Só um pormenor: hoje ajudei a fazer uma lasanha maravilhosa, com uma voluntária italiana... um must!!! E no forno a lenha............... uau!!) http://www.youtube.com/watch?v=uGNk_zHy4Mg

quarta-feira, 24 de julho de 2013

... fiquei toda trocada com tanto belivamento!

... acho que só agora tenho "vontade ou estrutura" para falar convosco das minhas últimas aprendizagens! Esta fase pós-projecto não tem sido nada fácil! Não que não tenha trocas... nada disso, tenho sim! Tenho as trocas com o supermercado, que me dão comida e com a CP que me dá o passe e isso sim, é o mínimo que eu preciso, por isso, estou bem melhor do que muita gente, que está afectada pela dita crise!

Contudo, só agora me apercebi o quanto o meu projecto foi transformador e exigente... em como deve ter sido um choque, um esticanço para as minhas células, para as minhas crenças, para a minha personalidade e tudo o resto! Durante 1 ano... fiz coisas que nunca imaginei fazer, estive em sítios que nunca acharia que iria estar, conheci milhares de pessoas, fiz novos amigos, mais que 111 certamente... fiz novas aprendizagens, destruturei conceitos dentro de mim e fui até ao fundo para perceber o que era isto de viver "dependente" (ou mais dependente) dos outros com pouco dinheiro!

Apesar destes últimos meses serem mesmo díficeis à brava (não em termos de trocas, mas em termos de crescimento e transformação interior) foram (acho eu e até agora) os mais importantes da minha vida... ou vão ser! Digo eu!

Estou numa fase de tomar percepção do meu corpo, de respeitar os meus ritmos, as minhas necessidades, de tomar conta de mim, de gostar de mim, de viver a vida e de ter prazer em pequenos passos da vida... em gostar de estar sozinha, verdadeiramente sozinha comigo mesma a fazer algo que goste ou simplesmente que me ocupe por momentos! Nunca me tinha acontecido tal coisa! Sempre fui muito "fast-girl"! O meu ex marido uma vez disse-me no ínicio do nosso relacionamento, a sorrir: "Tu tens mesmo o ritmo da cidade." Na altura não percebi isso... mas hoje percebo!

Hoje já dou por mim, a tomar o pequeno-almoço sentada, com calma... a não correr para os transportes públicos... a respirar mais; a falar mais devagar; a não rir esmagadoramente... a tomar um banho de imersão porque às vezes merecemos gastar um pouco mais de água para cuidar de nós... a dar uma palestra com mais calma, ouvindo mais os outros; a perceber que as escolhas na minha alimentação fazem a escolha do tipo de vida que quero ter... a olhar para mim com olhos de ver; a perceber que o dinheiro não é o fim, mas é o meio e que às vezes temos de o ter para termos pequenos prazeres na vida e que isso também faz parte da vida... a estar bem em estar sozinha e a gostar de estar sozinha...  a ter saudades de ter um facebook só com amigos que realmente conheço em vez de receber notificações de milhares de estranhos; a viver no campo, a respirar ar puro em vez de estar na confusão da cidade... 

... No fundo no fundo... percebi que nunca fui eu, nem antes, nem durante o projecto! Nunca fui eu, sendo uma pessoa consumista... e nunca fui eu, sendo uma pessoa tão livre e solta e leve... com uma vida mais "hippie"! Acho que sou eu um bocadinho entre os dois mundos, misturados e cobertos com molho de frutos silvestres e uns toques de natas (desculpem mas de vez enquando os apetites atacam-me... ehheeh)! O problema neste momento é descobrir quais são os ingredientes para o bolo total!... Será coisa que se aprenda em 11 dias, em 11 meses ou 11 anos?... Bem... segundo o meu mapa astral diz que só lá para Novembro de 2014 (o mês 11, claro) me decido!... Raios............ tenho muito que tentar misturar ingredientes e provar se a receita está comestível... Bem... a ver vamos!!!!!!!!!!... 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Lançamento Casa de Trocas Torres Vedras

A Casa de Trocas de Torres Vedras (Kyosk Believe) é uma ideia do projecto Believe in Portugal, Up Lab e Bmarca Arquitectos, em parceria com a Câmara Municipal de Torres Vedras e com diversas instituições, associações e organizações do concelho de Torres Vedras, tais como: Co-work Torres Vedras, Académico de Torres Vedras, .Xpression Architecture (Atelier de Arquitectura), Colchões Bom Repouso, Gabinete Centro Histórico de Torres Vedras, Rede Social de Torres Vedras, Plataforma de Acção Fotográfica, Estufa Plataforma Cultural, Associação Cultural Coração de Malaca, Junta de Freguesia de A-dos Cunhados e Psicologia Infantil e do Adolescente.
Esta casa consistirá na recuperação e decoração do edíficio Bom Repouso (junto ao chafariz dos Canos em Torres Vedras) com a finalidade de promover nesse mesmo edificio, actividades, eventos, workshops, alojamento e refeições totalmente à troca, sem utilização de dinheiro. Os espaços a reconstruir e decorar são: ofícinas, loja de trocas, sala de estar, quartos camaratas, quartos múltiplos, sala de eventos, cozinha comunitária, casa-de-banho, sotão e quintal/esplanada.
A Casa de trocas visa a inclusão de projectos e organizações sociais sendo a cultura o elemento de ligação das diversas componentes criativas e para isso, convida toda a comunidade, local ou não local, a participar desta dinâmica, contribuindo com os recursos que tenha disponíveis e/ou que sejam necessários, sempre numa atitude de troca e partilha. Poderão por exemplo ajudar na decoração da casa, na disponibilização de recursos humanos e/ou materiais, de serviços, de formações, alimentação, etc.

