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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Comunidade 9 - Ilha Paraíso

Na Serra do Marvão, perto de Castelo de Vide, vive a 9.ª comunidade com quem escolhi viver uma semana à troca. Habituados a receber visitantes, sobretudo estrangeiros, sou eu que agora vou experienciar esta semana com diversos desafios, que talvez ainda não tenha experimentado em nenhuma das outras 8 comunidades onde já vivi.


Nesta comunidade, vive uma família, constituída pelo pai, 3 filhos e 6 filhas e um rapaz que não sendo da família ajuda nas lides da quinta. A família de origem alemã mudou-se há mais de 20 anos para Portugal, onde agora reside.

Escolhi esta comunidade por 3 motivos: são quase totalmente sustentáveis, são totalmente crudíveros e dormem ao relento, ou seja, sem ser dentro de uma casa.

...

Cheguei, o tempo está óptimo... nem muito calor nem muito frio. Almocei com a família e comi coisas super diferentes para mim: cactos às tirinhas, salada de batata, pão cru secado ao sol, entre outras coisas, que essas já são minhas conhecidas, como a bela da salada de tomate e a salada de pepino.

Depois do almoço, fui com o patriarca da família conhecer o espaço da quinta: vários quartos espalhados pelo espaço, a casa onde são feitas muitas das coisas que se comem (azeite, queijo, vegetais lacteo-salgados, vinho, entre outros), o sistema de duche e as casas-de-banho, o espaço das refeições com o palco de música, a zona da mula e da vaca, entre outras coisas. Perto da quinta, a menos de 400 metros, existe uma casa que a família também põe ao dispor para pessoas que não queiram viver ao relento e que necessitem das comodidades de uma casa “normal”, com cozinha, casa-de-banho, quarto, sala, etc.

De tarefas, hoje aprendi a fazer os tais vegetais lacteo-salgados, que neste caso foram feitos com feijão verde cortado ao pedacinhos e depois com muito sal, colocados em frascos bem selados para que o sabor vá amadurecendo à medida que os anos passam, sendo conservados com o líquido do próprio feijão verde. Segundo o patriarca, que me ensinou a fazer isto, ele diz que esta conserva pode durar mais de 10 anos e pode fazer-se com muitos vegetais diferentes.

No fim do dia, dei de comer às galinhas, ou seja, ralei um bocado de courgette e deitei no chão, onde felizes e contentes foram logo depenicar as tirinhas das cougettes. É importante dizer que as galinhas e galos andam sempre à solta. Sempre!!! São muito lindas... lindas mesmo! Têm umas penas lindas, coloridas e sedosas, como eu nunca vi. Há aqui um galo, que parece mesmo um galo de revista, tem um brilho que nem dá para explicar, lindo mesmo! Por causa desta situação, a minha cadela vai ter de ficar perto do local onde vou dormir, porque como já vos expliquei num anterior post a relação da minha cadela com as galinhas não é de longe das melhores. Foi engraçado ver ao final do dia, à hora do pôr-do-sol, quando as galinhas começaram a subir às árvores para dormirem. Nunca tinha visto galinhas a dormir nas árvores e digo-vos que é mesmo muito engraçado! Parecem pássaros gigantes a pernoitarem nos troncos!

Ao jantar, comi um wrap de couve. Eu explico, numa folha de couve coloquei tudo o que quis: tomate, pepino, manjericão, cebola, cenoura e depois enrolei tudo e fiz um wrap! Muito bom! Para sobremesa, comi uns frutos roxos e outros amarelos, dos cactos espalhados pela quinta. Aliás, esta quinta o que tem mais é cactos. E os frutos são deliciosos. Devem contudo, comer-se com garfo e colher para que os picos externos não nos piquem em parte nenhuma. E bem, eu bem que fui avisada, mas tive logo a minha praxe de caloira e fiquei com dois picos na boca: um no céu da boca e outro na língua. Eheheheh... só visto! Contudo, rapidamente os picos saíram e eu pude ir descansar para o meu quarto ao relento...

Bem, será a minha primeira noite ao relento, contudo, o facto de trazer a Azeitona, conforta-me porque seguramente ela dará sinal se algum bicho que se aproximar... Já me falaram que há raposas, torrões e outros bichos que não conheço e prefiro não conhecer pessoalmente, para ter uma noite descansada! Mas também já sei que posso "pedir" ajuda a uma hora qualquer da noite, se algo me acontecer... ou se aparecer algum bicho menos desejado. Por isso, entregaram-me uma flauta cor-de-rosa com um livrinho de música, assim, posso aprender a tocar ou então, apitar na flauta a alto e bom som, se algum animal desconhecido se aproximar do local da minha dormida... :)

Bem... se quiserem saber mais onde estou e por onde ando, aproveitem e vejam a reportagem que fizeram há uns anos a esta família, constituída por 2 partes! J


sábado, 25 de agosto de 2012

Último dia a "reggaer"!

O meu último dia na Fonte Longa, como não poderia deixar de ser foi inesquecível... A nível de trabalho, fui despedir-me dos meus amigos “Feijões Frades” que me acompanharam nesta semana e por isso, fui apanhar mais uns e depois fui novamente debulhá-los. Só vos sei dizer que para 2 ou 3 kilos só neste procedimento foram necessárias umas 6h de trabalho, pelo menos. É incrivel como a agricultura é realmente feita de tempo e de dedicação.

Tal como eu, também o resto da malta foi às suas vidinhas, concertos e outros que tais e por isso, passei o dia com a matriarca da família. Tive direito a um almocinho maravilhoso: batata cozida, feijão verde cozido, salada de tomate com muito azeite e óregãos e soja no forno com a deliciosa abóbora. Divinal... E pela primeira vez, comi comida portuguesa com pauzinhos (chineses). Eu explico. Já tenho visto várias pessoas a comer a comida “normal” com pauzinhos chineses e muitas das vezes perguntei porquê. Umas responderam-me que tinha a ver com a alimentação macrobiótica, outras que é mais interessante comer com objectos de madeira do que de ferro ou aço e por aqui, quando perguntei, a matriarca disse-me que no caso dela foi para “se obrigar” a comer mais devagar, logo a mastigar mais e assim, a fazer melhor a digestão. Adorei a explicação e por isso, acho que vou tentar começar a comer com pauzinhos chineses também, porque eu sou mesmo uma apressada a comer. E pronto, hoje foi o meu primeiro dia! E não me portei nada mal... Claro que o almoço demorou mais do que o normal, mas o culpado nem foi o coitado do pauzinho e sim, as conversas mil que tivemos ao almoço... e foi tãooooooooooooo bom! A minha vontade de ir embora era mesmo NULA! Quanto mais conversava, mais gostava de ficar, de partilhar, de sonhar em conjunto. Foi mesmo fantástico, assim a modos que “UNO”. Senti-me em casa mais uma vez e sei que aquela casa, naquela aldeia, com aquela pessoa vai ficar no fundinho do meu coração... para sempre!

Nas despedidas, um longo abraço e uma recomendação me foi feita: “E continua a ouvir reggae”. Claro que sim!”, disse eu, afinal acho que o Reggae sempre me esteve no sangue, dentro do coração... e não é ao calhas que o continente Africano se parece com um coração, já repararam?!?!!... Acho que todos pertencemos de certa forma, a ele.

Vim-me embora, com um travo na garganta, com uma lágrima no canto do olho, enquanto olhava para o espelho retrovisor e via esta minha nova “mana” a acenar-me até eu desaparecer. (Adoro quando isso acontece... Eu sempre fiz isso nas despedidas, fico até ao finzinho. Sabem quando nos despedimos de alguém, na estação do comboio e fica lá sempre alguém a acenar para um comboio minúsculo que já está a um kilómetro de distância?! Pois, se virem alguém assim, sou eu, que fico mesmo até às últimas.)

No caminho dei por mim a sorrir, mas com uma lágrima no olho, de como esta coisa de mudar de vida me fez um bem imenso, gigante do tamanho do mundo, nem que seja apenas e só pelas pessoas maravilhosas que venho conhecendo. Pelo caminho, tive de passar pela Lousã... a bela da Serra onde um dia tive e não lhe dei valor algum. E por isso, hoje vim fazer as pazes com ela. Sentei-me ao pé do Castelo da Nossa Senhora da Piedade e escrevi o post de hoje com uma paisagem linda sobre a serra ao som do cd Legend do Bob Marley! Verdadeiramente “Satisfy my soul”... 

























Peace and Love! http://www.youtube.com/watch?v=4N1da_7yvQA

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Por detrás de uma grande FAMILY há sempre uma grande mulher

Como os meus conhecimentos de agricultura não são por ali além e como de facto, uma semana é pouco tempo para aprender a quantidade de coisas que haveria aqui para aprender, onde pude ser mais participativa, foi nas tarefas de casa. Dobrar roupa, estender roupa, varrer, pôr a mesa, ajudar a fazer as refeições foram as tarefas mais frequentes que fui fazendo nesta comunidade, além de debulhar (as saudades que eu tinha em usar este termo) catrefadas de feijões frade! Mas soube-me muito bem, debulhá-los. Sentadinha debaixo da minha amiga nespreira, resguardada do calor, a tarefa de os debulhar foi apesar de longa, muito fácil de ser concretizada. 

