Hoje fui à loja social da minha freguesia! Uma vez tinha lá ido, para me oferecer para fazer uma feira de trocas aqui na minha freguesia e fui visitar a loja social. Explicaram-me que a loja era só para pessoas carenciadas e que tinham de ser entrevistadas pela assistente social da freguesia. Até aqui tudo bem.
Depois disseram-me que esta entrevista era só para a ajuda de alimentos, uma vez que a roupa podia ser dada a todas as pessoas, porque há roupa a mais! Fiquei contente e triste! Por um lado, pensei que se precisa-se um dia de roupa, poderia lá ir e aí fiquei feliz! Por outro lado, fiquei triste, porque no meio desta crise, ninguém pára de comprar roupa e por isso, há excesso de roupa... Mas adiante!
Hoje voltei lá... Decidi que já que não compro roupa, poderia ir às "compras" na loja social, para mudar um bocadinho o meu guarda-roupa. E então lá fui eu! Apresentei-me e disse que como me haviam dito, a roupa era dada e por isso, queria dar uma vista de olhos para ver se levava alguma coisa. Estavam duas senhoras a atender... Não estavam a fazer nada, apenas a tomar conta da loja e uma respondeu-me: "Mas para levar roupa, tem de ter marcação." E eu respondi: "Mas eu não quero ser atendida pela assistente social, quero mesmo só levar a roupa ou calçado, como me havia dito ser possível." A senhora voltou a responder-me: "Mas mesmo assim, tem de ter marcação."
Fiquei impávida... ora, com tanta roupa e sapatos e sei lá mais o quê que ali há... com duas pessoas a atender que não estavam a fazer nada, apenas e só a atender, para que era preciso marcação!?! E ainda por cima não havia ninguém na loja!!!!
Fui dar uma vista de olhos à roupa e aos sapatos, mas perdi a vontade e para dizer a verdade não havia nada do meu género... mas fiquei a pensar nisto... em como o nosso país entrou nesta onda das marcações, entrevistas e reuniões, de burocracias e procedimentos que nos impedem a todos de lidar e de ser simples e simplificados.
Até para dar... temos de percorrer um caminho longo... cheio de métodos e esquemas, reuniões e entrevistas e sei lá mais o quê!
Fiquei a pensar neste "dar burocrático" e também fiquei a pensar em todo o "dar" que dia-a-dia utilizamos. Como cada vez é mais díficil, dar um abraço, ou um elogio, ou um agrado sincero. Em como mesmo nos relacionamentos, temos de ter sempre esquemas e burocracias e jogos e métodos, de saber se se dá o suficiente e tendo sempre o cuidado de não dar mais da conta, porque não podemos "mostrar o jogo".
Eu não sou assim! Eu dou e dou... ponto final! Quando quero dar, quer seja roupa, sapatos ou amor... é para dar e acabou... não há cá meias medidas... jogos e troca-tintas e coisas complicadas que só fazem o ser humano cada vez ser mais mecanizado e anti-social. E dou e volto a dar...
Só que quem muito dá, muito espera receber... e quem muito dá é exigente na retribuição... Ora bolas... ainda não sou assim tão altruísta como pensava ser.... raios!