Uma ideia de todos e para todos! A não perder de vista!

Amanhã é o lançamento na Cooperativa Co-work de Torres Vedras, para angariarmos mais belivadores, mais trocas e fazermos este projecto acontecer. Não faltem!

https://www.facebook.com/CasaTrocasTorresVedras
E o vídeo: https://www.facebook.com/photo.php?v=193463240816310&set=vb.182128965283071&type=2&theater

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Eu sou seu fã!"

Hoje, como todas as 5as feiras fui trabalhar para o supermercado, colando etiquetas à troca de produtos alimentares biológicos! Neste momento é a única forma de angariar alimentos à troca, sendo que ainda não tenho a minha horta.

Mas hoje, o dia foi diferente, porque no final do meu turno, apareceu um rapaz que me disse: "Sou seu fã. Li no blog que trabalhava aqui à troca e vim ver se havia trabalho para mim." Fiquei contente por ter dado a conhecer o supermercado onde trabalho, porque realmente os produtos são mesmo de qualidade... por outro lado, fiquei desconfortável quando ouvi a palavra "fã". E pensei, como alguém pode ser fã de alguém e como alguém pode ser o ídolo de alguém... Fiquei pensativa, engoli em seco, agradeci o comentário, mas fiquei a pensar que não fiz nada para merecer que alguém seja meu fã. 

Na verdade, conheço cada vez mais pessoas que trabalham em troca de produtos ou serviços, pessoas que estão mais fora do sistema do que eu, que tentam mudar mais o mundo que eu! A verdade, é que estes últimos meses estão a ser muito transformadores para a minha vida... a verdade é que coloco tudo em questão: as trocas, o dinheiro, a vida em sociedade, a vida em comunidade, porque aqui estamos, para onde vamos, quem somos, porque nos acontecem determinadas coisas na vida, etc etc.

Sinto-me cansada... não propriamente de fazer trocas! Aliás, estou "quase quase quase" no ponto de dizer que estou 100% sustentável com trocas: trabalho no supermercado à troca de alimentos, a pessoa que mora no meu quarto paga as contas das despesas mensais conjuntas, trabalho na CP à troca de passe, um amigo meu responsabiliza-se pelo meu carro durante os meses do Verão porque precisa dele para seu uso próprio... Neste momento só preciso mesmo da horta para estar mais independente e também andar melhor de bicicleta!... Estou mesmo a um passinho pequenininho, né?

Contudo, começo a pensar que era importante estar mais independente em algumas coisas, como na questão do meu carro, da minha casa e eventualmente da alimentação... Gostava quem sabe, um dia de mudar de casa e se continuar a viver assim, dificilmente conseguirei tais coisas... Estou em fase de reformulação da minha vida (novamente)!

Por isso, a palavra "fã" não me caiu muito bem! Mudei de vida, porque assim o senti! Porque o quis... Porque achei que era importante e que estava na hora de dar "um basta" à vida consumista e capitalista que levava! Fiz o projecto porque acredito nele... acredito que um dia todos podemos viver de trocas, de partilhas... que um dia todos teremos uma função que contribui para o todo sem necessitarmos do dinheiro como intermediário! Contudo, esse dia ainda não chegou... está cada vez mais breve, mas ainda não é este ano, para o ano, ou daqui a 10 anos... E por isso, não tenciono fazer trocas, só porque sim... só porque acredito numa vida assim, daqui a 20 ou 30 anos... Bem... isto sou eu a pensar para os meus botões...

Às tantas, o que se passa é que estou cansada... o ano passado foi um ano de mudanças... algumas que estão para ficar... algumas que me fizeram ver como andava enganada na vida que levava... algumas que penso jamais voltar a trocar, porque sou agora uma pessoa mais consciente. O ano passado, foi repentino em tantas dimensões, tomei tantos conhecimentos de coisas que alguma vez imaginei que eram possíveis, conheci tanta gente, fiz tanta coisa diferente... que agora, só sinto, que preciso de parar um pouco... de ter um pouco de férias!!!