Das outras tarefas, como por exemplo, dobrar roupa, tenho-vos a dizer que acho que nunca gostei tanto de dobrar roupa na vida! Além de não saber que montinhos fazer, porque não conheço a roupa de quem é de quem, limitei-me a fazer montinhos por tipologia de roupa: homem ou mulher, roupa de cama ou cozinha ou vários. Lá me safei. "Mas porque gostei tanto de dobrar a roupa?" Perguntam vocês. E perguntam muito bem. Porque estive todo o tempo da dobragem a ouvir o cd Legend do Bob Marley e quando dei por mim, sozinha na sala a dobrar a roupa e aos pulinhos, toda feliz da vida, pensei: "Opah, um dia quero mesmo ter um filme da minha vida... isto tem piada! Eheheh..." A música que me fez mesmo saltar com os pés no ar, foi a "Three little birds” http://www.youtube.com/watch?v=zaGUr6wzyT8 e só depois de ver a tradução da letra, percebi como é bonita! Aliás, como todas são bonitas! 

Outra das tarefas, que gostei muito de fazer, foi estender roupa. E perguntam novamente vocês: "Porquê?!" Ora, porque estendi no sítio onde sonho um dia ter as minhas cordas para estender a minha roupa, no meio do campo, em cima de um relvado, com tanta corda que não seja necessário estar a "fazer ginástica" para caberem nas cordas todas as peças de roupa de uma máquina e ficando todas sobrepostas porque não há espaço. Pois é, eu adoro mesmo a ideia de ter cordas infindáveis de roupa, em cima de relva, para que, se possível, possa andar descalça com um vestido flutuante branco a estender a dita da roupa. E não me perguntem porquê esta visualização, porque também não sei bem... talvez de algum anúncio do Skip ou do OMO que tenha visto em miúda, onde a roupa mais branca não podia ser!

Hoje fiquei a conhecer um pouco melhor, alguns elementos do grupo, pois no total, hoje ao jantar éramos 4 elementos, sendo que um deles já não colabora no grupo, mas colabora na família. É cada vez mais interessante conhecê-los e sem dúvida são pessoas espectaculares. Um dia hei-de ir vê-los ao vivo! Ou pelo menos ver um ensaio, como ficou "mais ou menos prometido", no estúdio cá de casa. Também devia ser muito giro ver esta banda, no passado, quando os filhos eram pequenos, desde os 6 anos por aí fora. Devia ser bonito de se ver. “Não é preciso que seja bonito, tem de ser bom também”, diria um dos membros da banda, no que diz respeito à qualidade do grupo. Não tinha só de ser bonito por serem crianças e giros e tal... o trabalho também tinha de ser bom, de boa qualidade, porque isso é que seria o cerne da questão. :)

Mas de todas as pessoas do grupo, tenho de vos falar da matriarca da família que põe tudo isto a mexer, pelo menos no que diz respeito à quinta e à agricultura biológica que aqui se faz. Esta mulher é um verdadeiro espanto!!! Fiquei maravilhada em conhecê-la, apesar de ser tão pouco tempo. Ela faz tudo de tudo: trata dos animais, cuida da quinta, faz tofu, seitam, pão, queijo, iogurte, trabalhos em lã (como cintos, malas, gorros, botinhas, etc), bijuteria, entre outros. Ou seja, esta mulher não pára! É uma formiguinha que não se cansa de um lado para o outro, com uma genica tal que põe tudo a andar num instantinho. A comida aparece feita por magia, as plantas florescem belas e formosas, os alimentos têm um sabor maravilhoso, as conversas  são actuais e fantásticas... Enfim, às vezes parece que estou a falar com um misto da minha avó, com a minha melhor amiga ou com a minha madrinha, mas tudo numa só pessoa! É assim a vida... é nestas coisas da vida, de trocas e baldrocas e de comunidades onde se troca o trabalho por comida e dormida, que também se troca afectos e atenção e um carinho profundo que julgo que ficará para sempre. É assim... senti! Não sei explicar... estas coisas não se sentem, quando nos sentimos em casa! Mesmo em casa!


Dedicado a ela, à mulher sempre em andamento, aqui vai: http://www.youtube.com/watch?v=hocWfu-v3Mg

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Aldeia (quase) sustentável

Estou maravilhada com esta comunidade. Além do trabalho se ir fazendo ao som de música, a comida ser biológica e mais do que maravilhosa, a casa me fazer lembrar que estou mesmo "em casa" e mais do que isso, que estou na casa da minha avó e o pessoal ser super simpático... tenho a dizer-vos que esta aldeia podia perfeitamente ser uma das primeiras aldeias sustentáveis em Portugal. Tem tudo para ser feliz! Começa pela maravilha que é, os vizinhos se darem todos bem e se ajudarem todos uns aos outros, o que é sem dúvida, fantástico. Diariamente, é vê-los a entregarem comida uns aos outros, para provarem os tomates ou as meloas que saíram muito boas este ano e que como há a mais, antes que se estrague, é distribuir pela vizinhança. Ou então, as vagens de soja "gourmet", cozinhadas levemente, para se irem trincando antes do almoço... Bem... só pitéus!

Moram cerca de 15 famílias, sendo que uma ou outra só vai à aldeia para passar fins-de-semana ou férias. Depois temos, além desta família de Reggae; uma vizinha com uma vaca que disponibiliza à vizinhança, leite para se fazer iogurte; uma vizinha com um bode que está sempre ao dispor da aldeia para engravidar as cabras da redondeza, afim de haver sempre cabrinhas e leite fresquinho para fazer queijo; uma família inglesa que aluga um espaço para turismo muito giro (ver mais em http://www.goglampinginportugal.com/) e além do mais, empresta a palavra passe ou o seu computador a toda a gente, porque é a única casa com internet, onde também eu actualizo o meu blog; uma casa com 3 rapazes que gerem um negócio de agricultura biológica.

Estes vizinhos que fazem agricultura biológica, partilham muitas coisas com a família reggae, por exemplo: terrenos com plantações de soja, elaboração do pão e até um pequeno lago que tem água de uma nascente que serve para regar as plantações, mas também para dar um mergulhinho, caso queiramos ter por companhia, enguias! Eeheheh... Hoje o dia, foi destinado a limpar o lago, retirando uma data de terra que ele tinha a mais, para que se consiga ter água mais limpa, tanto para as regas, como para as banhocas. E assim foi, o dia, hoje foi dedicado a encher baldes com terra que nunca mais acabava e deslocando essa terra para um campo, onde futuramente se há-de plantar outras coisas fantásticas.

Além do mais, a aldeia, de seu nome Fonte Longa, tem uma fonte, como não poderia deixar de ser, que neste momento não está muito longa, porque secou, mas quando está em ordem, há água "verdadeira" para todo o pessoal consumir. Toda a gente usa essa água maravilhosa para beber, mas também para cozinhar. Hummmmmm... que bom!

Este pequeno pedaço perto da Serra da Lousã, tem tudo: boa gente, boa música, bons campos, boa comida, bom ar, boa água, bom coração... é um must!

Acho que só se cá ficasse 1 ano, aprenderia tudo o que há para aprender... porque aqui tudo é feito: o seitam, o tofu, o queijo de cabra com as flores dos cardos, o pão, o azeite, o doce de maçã fresquinho, as camisolas de lã, a bijuteria, as garrafas de vidro com trapilho, as pegas de croché, a roupa feita na máquina de costura... enfim, TUDO se faz por aqui! Um dia, quando me decidir a morar numa aldeia (talvez num futuro, quem sabe?) sei que terei de aqui voltar para aprender tudo, escrever tudo, fotografar tudo, porque aqui, sabe-se tudo! :)

Se quiserem vir ajudar esta comunidade, podem fazê-lo através de Wwooffing. O WWOOF que quer dizer "World Wide Opportunities on Organic Farms", é um site com muitas quintas, a nível nacional mas também internacional, onde se pode trabalhar entre 6/8h por dia em troca de comida e alojamento. Assim vai-se aprendendo e trabalhando. E aqui, garanto-vos, aprenderão muito mesmo! Segue o link do WWOOF da Fonte Longa, desta família Reggae: http://www.wwoof.pt/pt/quintas/home/fonte-longa/

E mais um reggae para o pessoal, como não poderia deixar de ser!!! :) http://www.youtube.com/watch?v=rLbvsJZAD4U

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dia-a-dia: Não é magia, é a Natureza!


O meu dia-a-dia nesta comunidade é mais ou menos, dentro do horário que vos coloco de seguida:
8h/8h30 - Acordar
8h30 - Tomar o pequeno-almoço: um fantástico pão com 3 cereais, que são plantados na quinta, depois são moidos num moleiro e por fim, feitos no forno a lenha da quinta. O pão acompanha com o molho mais fantástico que já comi, à base de azeite e sementes várias, que pode ser acompanhado com tomate e cebola. Fantástico! Às vezes, também como, um doce de maçã que está fresquinho no frigorífico e é bom demais!
9h - Trabalho da manhã
13h - Almoço: com base vegetariana, com legumes a saber a legumes, saladas, leguminosas, entre outras iguarias sempre acompanhadas pelo delicioso azeite confeccionado com as azeitonas da quinta
14h - Descanso do pessoal, para uma sesta ou simplesmente para descansar do calor que se faz. Geralmente aproveito a pausa, para dormir encostada à minha cadela debaixo da Nespreira que me dá sombra na tenda, pois na tenda, a esta hora está um calor desgraçado. Sabe tão bem, esta sesta, que nem vos digo nem vos conto! Revitalizante!
17h - Trabalho da tarde
20h/21h - Preparar o jantar, tomar banho, entre outros
21h/22h - Jantar, similar ao almoço
22h/23h - Recolher... é bom deitar cedo e cedo erguer, porque amanhã o meu amigo galo não se esquece quando tocam as 6 badaladas, na igreja mais perto aqui da aldeia... eheheh...

