Ultimamente tenho pensado muito em como tenho mudado. Chame-se de transformação, transmutação, mudança ou alteração... o que é facto é que já nem me conheço. Se por um lado isso tem um sentido lindo da vida, de que a vida não pára e devemos estar sempre em constante movimento, por outro lado é assustador quando nos lembramos de quem éramos, do que gostávamos, de quem queríamos ser... e de uma hora para a outra tudo muda!
Hoje, estive com um médico que me disse, no seu ar de entediado pela vida: "Sabe a vida é uma doença e só há um medicamento para ela: a morte!" Fiquei deveras arrepiada! Se por um lado compreendo a comparação feita, por outro lado, não me parece nada que queira morrer para tratar esta minha doença de uma vez por todas.
E esta frase ressoou-me cá dentro... dentro de mim, do meu coração, ou alma, ou mente, ou o que queiram chamar... ressoou-me forte e pus-me a pensar quem sou eu, porque estou aqui, para que serve a vida e tudo isto a que chamamos estar, ser e existir. Mais uma vez, perguntei dentro de mim, se a vida só serve para trabalharmos, muitas vezes em algo que nem gostamos, para depois ter dinheiro, para depois comprar coisas e para depois dormirmos a pensar na quantidade que temos de fazer. Não me parece que seja para isso que se vive! Por outro lado, também não acho que a vida seja para viver ao "Deus dará" tendo prazeres sem fim para ocuparmos ou preenchermos o vazio dentro de nós e fazer com que um dia passe depois do outro e por aí fora. Não cheguei a grandes conclusões neste meu pensamento, mas cheguei a uma: estamos todos aqui, para mantermos a vida o melhor possível, uns para os outros. Estamos aqui, para nos evoluirmos e dar-mos as condições mínimas/médias de vida para vivermos e pelo menos, para vivermos a sorrir. Por isso, estamos aqui, para dar, doar, servir... porque quando servimos ao outro, servimo-nos a nós mesmos.
Todos estes meus pensamentos seriam muito lindos e maravilhosos, se eu estivesse totalmente preenchida e enriquecida com a vida, o que nem por isso é verdade! Já não trabalho o dia inteiro em algo que não me motivava e por isso, não tenho dinheiro e não faço compras. Sendo que na minha anterior vida, fazer compras era sem dúvida a minha principal fonte de prazer. Antigamente tinha como minhas fontes de prazer: comprar, comer e trabalhar. Sendo que neste momento, não compro... como menos (porque estou a fazer dieta e por isso, a não ingerir açúcar) e não trabalho propriamente... surjo neste momento com inquietações do género: "Afinal o que é que me dá prazer?"
Há algo que me dá muito prazer... pegar no carro sem destino e levar a minha cadela, para a praia, para o campo, a visitar a família ou sei lá! Mais um prazer que me ficou cortado, pois neste momento para pagar a prestação do carro, emprestei-o a um amigo e como não tenho dinheiro (e ainda não fiz trocas com uma gasolineira) para o gasóleo, mais um prazer que ficou fechado numa caixinha.
... Eu era muito vaidosa... e se algo não estava bem ou me precisava de sentir melhor, lá ia eu para o shopping, comprar maquilhagem, roupa, vernizes... nem que fosse para preencher aquele vazio momentâneo... Mais um prazer que se foi à vida...
E por isso, agora ando a descobrir novos prazeres... e essa descoberta é uma coisa tão cá de dentro, que por vezes tem amarras tão fortes e que não me deixam perceber afinal onde está o prazer da vida... Bem sei, que é nos abraços, na música, nos sentimentos, nos amigos, nos mimos, nos meus animais de estimação, no céu estrelado... eu sei lá! Sei tudo isso... mas acontece que me sinto a voltar às origens, por opção própria bem sei, mas de uma forma mais rápida e acelerada do que tinha alguma vez imaginado...
Não está fácil... não é fácil... mas como costumo dizer: "Hoje estou melhor que ontem e amanhã estarei melhor que hoje."