A semana passada conheci uma rapariga que inspirada pelo meu projecto, decidiu viver de trocas. Conseguiu uma casa à troca de trabalho diário doméstico e comida numa cozinha comunitária à troca de elaboração de refeições. Reúni-mo-nos para lhe dar umas dicas... dicas de como viver à troca! E fiquei fascinada! Ela é muito mais corajosa do que eu... Quer viver à troca e sem dinheiro nenhum... eu ao menos ainda tinha 1111€! Ela é muito mais à frente!... Como ela disse: "Às vezes dá medo. Dá medo não ter a segurança do dinheiro." E é verdade! Mas a questão é que o dinheiro só nos dá uma segurança ilusória... pois, por exemplo se ficarmos doentes e tivermos dinheiro, podemos pagar o médico... mas se estivermos sozinhos e não conseguirmos chamar o médico, precisamos de amigos ou família, mais do que o dinheiro, para chamar o tal médico! A verdade é que tudo é preciso! Dinheiro, amigos, família, contactos, rede... mas sobretudo, o que precisamos mesmo é de nós... e de acreditar em nós próprios! Só assim o mundo, muda e é passível de ser credível!


segunda-feira, 15 de julho de 2013

... quando os comboios fazem chorar!

Sempre adorei andar de comboio! Quando era mais pequena, especialmente quando ia de Lisboa para o Fundão no regional e quando havia aqueles compartimentos para seis pessoas! :) A minha avó dava-se ao trabalho de levar uma grande marmita, tipo pic nic, para ir picnicando ao longo da viagem. Como era giro! Também levávamos cartas de jogar e passávamos a viagem toda nisto! :) Divertidissimo!!! A minha avó tinha cá uma paciência!!! Ui... 

Outra memória que tenho dos comboios é a estação do Rossio quando eu tinha menos de 6 anos e quando em todos os Carnavais ia vestida a rigor e desfilava por aquele corredor comprido... Adoro a estação do Rossio! Agora ainda mais, porque tem do lado esquerdo (como quem está de frente para Sintra), una azuleijos da fábrica Constância e do autor Lima de Freitas sobre Portugal! Muitíssimos interessantes!

Muitas são as recordações que eu tenho dos comboios e das estações de comboio que fui frequentando ao longo do tempo. O que eu não imaginava é que ia ter, recordações de trabalhar na empresa dos comboios, ou seja, na CP. A verdade é que continuo a trabalhar algumas horas por mês à troca do meu passe mensal e tem sido muito interessante.

Situo-me na estação de Cais do Sodré, estação esta que precisa de mais ajuda na compra dos bilhetes das máquinas, uma vez, que está cheiinha de turistas e por isso, são eles os mais necessitados para conseguirem comprar os bilhetes para a praia... Em dias de praia, as filas são mais que muitas! Portugueses e estrangeiros, há mesmo de tudo... e tudo quer ir apanhar sol! Já me aconteceu estar mais de 2 horas e meia sem parar, a dar indicações para compra dos bilhetes... É uma coisa que não se imagina... parece que sairam todos de uma manifestação e vieram todos ao mesmo tempo! :)

Eu gosto de os ajudar... apesar do meu inglês continuar muito enferrujado, lá o vou treinando e sinto-me útil a ajudar e a desenrascar uma data de vezes... :) Tive outro dia um turista que ficou tão contente de o ter ajudado que só me dizia, gesticulando muito: "Muito obrigado, muito obrigado. Não sei o que seria de mim sem você aqui!!!" Repetindo uma data de vezes... até parecia que me queria dar um beijo na testa!!! :) Ehehehe... 

Este fim-de-semana estive a ajudar a comprar os bilhetes para o Optimus Alive... 7 horas em cada dia a ajudar a comprar bilhetes... meus ricos pezinhos... o que me doeram no final do dia! Mas adiante... hoje pude aperceber-me de como há tanta gente diferente pelo mundo... e tanta gente bonita... e gente simpática... e gente mal disposta... e gente apressada... e gente em paz... e gente e mais gente que até dá vontade de chorar!!! Sim, hoje vieram-me as lágrimas aos olhos uma mão cheia de vezes, pelas pessoas bonitas e simpáticas e com sorrisos genuínos que apanhei! Pessoas que olham de igual para igual e ficam sensibilizadas apenas e só, porque as ajudamos a comprar um mero bilhete de comboio.

Gente de todos os modos e feitios... gente com tatuagens, gente com cabelo cor-de-rosa, gente que leva os netos para ir à praia, gente que usa florzinhas no cabelo tipo musa, gente que sorri, gente que tem phones 24 horas por dia e nem percebeu que eu estava ali ao lado a querer ajudar, gente que estava tão apressada e zangada de ir para o trabalho, que diz: "logo que vi que havia concerto... não há paciência, quer uma pessoa comprar bilhete para trabalhar e vai esta gente para o concerto." Enfim... gente para todos os gostos e feitios!!!

E quanto mais gente conheço... mais gosto dos meus "colegas" da CP! Gente com muita paciência... gente que trabalha há mais de 40 anos no mesmo serviço e que ouve as mesmas pessoas e as mesmas reclamações e os mesmos tipos de pedidos... Mas sobretudo gente mesmo muito simpática que me acolheu e me ajuda sempre com toda a paciência do mundo e com um grande sorriso nos lábios... independentemente das filas, dos maus humores dos clientes ou das greves dos maquinistas.

É um facto: cada vez gosto mais de gente... e de todos os tipos! :)