Hoje o meu trabalho foi apanhar mais feijão frade, descascá-lo e ajudar a fazer o jantar! Uma fantástica iguaria com uma leguminosa que não conhecia, chamada de Xixara. Muito bom! Foi cozida com uma abóbora muito docinha e temperada com azeite, alho e salsa... uma maravilha.

O dia foi finalizado por dois momentos únicos, facultados por dois vizinhos: soja gourmet e uma fogueira ao som de música de percursão tocada ao vivo e a cores.

Perto da casa desta família, há uma outra casa, onde moram 3 rapazes, 2 que se dedicam à agricultura biológica e 1 que é músico. Acabaram a licenciatura em Agricultura Biológica na Universidade de Coimbra e lançaram-se ao (des)conhecido por campos e quintas para produzir o seu próprio negócio: agricultura biológica. Hoje provei uma das coisinhas deles, que é bem saborosa: soja verde em vagem, levemente cozida. Segundo eles, esta soja feita desta forma é considerada de gourmet, porque geralmente a soja é comida depois de estar em grão, ou seja, já seca. Desta vez, cozeu-se levemente as vagens e trincou-se cada uma das vagens como se de caramão se tratasse... bem bom!

No final do dia, os mesmos vizinhos convidaram-nos para beber um chá e estar à volta da fogueira. Uma fogueira que eles próprios fizeram no espaço exterior da casa, com um tronco de figueira que deu um lume lindo... lindo e quente, pois aqueceu bem o frio da noite que se fez. Contudo, ouvi dizer que o lume mais bonito que se pode ver é o dos troncos das larangeiras. E eu que julgava que os lumes eram todos iguais. Pois, parece que não... tudo tem um “segredo”.

E para acabar, tenho mesmo de vos explicar o nome do post de hoje. Estava eu a descascar os últimos feijões-frades, quando uma criança que também aqui chegou com o seu pai, voluntário, começou a descascar feijões comigo. E eu disse-lhe: “Olha, sabes, um feijão destes, se meteres na terra e fores deitando água, faz nascer todos estes feijões do balde. É fantástico, não é?” Ela sorriu e disse-me: “A sério? Isso é magia.” E eu respondi: “Sim, é magia.” Um outro voluntário que ouvia a nossa conversa de forma silenciosa, disse: “Não, não é magia. É a natureza. É natural.” Pois.... fiquei a pensar naquilo... A natureza é magica e a magia é ser-se natural. Simples... 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Perdoo o galo porque os ovos são fantásticos


A minha tenda, como vos tinha dito ontem estaria fantasticamente posicionada, não fosse um pequeno pormenor: o galo. Ora bem, o galo não tem problema nenhum e até dá algum jeito para fecundar as galinhas e podermos ter os ovos amarelinhos e saborosos que hoje comi, contudo, este galo podia cantarolar um bocadinho mais baixinho ou pelo menos acordar mais tarde. Ah pois é, a minha hora de acordar que hoje era às 7h20 e foi alterada pelo senhor Galo com o seu córocóco às 6h30. Não há condições! Como se não bastasse ainda se pôs a dialogar com um amigo galo de outra capoeira vizinha e não houve sossego até à hora que tinha definido para eu acordar. Por isso, começo a perceber que na melhor das hipóteses vou acordar diariamente às 6h30 o que sei dúvida, não é propriamente a coisa que tenho mais vontade que aconteça nestes dias. (Acabou de me cair uma caganita de pássaro em cima do teclado, uma vez que estou a escrever o meu post de hoje debaixo da dita nespreira por cima da minha tenda. Que está fresquinho está, mas acontecem estes incidentes curiosos. Lol...)

Hoje o meu traalho do dia foi foi descascar feijão frade! Eu adoro feijão frade, mas geralmente, o feijão frade mais usual que conheço é o de lata, o de frasco, que já vem cozinho e com um molho a modos que estranho. Pois é, não sabia que esta coisa do feijão dava tanto trabalho e fazia doer tanto as unhas ao se abrir a vagem. E imaginem, eu só fiz essa parte... faltou a parte do semear, regar, colher, secar... enfim... (Aproveito e deixo aqui uma foto do feijão descascado, da vagem com feijões e de uma lagartinha verde muito linda que encontrei numa vagem. Foi a única, mas era tão linda que não me contive para tirar uma fotinha. Pena que a minha máquina não seja grande coisa a focar e por isso, não se perceba muito bem, como era linda!... Será no futuro uma borboleta azul? Ou verde?) Começo cada vez mais a pensar como é que as coisas têm o valor que têm quando as compramos, se o trabalho que se tem é tão grande, parecendo que sem dúvida deixa de ser compensatório. A vida da cidade pode não parecer fácil, porque é desgastante e tal... mas sem dúvida, temos as coisas tão facilitadas como um mero abrir de latas, ou desenroscar de frascos. Por outro lado, temos comida sem sabor, com químicos, com sementes controladas, com comida que deixou de ter comida e que passou a ter “petróleo”. Pois é, fiquei parva, mas li no livro do “Dormir Nú é ecológico” que a maior parte das coisas que comemos e que têm aquele aspecto lindo e plastificado, como gomas, hamburgueres e batatas fritas, bolos, etc, têm derivados de petróleo para terem sempre essa aparência “juvenil”. Bem... só de pensar até me deu agonia!

O que não me deu agonia, antes pelo contrário, foi o almoço de hoje, com todos, volto a sublinhar, TODOS os alimentos da quinta. Ora vejamos o prato do dia: batatas cozidas com azeite, alho e salsa; cebolada de courgettes, cenouras salteadas com sementes; salada de tomate, pepino e rúcula; ovos cozidos; feijão verde com alho e azeite e maionese! Há pois é, a maionese foi feita na hora e foi de longe das maioneses mais fantásticas que comi!!! J O azeite também é feito com as azeitonas da quinta e o pão, que julguei ser “comprado” a uma vizinha é feito no forno a lenha com os cereais plantados também na quinta. Não acham o máximo? Eu achei e amei! Pela primeira vez estou numa comunidade que é quase totalmente sustentável a nível alimentar. Talvez o sal tenha sido comprado... Não sei!... J

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Comunidade 8 - One Love Family


A oitava comunidade fica perto de Vila Nova de Poiares e é constítuida essencialmente por uma família de músicos de Reggae, denominada de “One Love Family”. (Ver no facebook https://www.facebook.com/pages/One-Love-Family/156920654328369?ref=ts) Quando soube da existência dela, achei que não podia de a deixar de conhecer, pois o reggae já esteve presente na minha vida de forma intensa, mas passageira e sempre tive muito interesse em saber mais sobre ele. Achei que era imperdível a minha passagem por aqui, além do mais porque segundo ouvi dizer a família vive numa quinta quase sustentável ao nível alimentar, proveniente da agricultura.

Na página do facebook do grupo, “One Love Family” a frase que os descreve, diz: "Ao acreditarmos na humanidade como uma grande família seremos menos egoístas e mais livres."

É interessante, como cada vez mais pessoas tão diferentes e longíquas falam dos mesmos assuntos e acreditam nas mesmas coisas: todos somos um! Todos somos uma grande família! É fantástico apercebermo-nos que cada vez mais o Mundo está finalmente a criar um ponto de convergência e que não interessa a filosofia de vida, os gostos, os interesses, os estilos, porque afinal somos todos um só e aí somos todos iguais!

Cheguei a esta comunidade à hora do almoço e fui logo abençoada com uma comidinha caseira mais que boa que só me faz lembrar a comida que a minha avó fazia: azeite caseiro, alimentos a saber a alimentos, confecção ao lume, água fresca da fonte, fruta muito doce... Humm... a verdadeira comida!

Da parte da tarde, fui tratar dos meus pertences, da minha tenda, colchão, mala e afins para me instalar confortavelmente no terreno desta comunidade, debaixo de uma nespreira linda e enorme e ao lado do galinheiro e da casa das cabrinhas. (Como podem ver na foto do post de hoje, onde só se vê a copa frondosa desta árvore.) À sombrinha e bem resguardado do vento, o sítio da minha tenda é fantástico para partilhar com a minha cadela, que mais uma vez, se “passa” completamente com os galináceos... mas pronto, há que aguentar a coisa! J

Hoje execpcionalmente, o pessoal da parte da tarde foi dar um mergulho ao rio numa localidade próxima, Serpins, porque o calor que se fazia era mais que muito. A zona era linda, cuidada, com condições muito interessantes, até tinha areia e um relvado com muitas sombras dadas pelas copas das árvores. Muito bom!
No final do dia fomos visitar as cabrinhas que nasceram há um mês e que são pertença da vizinha. São tão lindas e eléctricas! Quando as soltaram davam pulos e pulos de contentes que estavam e eu só me lembrava da Heidi... Ele há coisas!!! Eeheheh...

Um bom dia para começar em beleza este primeiro dia da comunidade: boa comida, descanso, gente simpática e muita música de fundo! Ah pois é, em casa de músicos, a música é uma constante e por isso, todos os dias somos privilegiados com uma musiquinha reggae para acompanhar os trabalhos ou pelo menos a confecção das refeições. Muito bom! O som de reggae embalá-nos de uma forma tão encantadora nas actividades que há a fazer, que as coisas até se fazem mais rapidamente do que de costume. Bem, não vos sei dizer o que ouvi durante a noite, pois ainda não conheço os grupos musicais, mas acho que no final desta semana, hei-de conhecer alguma coisa e depois posto aqui uma musiquinha. Por hoje, deixo-vos uma entrevista que fizeram há uns anos a esta comunidade e que foi a forma como eu os conheci.

Boas inspirações para vocês com o reggae no coração!


 http://www.youtube.com/watch?v=pdUdHoOMuc8

domingo, 19 de agosto de 2012

Dias trocados

A minha vida tem sido tão diferente e com mudanças tão repentinas, que eu nem sei muito bem o que é rotina, normalidade, casa ou vida! Bem, vida é tudo isto e nada disto... O que quero dizer é que a única coisa que sei neste momento é para as comunidades que vou. Agora quando vou, o que vou fazer entre as comunidades, como vou lá chegar, o que lá vou fazer nelas, etc... Nunca sei... não sei nada de nada! Saídinha do Fojo julgava que ia directamente para a 8.ª comunidade, mas nada disso... optei por descansar dois dias na casa da tal minha amiga, na Casa Raíz em Avecasta, que já aqui tinha falado e que volto a falar... porque isto é mesmo um descanso para a alma! (Ver mais em: https://www.facebook.com/pages/Casa-Raiz-Guest-House/222880011107886)

Hoje o dia foi de puro descanso... comidinha maravilhosa ao ar livre, internet para actualizar as minhas publicações no blog, leitura do meu livro, ida a um rio lindo chamado Rio Nabão na Nossa Senhora das Lapas, uma sesta da parte da tarde, etc etc.... só coisas para confortar a alma e o corpo do cansaço físico que venho a sentir.

E porque vos digo que os meus dias estão todos trocados, como se de vidas diferentes se tratassem? Ora vejamos as diferenças entre locais onde vou habitando:
. Num local sem electricidade, passo para umas torradinhas com manteiga, a sair da torradeira
. Num local onde durmo na tenda de campismo partilhada com a minha cadela, cheia de pêlos e folhas e terra, passo para uma cama com lençóis lavados num quarto que tem quatro vezes o tamanho da minha tenda
. Num local onde há um tanque onde se lava a roupa à mão, passo para roupa lavada na máquina de lavar com um detergente muito cheiroso
. Num local onde bebo água de uma fonte maravilhosa (porque a verdade é que não quis beber o vinho maravilhoso que por lá havia) bebo sangria de champanhe com amoras 
. Num local onde lavo os dentes com pasta de pó de argila, passo para a pasta de dentes com sabor a mentol
. Num local onde vejo um céu lindo e maravilhoso cheio de estrelas, passo para um pôr-do-sol vermelho com nuvens desenhadas no ar

Não consigo dizer que um sítio é melhor que o outro... um onde me sinto melhor do que o outro. Nada disso. Não é isso que se prende nesta minha associação de ideias, mas sim, de que a minha vida muda em fracções de segundos de um oposto para outro, como se fossem vidas diferentes. E eu gosto! Gosto da mesma forma da água da fonte fresquinha e com um sabor verdadeiro a água e ao mesmo tempo adoro a sangria de champanhe... finíssimo! Gosto de dormir no meio do campo e abrir o fecho éclair da porta da minha tenda e conseguir ver as estrelas deitada no meu colchão de ar, mas também gosto de abrir a janela do quarto e ver as borboletas na rua... E gosto de andar descalça no chão de tijoleira, mas também no meio da terra e das pedrinhas, ainda que não esteja totalmente habituada! E gosto de tudo... e gosto do melhor dos dois mundos... e sinto-me pertencente aos dois.. e sinto-me bem e una com tudo e com todos... (Bem, tem dias... há dias e dias, claro!)

... E para finalizar este dia de descanso do guerreiro, quero partilhar convosco um parágrafo que li, do livro do "Dormi nu é ecológico" onde me revejo até ao tutano... aqui vai:

"Antigamente ficava ansiosa com as coisas que tinha de fazer, as lojas a que tinha de ir, as pessoas com quem tinha de me encontrar, os produtos que tinha de comprar, as ementas que tinha de elaborar e por aí adiante. Agora sei que um frigorífico vazio não se traduz num estômago vazio, nem tão pouco uma carteira vazia significa armário vazio - na verdade, quanto menos coisas tiver na minha vida, mais preenchida me sinto, o que pode parecer budista e forçado, mas nem por isso deixa de ser verdade." (Vanessa Farquharson)



sábado, 18 de agosto de 2012

Andresa num Salgueiro

Hoje foi o último dia no Fojo! E foi um dia recheadíssimo até ao tutano. Aliás, todos os dias, o foram! Sendo o dia de folga, de manhã dormiu-se até tarde... que bom! Contudo, não sei se pela força do hábito, abri os olhitos às 7h da matina. Mas rapidamente os fechei até às 10h. Que maravilha! A manhã passou-se a lavar a milhenta loiça do jantar de ontem, a fazer o almoço de hoje e a aprender a fazer pão que foi cozido no forno a lenha. Fabulástico! Fez-se diversos pães, sendo que alguns tiveram direito a chouriço e outros, vegetarianos, foram guarnecidos com passas, nozes, sementes de sésamo e de abóbora... maravilhosos! Depois foi comê-los ainda quentinhos com o fantástico azeite, sabor ovo estrelado, que já vos falei por aqui!

O almoço foi tardio... entre conversas e risos, gargalhadas e sorrisos, tirámos uma foto de grupo (ver o post) onde só faltava uma das crianças que nesse momento estava a brincar com uns amigos. No final da semana já éramos 10 adultos, 2 crianças e 2 cães! Aqui nesta comunidade é uma fartura de gente! Muito bom!!!

Da parte da tarde, fomos todos a Dornes... aquele sítio é lindo, a água é fantástica e até houve uma sombrinha debaixo do meu "primo" Salgueiro onde fui lendo mais uns capítulos do meu fantástico livro "Dormir nú é ecológico". A tarde foi bem passada e no final do dia, no momento das despedidas, senti-me mesmo a despedir-me de uma família. Foi tão bom!!! Abraços sentidos, sorrisos no rosto, vontade de ficar e de ir e de voltar... pessoas de verdade, pessoas genuínas! Eu bem que sei agora as semanas no Fojo vão ficar mais sossegadas, sem a minha voz estridente, mas pronto, o Fojo nunca mais será o mesmo, depois da minha "bagunça-positiva"... ehehehe... Brincadeirinha!

Aproveitei estes dois dias de interregno, na ida para a minha oitava comunidade, para descansar um pouco na casa Guest-House, em Avecasta, que também já por aqui falei. Vim passar uns diazitos, descansar, fazer uma pausa, porque esta "coisa" de viver no campo, para quem não está habituada, é dose!!!

E pronto, foi um dia muito agradável, que findou a jogar ao Diciopinta! Sabem o que é? É um jogo de tabuleiro em que temos de fazer desenhos de palavras que saem em cartõezinhos, para que os nossos colegas de equipa adivinhem. E pronto, tenho mesmo de vos contar a melhor do jogo... eheheh... Vejam a imagem que coloco aqui no post e vejam lá qual é que acham que era a palavra... Vá lá... é tão fácil... está tão bem desenhado... já adivinharam? Eheheheh... Pois eu explico. A palavra é: catecismo, que é o livro da catequese. Já perceberam agora... ? E se não sabem o que é aquele desenho que parece um fantasminha, versão caneca das caldas, eu explico é alguém a rezar... Aahaahahah... Epah não fui eu que desenhei, mas não aguentei em não partilhar isto convosco, porque foi gargalhada geral... Muito bom!!!!!!!!!! Aahahahah... 

A musiquinha que hoje foi mais ouvida, aos altos berros no meu carro, a caminho da Casa Raíz de Avecasta!!! :) http://www.youtube.com/watch?v=5mTlDd8huy4


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Com o pilão na mão e o Fojo no coração


Hoje o dia foi longoooooooooo! Da parte da manhã, estivemos a acabar o caminho em pedra pequenina e branca, que eu já tinha falado há uns tempos, como denominado: “O caminho da paz”. A tarefa prendeu-se com fazer uns socalcos na encosta, para que em tempos de chuva, a pedra não fosse escorregando por aí a fora. Depois dos socalcos feitos, foi colocada a tal pedrinha nos mesmos, sendo que depois foi colocada essa mesma pedrinha em toda a encosta, de forma similar. Esta pedrinha, chama-se “Tubnan”, ou seja, esta palavra toda xpto, quer dizer todos os restos de pedrinhas e pózinho, que sobram quando se corta a pedra. No fim de todas as pedrinhas estarem distríbuidas é hora de pisar com o pilão para que as pedras fiquem todas juntinhas e presas ao chão. E pronto, lá me pûs eu com o pilão na mão, rampa acima, rampa abaixo para que as pedrinhas ficassem todas juntinhas e bem presas ao chão. Uma verdadeira odisseia, que só assim foi, porque estava uma calorada! ;)

Da parte da tarde, o trabalho foi colocar as juntas de cimento/areia/água entre as peças de tijoleira da cozinha, que ontem se começou a finalizar. Ora bem! Depois de fazer a massa para as juntas, foi colocá-la nos risquinhos, raspar e depois limpar. Como estava à sombrinha e sentadinha numa almofada no chão, foi um trabalho bem bom!!! Para não falar que fiquei toda branquinha e com cimento no cabelo. Quando fui tomar banho, ainda desconfiei da qualidade do shampôo que tinha feito na comunidade 5, com o belo do azeite, e pensei que talvez tivesse de pedir shampôo emprestado a alguém para tirar a massa cinzenta do meu cabelo. Mas não foi preciso! Não imaginam, como foi fantasticamente rápido retirar o cimento da cabeça, com o belo do shampôo de azeite. Bem bom!

O dia foi longo... Acabámos o trabalho lá para as 21h30 e o jantar foi decidido por unânimidade que seria pizza em forno de lenha. Assim, o pessoal começou a fazer a pizza a essa hora e foi pela noite toda. Acabámos de jantar já passava da meia-noite. As pizzas sobretudo vegetarianas, estavam fantásticas: com courgetes, beringelas, ananás, pimento, cebola, caril, pimenta, natas....... mas também chouriço e atum! ...fantásticas mesmo! Para sobremesa, pizza com chocolate, natas, banana, passas e canela... Hummmm... sem comentários! 

A noite foi longa... muito mesmo! As pizzas no forno de lenha, a companhia calorosa de todos, o fogo da lareira, o céu estrelado fantástico, a música tocada na viola, as conversas, os risos, as gargalhadas, as conversas disto e daquilo e por fim, o abraço à Fojo! Verdadeiramente imperdível! Foi um dia memorável, acreditam? A hora do recolhimento foi mesmo muito tardio, por isso, ficou combinado que o dia de folga fosse no dia seguinte, sábado e não, domingo, como é usual! Muito bommmmmmmmm! O Fojo no coração!... para sempre!


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aqui os ralos nunca estão entupidos


O dia hoje no Fojo passou por uma das tarefas principais, que foi acabar a casa da cozinha/sala colocando assim, a tijoleira no chão e as janelas. Não pensem com isso, que ficou tudo feito e que colocar a tijoleira no chão e pôr as janelas é tão rápido como se escreve. Nada disso. Além de se ter de deslocar a tijoleira de um sítio para o outro, o que demorou mais de 1 hora, uma vez que cada peça de tijoleira devia ter mais do que 5 kilos, tivemos de lavar cada peça de tijoleira porque já estava com alguns fungos de estar ao relento alguns dias e só depois colocá-la no chão. Claro que o chão não foi todo colocado num dia, mas sim uma das laterais da cozinha. Mas ficou bem lindo! Quanto às janelas, preparou-se apenas o espaço, ainda não existem vidros no espaço, mas estarão para breve, assim creio!

Durante estas tarefas, fomos presentiados pelo dono aqui do espaço, com um maravilhoso pão comprado aqui na zona, com um ainda mais maravilhoso azeite, aqui da zona também, que segundo a minha singela opinião e a de uma voluntária, sabe a azeite de ovo estrelado! Uma verdadeira delícia, que foi colocada na nossa boca, enquanto estavamos com as mãozitas cheias de terra, cimento e outras coisas que tais. 

Durante o dia há uma rotina própria que hoje vos conto, sendo ela:
6h30 – Acordar
7h – Dar de comer aos animais (galinhas, patos e cães) + fazer o pequeno-almoço + apanhar os verdes para as refeições
7h30 – Tomar o pequeno-almoço
8h30 – Lavar a loiça do pequeno-almoço + tempo livre
9h – Trabalho da manhã
11h30 – Fazer almoço
13h – Almoçar
14h – Tempo livre da tarde + lavar a loiça do almoço
16h/16h30 –Trabalho da tarde
18h30 – Fazer o jantar + dar de comer aos animais + fazer as regas das hortas e das árvores + tomar banho
20h – Jantar
21h – Lavar loiça do jantar e recolher

Geralmente nunca nos deitamos antes das 22h, porque ficamos sempre a conversar, aqui ou ali ou a falar sobre os grilos que estão a cantar. Desculpem, não são grilos, mas sim ralos. Os grilos fazem gri-gri, mas os ralos, que são os animais cantarolantes aqui do Fojo fazem Griiiiiiiiiii, logo são ralos, é assim o nome científico!

Hoje, o nosso período de descanso, que geralmente, pelo menos comigo é passado a dormitar na minha tenda ou a ler mais um capítulo do “Dormir nú é ecológico”, foi diferente. Tivemos uma aula de como fazer dentífrico com produtos naturais, ensinado por uma das voluntárias. Então experimentámos dois tipos: um amarelo e um esverdeado. Sendo que o amarelo foi colorido com açafrão e o esverdeado, com poejo. Disse, quem o “provou” que o de poejo estava saboroso, não fossem as folhinhas que iam ficando nos buraquinhos dos dentes, seria perfeito. Quanto ao de açafrão... bem, os dentes da pessoa que o experimentou, ficaram assim a modos que... digamos, amarelos! Ahahah... e como não queremos dentes amarelos, não sei qual será o destino desse dentífrico! 

Hoje também tive uma primeira vez: fiz comida vegetariana para 10 pessoas. E como para mim, o mais simples, fácil e saboroso é massa, assim fiz uma “massa com cenas”, como diria a rapariga onde vivi na anterior comunidade. Ou seja, traduzindo: cenas, são todos os legumes que aparecem pela frente quando se está a fazer a dita iguaria.

E pronto, hoje o dia foi assim... Foi também presentiado por uma ida à Biblioteca mais próxima daqui, que fica a 8 kms, uma vez que como já vos disse aqui não há electricidade. Usam-se painéis solares, forno a lenha ou as mangueiras que vão aquecendo a água do banho e algumas luzes na cozinha/sala ligadas a um gerador. De resto nada mais. Nada de frigoríficos, microondas, secadores de cabelo ou máquinas de lavar roupa ou loiça. Aliás, a roupa aqui é lavada num tanque a 1 km de distância! “Fínissimo”,diria eu!

http://www.youtube.com/watch?v=Liz6e4JYP6w

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

If it’s not fun, it’s not sustainable


Hoje o dia no Fojo foi bastante animado, em todos os aspectos. Além de ter uma visita de uma amiga que vive aqui perto, as actividades de hoje foram super engraçadas. Nada mais nada menos do que pôr os pés na massa. Eu explico.

Aqui no Fojo estão a construir várias casas espalhadas pelo terreno, uma delas é a casa do trabalho, ou seja uma oficina onde futuramente se vai trabalhar, tendo até um quarto no piso superior e uma sala com salamandra, no piso inferior. Essa casa está em construção e tem algumas técnicas de bioconstrução, entre elas uma parede com garrafas que deixa entrar a luz, outra com troncos de árvores e ainda as janelas feitas de pneus. Está bem engraçada! Faltam ainda algumas coisas, nomeadamente a porta e as janelas, mas o design da casa já está quase finalizado. Assim, hoje o que estivemos a fazer foi uma massa feita com palha, água e terra vermelha, para finalizar uma parede com garrafas e também acabar os rebocos finais das laterais da parede. O giro mesmo, foi fazer a massa que vos acabei de falar, com os pés. Senti-me verdadeiramente uma mulher das vindimas, onde à medida que os pés eram colocados na massa/lama, as conversas iam fluindo e iam-se tecendo comentários diversos. Eu mostrei-me verdadeiramente animada com a tarefa. Amassar com os pés, além de relaxante é sem dúvida uma óptima forma de dar beleza à pele dos pés, ou não fosse a massa, feita à base de argila. Foi também muito giro, colocar o rebordo de massa à volta das garrafas e dos troncos de madeira, pelo menos até à altura onde eu chegava. Quando foi o momento de subir a um escadote algo ingríme a coisa tornou-se mais complicada para mim, pois desde medo de cair, até dores nos pés, houve de tudo e por isso, a tarefa não foi concluída por mim. 

Pois é, o meu corpo não me acompanha em mil e uma tarefas, porque esta coisa de estar constantemente sentada ao computador diariamente, faz-me sem dúvida, cansar-me mais rápido e não ter resistência física, muito menos tolerância ao calor. Enfim... a vida citadina é o que me tornou neste ser humano com pouca resistência física. Não sei se me transformei nele ou se algum dia fui diferente. O que me interessa é saber se algum dia me transformarei num outro ser humano, com resistência física e saúde redobrada. O que é certo é que estas actividades do campo e da permacultura (que são bem mais fáceis, que a agricultura) por mais que achei interessante, eu sei que ainda me sinto muito limitada para as concretizar... mas pronto, é a vida: um dia de cada vez!

Se tivessemos de falar do espaço físico do Fojo, poderíamos dizer que tem 4 zonas, pelo menos, as 4 que eu conheço. A primeira, logo à entrada é tem um caminho muito bonito, feito com pedrinhas brancas, que até já foi intitulado “O caminho da paz”, que circunda as hortas, feitas em camas elevadas, tendo de um lago, onde se ouve muitas veszes, as rãs e os sapos.

No segundo patamar, temos o lavatório da higiene pessoal, a zona de fumadores, a casa-de-banho de composto e uma zona, onde os visitantes e/ou voluntários colocam as suas tendas para pernoitar no tempo que cá estão. Mais à frente, está a casa de trabalho que vos falei ao início e onde trabalhámos hoje.

No terceiro patamar, existe uma outra casa, onde fazemos as refeições, que é a cozinha e a sala de estar/jantar. Na sua frente tem 4 canteiros que tem alguma da salada que usamos para as refeições. No exterior há também o lava-loiças de um lado e do outro lado, mais espaçado, o tal galinheiro com galinhas e patos, que vos disse ser a perdição da minha cadela.

Por fim no último patamar, há um lago, que neste momento está seco, bem como, uma grande vista para um pinhal, que nos dias de chuva, como o de hoje tem um cheirinho maravilhoso, de ficarmos completamente desentupidos nasalmente falando, com o cheirinho dos eucaliptos.

...
Já que vos falei desta frase, do título do blog, que também define um pouco a permacultura e que diz: “Se não é divertido, não é sustentável” venho também falar-vos de uma coisa que hoje ajudei a fazer para o almoço: hamburgueres de grão, mais propriamente reciclagem de comida. 

E o que é isto, reciclagem de comida? Ora bem, na minha casa havia uma coisa que eu nunca fui muito apreciadora que são os restos do almoço que se comem ao jantar, ou os restos do jantar que se comem ao almoço. Aqui o nome não é “restos”, mas sim “Redom”, ou seja, “Restos de Ontem”, isto quando os há, claro está! Contudo, há uma outra denominação que acho mais interessante, quer ao nível de nomenclatura, quer ao nível do sabor, que é a “Reciclagem de Comida”. Já tinha ouvido este termo noutras comunidades, mas nunca vos tinha contado, por isso aqui vai. A “Reciclagem de comida” é nada mais nada menos do que aproveitar os tais restos, mas alterá-los numa outra comida. Por exemplo, tinha sobrado um fantástico grão com cebola e salsa, assim, o que se fez, foi picar o grão, acrescentar courgette e mais alguns legumes, um ovo e alguma farinha e fazer pequenos hamburgueres, alourados no fantástico azeite que aqui há. Conclusão, uma nova refeição, completamente nova, sem ser o “Redom”. E pronto, é assim a vida! Fantástico, não é?

...

E quanto ao vídeo de hoje, por falar em Lama, nunca é demais... :) http://www.youtube.com/watch?v=_QvVaZfFDKw&feature=fvst

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Mínimo esforço, máximo impacto


Este é um dos príncipios da permacultura: fazer tudo com o mínimo esforço e com o máximo impacto e eu nisso acho que sou mesmo boa! Como ainda não estou habituada a estes trabalhos “pesados” do campo, adorei este príncipio, porque assim posso sentar-me em todas as tarefas que consiga, só e apenas para sentir na pele o que é um permacultor. Ehehehe... Estou a brincar, claro! A ideia não é estarmos sentados... contudo, este príncipio mostra-se bastante inteligente se pensarmos que sempre que o fizermos, estamos não só a nos pouparmos, mas também a pensar no futuro com maior alcance de durabilidade.

A minha estadia aqui o Fojo prende-se com o facto de ajudar a preparar um evento que todos os anos se realiza por aqui: o “Mãos na Terra”. O “Mãos na Terra” é um evento sobre permacultura, baseado sobretudo na bioconstrução e neste ano vai ensinar sensivelmente 15 técnicas de bioconstrução em 9 dias. Para saber mais ver em: https://www.facebook.com/events/318922648181776/

Assim sendo, neste momento, ao todo, encontram-se 10 pessoas, para preparar as condições para o evento. Já se fez algumas coisas desde que eu cá estou: colocaram-se estacas nos milhentos tomateiros que nascem na horta, fez-se o caminho que dá acesso ao espaço a partir da rua, cortou-se pauzinhos de madeira e transportou-se madeira para outro local e neste momento, está a tratar-se de debastar uma encosta onde vai ter um jardim. E tenho-vos a dizer que dá um trabalhão imenso, porque além de haver muitas mimosas, urtigas e outras plantas, o espaço é inclinado e por isso, tem alguma dificuldade no acesso.

Fora isso, hoje reguei a horta. E começo a perceber que estas coisas que incluem água, são as coisas mais do meu agrado. Não sei porquê... mas como estou farta de ouvir em todo o lado: Água é vida, acho que isso tem mesmo muita razão de ser! Nada podia ser mais verdade! Em cada comunidade que vou, começo cada vez mais a ficar maravilhada com a transformação que uma semente, por mais pequena que seja, tem, desde que se semea, até que começa a florir e depois a dar fruto. É verdadeiramente uma coisa fantástica e simples: semente, terra fértil, sol e água. Tantas e tantas vezes, penso como seria feliz em poder ter um pouco de espaço no meu T1 do tamanho de uma ervilha, ou pelo menos uma varanda e já agora um bocadinho de sol. Não sei se já inventaram forma das plantas crescerem sem espaço e sol, mas se inventaram, digam-me por favor, que certamente serei a primeira cliente.

Aproveito para vos dizer que apesar do calor, optei por usar botas nestes meus trabalhos diários. Ora bem, eu tinha umas botas de pele que andava a usar nas comunidades, mas que se foram todas rompendo e como ainda não consegui sapateiro à troca, aproveitei os meus dotes “inventadiços” e pus-me a colar as botas com cola de papel. Conclusão: nada de jeito! Assim sendo, depois de um dos meus pedidos aqui no blog, acerca de umas galochas, lá procedi a troca com uma belivadora, que aceitou a minha troca por um tabulheiro/almofada para computador. Assim, como assim, quase nunca usava tal coisa e neste momento, as botas fazem-me muita falta! E são fantásticas! Apesar de transpirar que nem uma maluca, porque o calor que se faz é grande, o certo é que inspiro-me por tudo o que é caminho, alto, baixo, com terra, com lama com pó e como são completamente à prova de água, meto-me em todo o lado! Então na rega é uma maravilha!

Tudo corre bem nesta comunidade, o espaço é lindo, as pessoas são muito simpáticas, sendo que algumas já conhecia e felizmente todos falam português. Entre as 10 pessoas que aqui estão, duas são crianças, um Robin dos Bosques e um Tom Sawyer! Duas vivem cá permanentemente e depois, a nível de voluntários somos 6. Também aqui habita um cachorro, que apesar de ser maior que a minha cadela, ainda só tem 6 meses e chama-se Feijão! É um querido! A minha cadela é que não lhe liga nenhuma porque acha-o um novato! Eheheeh... Mas de quem ela gosta, mesmo, mesmo é das galinhas! E vocês nem imaginam o suplício que é! Pois, quando ela descobriu o galinheiro, além de ladrar como se não houvesse amanhã, subiu ao tecto da capoeira, que sendo apenas um plástico, eu já imaginava a hora em que ela se ia tornar uma galinha e coabitar no galinheiro. Pois, este é o pormenor mais complicado de gerir... As galinhas são uma verdadeira tentação, ou não fosse a minha cadela, arraçada de Podengo, que é como quem diz: Cão de caça! Bem, a ver vamos se não temos uma canja antes de me ir embora daqui... Esperemos que não!

E pronto, hoje ao final do dia choveu... o cheiro a terra molhada, os salpicos da chuva e o som dos grilos (ou serão sapos?!!?) é sem dúvida fantástico! Aqui dentro da minha tenda onde escrevo o blog de hoje e usufruo da bateria do computador que trouxe carregada da casa dos meus tios (porque aqui não há electricidade) é sem dúvida uma verdadeira melodia para a alma e um verdadeiro som de embalo para dormir, descansar e amanhã acordar às sete da matina com um belo sorriso no rosto!


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Comunidade 7 - Fojo

By weheartit
Ora bem, eu mais pareço uma hospedeira que anda sempre com a mala às costas, como se de um caracol fosse. Bem, não sou uma hospedeira, porque me transporto por via térrea, mas como não sei se as hospedeiras da "terra" se chamam hospedeiras, fica aqui esse nome. Bem, vocês perceberam a ideia, né? 

O que quero dizer com isto tudo é que não páro quieta e neste mês de Agosto estou a correr tudo e mais um par de botas... aliás, galochas, porque já troquei umas belas galochas esta semana, onde vou estreá-las nesta próxima comunidade: o Fojo. Como diz a descrição do blog da comunidade, "O Fojo é um espaço onde se pode escutar o silêncio interior e partir em busca da realização como seres humanos ao cuidar da terra e das pessoas, com amor e partilha. Através da observação, do design, da acção e das experiências, através da arte e de fazer a nossa parte, pois só assim, juntos e ligados à natureza, podemos crescer. O Fojo é ainda um espaço vocacionado para a realização de cursos, workshops, voluntariado, actividades, encontros, visitas..." (Ver mais em https://www.facebook.com/ofojo.permacultura e http://www.o-fojo.blogspot.pt/)

Estou bastante animada com a minha ida para esta comunidade, porque desde o início que escolhi as comunidades, gostava que houvesse uma, onde aprendesse mais sobre permacultura. Já tive em várias onde têm a permacultura como base, como por exemplo, Tamera, Aldeia das Amoreiras, Awakened Life Project e Simplicidade Voluntária, mas julgo que aqui no Fojo vou aprender mesmo muito, porque tudo o que envolve este espaço, é baseado nos princípios da permacultura, desde a horta, a construção das casas, os espaços e ainda por mais, porque fazem cursos de permacultura várias vezes por ano! Enfim... acho que de uma vez por todas vou aprender mais sobre o que é a permacultura, na permacultura em acção. Assim em traços gerais, sei que a permacultura é uma agricultura permanente, que está verdadeiramente equilibrada com todos os elementos e animais da natureza, mas convenhamos que isto não me ajuda muito a saber como fazer camas elevadas ou como a fazer bio-construção ou a ter as galinhas num galinheiro andante que vai preparando o terreno para o semeio. Por isso, preciso de aprender, mais e mais! (Ver mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Permacultura)

Para saberem mais sobre esta comunidade, faz favor de ler o artigo que a Quercus fez sobre este espaço: https://www.facebook.com/notes/o-fojo-permacultura/o-fojo-na-imprensa-entrevista-a-maur%C3%ADcio-e-filipa-do-fojo-jornal-quercus-julhoag/340653059348079

Vejam também este vídeo, quando a comunidade ainda era "um sonho" em Janeiro de 2010: http://www.youtube.com/watch?v=uJBvMLlXtdI

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Descomplicómetro em 11 passos

E hoje foi o último dia nesta comunidade, que não é propriamente uma comunidade, como vos tinha dito, mas sim, um casal que vive em simplicidade voluntária. Este projecto de viver simplesmente, vem de uma outra ideia que é o descréscimo. Ou seja, em vez de contribuirmos para o créscimo de dinheiro, de mais população, de mais empresas, de mais dinheiro, está na hora de parar e de fazer o inverso, de decrescer para uma maior e melhor qualidade de vida. Vejam esta definição de Bruno Clémentin e Vincent Cheynet, por exemplo: "A contestação do crescimento económico é um fundamento da ecologia política. Não é possível um crescimento infinito num planeta finito. Muito incómoda, pois entra em ruptura radical com o nosso desenvolvimento actual, esta crítica foi rapidamente abandonada por conceitos mais suaves, como o “desenvolvimento sustentável “. No entanto, racionalmente, não existem outra vias pelas quais os países ricos (20%) da população planetária e 80% do consumo dos recursos naturais) que de reduzir a sua produção e o seu consumo de forma a “decrescer”." Sobre a simplicidade voluntária encontrei também umas dicas muito úteis neste blog, ora vejam: http://evolucao-outrosolhares.blogspot.pt/2010/01/simplicidade-voluntaria.html

E por falar em ser simples... tenho-vos a dizer que das coisas que mais gostava de resolver na minha vida, era o facto de deixar de limpar a casa. Sinto, que aspirar, lavar, etc etc é mesmo uma perda de tempo. Contudo, em casas "normais" é normal que isso aconteça e nada tem a ver de complicado. Simples é mesmo ter de limpar. Contudo, que aborrece, aborrece. E prova disso foi a amostra da minha última manhã aqui na comunidade: limpar o colchão insuflável que me emprestaram para dormir na tenda onde pernoitei. Ora bem, até aqui tudo bem. É bom dormirmos com mais conforto e tal, um poiso fofinho é do melhor que há. Um colchão insuflável que se enche a pedal, sem a utilização da energia, muito melhor ainda! Tudo devidamente pensado ao pormenor para acampar com comodidade, menos um aspecto: a cobertura ser em veludo cinza clarinho quase branco. Ora eu não sei como é o terreno dos sítios "normais" onde se acampa, mas julgo que muito dificilmente se acampa em chão de cimento ou piso de madeira. Pelo menos aqui, onde acampei, o chão é terra, verdadeiramente barrenta, folhas e pauzinhos. A piorar com o facto de dividir o colchão com uma cadela que tem patas e não sapatos, que descalça antes de entrar, estão a ver não estão?! Conclusão: no final das noites, tive de pôr o colchão ao sol e "esfregar" com água, utilizando umas calças minhas velhas e brancas, o dito veludo para tirar as mil manchas de terra vermelha. Segunda conclusão: ou o colchão não foi feito para sítios destes ou então foi feito e é para ficar sujo... ou então para se ter a trabalheira de o limparmos cada vez que acabamos de acampar. Terceira conclusão: senti-me verdadeiramente "estúpida" e complicada de rabiosque para o ar, a esfregar delicadamente um colchão super chique no meio do mato, ou seja, nada a ver! Quarta conclusão: não sei se utilizarei mais vezes o dito colchão. Quinta conclusão: se mesmo assim as manchas não saírem a 111% quando acabar o projecto tenho de comprar um novo a minha amiga e ficar com este para mim. (É nestas alturas que o dinheiro faz falta...) Sexta conclusão: odeio limpar estas coisas. Sétima conclusão: as minhas calças brancas ficaram castanhas e acho que nem com lixívia vão voltar à normalidade. Oitava conclusão: acho que para a próxima vou descomplicar e dormir no chão. Nona conclusão: já não sei mais conclusões para chegar à décima primeira... :) Décima conclusão: o conforto e a natureza talvez não combinem. Décima primeira conclusão: fim! :)

...

Nas despedidas, ainda fui presenciada por este casal, com um termo para pôr água fresquinha (e azul) que tinham a mais... Alecrim para fazer chá e uma mezinha para voltar a atacar as pulgas da minha cadela, se as pulgas voltarem a atacar. E também tomilho selvagem, que é uma florinha muito linda azul escura e que cura grandes constipações! Adorei!

E pronto, deixo-vos uma musiquinha didgeridoo... http://www.youtube.com/watch?v=RGTWqZoswAo

P.S. A propósito, a foto do post de hoje são umas palmilhas pintadas que estão coladas num prédio da aldeia onde íamos à mercearia!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mesmo assim ainda há castelos


Hoje o dia foi dedicado grandemente ao lazer. Da parte da manhã, fui visitar um Jardim de Infância Waldorf que já tinha muita curiosidade de conhecer este estilo de ensino. Explicaram-me assim de forma muito rápida que há duas características importantes na educação deste tipo de pedagogia: respeito pela natureza e a aprendizagem pela imitação. Este jardim escola é lindo! Com um espaço de jardim, horta, casa de madeira, espaço de areia da parte de fora, é ainda todo mobilado com mobiliário de madeira e brinquedos verdadeiramente naturais: madeira, lã, tecidos... plásticos e coisas que tais não são uma constante. Nada disso. Ali parece que estamos numa casinha de bonecas, versão Hansel e Gretel! Adorei! Fiquei com uma vontade louca de viver 1 semana à troca numa escola assim. A ver vamos! (Vejam mais em (ver mais em https://www.facebook.com/jardiminfancia.internacional

Como novamente, hoje estava muito calor, fomos dar uma volta pelas praias aqui perto. Passámos por Vila do Conde, Carrapateira, Amado, entre outras. Praias verdadeiramente lindas, com areais a perder de vista e miradouros infinitos no horizonte. Ainda dei um mergulhito, mas nada de muito intenso, pois a verdade é que as águas deste lado do Algarve estavam quase tão frias como as de Lisboa. L Na praia, ao passear no areal passámos por uns castelos que as crianças tinha feito. Olhámos os 3 para os ditos castelos e alguém disse: “Há coisas que nunca mudam...” Sendo que outro alguém completou: “Mesmo assim ainda há castelos!” É verdade, mesmo com tanta tecnologia e desenvolvimento, praia que é praia continua com castelos de areia, daqueles que se imaginam e fantasiam com princesas a serem salvas por príncipes, dos dragões flamejantes e perigosíssimos. Apesar das playstations, do facebook, das wii's e de outras que tais tecnologias... nada como um bom castelo na areia! :)

Depois, seguimos por estradas e estradinhas e fomos visitar uma aldeia muito pequenina, mas muito gira: Pedralva (ver mais em http://www.aldeiadapedralva.com/). A aldeia que, segundo a história que me contaram, viviam cerca de 3 pessoas, quando um estrangeiro se lembrou de fazer uma pizzaria ali, no meio do nada e de uma hora para a outra, pessoas de todos os sítios começaram a chegar e a frequentar a aldeia, para se deslocarem à bendita pizzaria. Passado uns tempos, alguém recuperou uma data de casinhas da aldeia, que são alugadas, na paz e no sossego da cal branca e das portas azuis, verdes, cor-de-rosas que se destacam da encosta. Um projecto de reabilitação de uma aldeia de Portugal, a conhecer de mais perto, claro!

Rico dia... Sempre acompanhado do cd dos U2, “The best of U2”... e por isso, cá vai uma musiquinha: http://www.youtube.com/watch?v=HySAx6R6zBQ

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dia-a-dia simples


A rotina aqui nesta comunidade é quase inexistente, porque simplicidade que se preze deve ser mesmo fluída, sem grandes planos e ao sabor do vento, que por vezes, aqui por estes lados, é muito. Contudo, há algumas balizas para o meu dia-a-dia no simplex. 

Ora aqui vão:
9h: Acordar. Bem, a bem verdade é que eu não acordo às 9h, acordo com o sol e por isso, entre as 7h30 e as 8h já estou a começar a bocejar e a olhar para a minha cadela que como sempre passou a noite super quietinha no fundo da tenda, como se de uma pessoa se tratasse. Assim, até às 9h leio o livro que aqui iniciei e que penso estar bastante adequado ao espaço, intitulado “Dormir nú é ecológico.” Já vos falei aqui no blog dele.
9h30/10h: Fazer e tomar o pequeno-almoço. De entre as ofertas variadas, gosto muito de comer uma torrada com manteiga e/ou paio ou às vezes, atrever-me à  manteiga de amendoim, que não degustava desde a minha adolescência e simplesmente, ADORO!
10h/10h30: Pausa no lounge para últimas conversas da manhã e começar a pensar o que se fará a nível de trabalho da parte da manhã.
10h30/13h: Regar a horta, pelo menos de 2 em 2 dias é a tarefa habitual e frequente, depois, quanto às outras tarefas, faz-se de tudo um pouco. Contudo, com o calor que se faz por estes lados é muito difícil trabalhar-se muito tempo numa tarefa, porque o sol é tramado. Hoje foi dia de dividir uns arbustos que foram apanhados no campo, entre pauzinhos pequeninos para trabalhos vários, pauzinhos médios para o futuro fogão-foguete e pauzinhos grandes para fogueiras.
13h/14h: Fazer o almoço e almoçar. As refeições aqui são sobretudo à base de muitos legumes, acompanhados de arroz, batatas ou massa. Adoro!!! Contudo, não são vegetarianas puras!
14h/17h: Lavar a loiça e pausa no lounge para se pensar o que se fará da parte da tarde.
17h/19h: Tarefa da tarde.
19h/21h: Fazer o jantar, jantar e lavar a loiça.
21h: Tempo livre. Aproveito para escrever no meu blog, quando não tenho acesso à net durante o dia e depois leio o segundo livro que iniciei aqui e que também acho bastante apropriado para esta comunidade: “O monge que vendeu o seu ferrari.”

Hoje, da parte da tarde, foi um dia diferente no que toca às tarefas. Fizémos uns desenhos no chão com pedras, para que futuramente sejam semeadas sementeiras e pequenos arbustos. (Vejam na foto) Depois, e porque às 4as feiras, a 1 km daqui há um mercadinho de produtos biológicos de vários produtores da zona, a nível familiar fazem-se algumas vendas dos produtos que tiveram em excesso da semana e por isso, fomos lá fazer umas comprinhas. No caminho, que se fez a pé, ainda vi uma paisagem muito bonita e também uns sobreiros que têm mais de 300 anos... verdadeiramente LINDOS!!! Não dá para imaginar, nem sequer com a ajuda da foto, a magnitude e a energia que eles transmitem. (Não sei se conseguem ver que no tronco do sombreiro estou lá eu e como ponto preto no meio da terra está a minha cadela, Azeitona!)

Hoje apanhei muito sol... e como não estou habituada apanhei um belo de um escaldão nos abraços, à estilo camionista e também na moleirinha... por isso, fiquei com uma dor de tola, que nem vos digo, nem vos conto. Tive de estar um bocadinho sossegadita à sombra de uma oliveira a tentar arrefecer os miolos que já estavam a fumegar... Aqui o sol não está para brincadeiras! Não mesmo!

Como trocadilho, entre sol, sombreiro e sombrero... aqui fica a musiquinha de hoje: http://www.youtube.com/watch?v=w1AuOUmofl4

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Uma Azeitona debaixo de uma oliveira


O sítio onde estou é distríbuido por árvores. Tem sobretudo oliveiras e amendoeiras, mas também outras árvores e arbustes que não sei o nome, pois como sabem, esta minha aventura pela natureza, é recente. Sei-vos dizer contudo, que é bem bonito!

A minha tenda está resguardada por duas oliveiras que me dão algum abrigo das ventanias que por vezes, cá se fazem. Há um outro espaço, que eu chamo do cantinho da meditação, onde hoje à tarde li quase metade do livro “Dormir nú é ecológico”, deitada numa bela esteira azul. Debaixo de oliveiras, é também o sítio preferido da minha cadela Azeitona para se abrigar do sol e do calor que hoje se fez sentir. (ver foto do post).

Uma outra árvore, bem bonita é a amendoeira frondosa que suporta espaço da cozinha, onde as panelas e os tachos se expõem, como se de uma galeria se tratasse, pelos galhos da árvore acima. “Muito bonito! Uma verdadeira instalação!” - diria a minha amiga artista plástica. Dá ares da árvore dos Patafurdios... :)

Ao lado da cozinha, existe um grande bambual verdinho e alto, onde a minha cadela adora explorar de um lado ao outro, como se de uma verdadeira floresta se tratasse e onde também se abriga do sol!

O lounge é o meu local preferido, entre uma oliveira e uma amêndoeira, umas cadeiras baixinhas viradas para o horizonte, onde o sol se põe é sem dúvida um local fantástico, para conversar, ler, escrever, ir ao facebook ou saborear uma bela peça de fruta! Fantástico!

Uma vez que este casal se mudou há pouco tempo para aqui, não há propriamente ainda uma casa, sendo que a casa, ou as divisões dela estão espalhadas pelos recantos do terreno, nestas árvores que vos acabei de contar. Eles têm muita razão quando dizem que a casa não precisa de estar toda junta, pois se uma pessoa tem espaço e terreno, não é necessário propriamente, que as paredes das divisões se colem e que haja mesmo a necessidade de confiar um “apartamento” em 40 m2. Aliás, isso faz-se apenas porque nas cidades há pouco espaço! Assim, a ideia deles é, no futuro, ao irem construíndo a sua casa com técnicas várias de permacultura, possam ir construíndo as divisões espaçadas no terreno de forma a poderem usufruir da natureza, propriamente dita.

Conclusão: aqui não preciso de aspirar o chão à troca ou de limpar o pó, o que é sem dúvida uma vantagem. J

Hoje o dia esteve mesmo muito quente, por isso, as tarefas ficaram um pouco condicionadas, sendo que além das habituais, fazer as refeições, lavar a loiça e regar as plantas, de manhã começou-se a construir um novo compostor com restos de madeira que se encontraram deitados fora, aqui na vizinhança. Bem, o compostor estava a ficar tão lindo e tão grande, que saiu logo um disparate da minha boca: “Que tal fazer um estábulo para um cavalo?”... Eheheheh... só se fosse um pónei de uma Barbie, daqueles azuis com brilhantes, pois, apesar do compostor/estábulo ser grande, o coitado do cavalo se lá vivesse sentir-se-ia quase que dentro de um caixão. A minha segunda ideia foi ser um galinheiro. E pronto, neste momento está a decidir-se se o compostor será um galinheiro ou o galinheiro um compostor. Ehehehe...

De tarde, fez-se uma experiência interessante: uma massa que aplicada em rede de galinheiro poderá ser uma futura parede, para o que se precisar. Os ingredientes são nada mais nada menos do que: 1/10 de cimento, 9/10 de terra e alguma palha cortada aos pedacinhos. Há quem goste de juntar bosta de cavalo para dar um ar mais consistente à coisa. (E admirem-se como eu me admirei, a bosta de cavalo depois de seca não cheira a nada. Fantástico, né?) E voilá, depois é colocada na rede e espera-se que seque até que se possa passar por água para verificar se o cimento fez a sua função! (ver foto do post)

Muito mais haveria a contar, mas há duas coisas que não posso simplesmente deixar por dizer: o cristal desodorizante e o restolho. Ora, o cristal desodorizante (ver mais em http://www.lifenatura.com/produto.asp?IdProduto=348é uma coisa fantástica, talvez a melhor invenção depois da roda. É uma pedra transparente que ao ser molhada se passa por debaixo do braço, não deixando nenhum odor, não sendo anti-transpirante, mas que impede o cheiro “desagradável” de suor. Além de ser bonito, não fazer mal há saúde e dura quase um ano!

O outro assunto é o restolho. E não pensem que o restolho tem a ver com o trigo. Nada disso! O restolho é um bichinho vermelho, mais pequeno que uma pulga que se aloja nos seguintes sítios: umbigo, virilhas e axilas, sendo que dá leves picadas. É um bichinho sobretudo aqui da zona sul e que por mais curiosidade que tenha, não me apetece mesmo nada conhecê-lo, porque sem dúvida prefiro continuar na ignorância visual e sensitiva... Restolho que seja restolho, prefiro de longe este: http://www.youtube.com/watch?v=y6raRduUhaw