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sábado, 18 de junho de 2016

Offline (por vezes) é o melhor estado do mundo!!!!

Offline Portugal, Aljezur

Depois de tantos anos ONLINE... nas redes sociais, na televisão, na rádio, nos jornais... tenho a dizer-vos que me cansei um pouco de ter a minha vida tão exposta e partilhada. Também me cansei de conhecer pessoas em catadupa... parecia que já não tinha mais espaço na minha memória para decorar mais um nome e mais uma cara. Podem não acreditar, mas foi isso que se passou.

Passado quase 1 ano de finalizar a minha vida trocas em exclusivo, senti-me cansada e esgotada energeticamente de tanta gente que conheci, de tantos trabalhos que tive, de tantas preocupações que tinha diariamente (quer fosse para me alimentar, para me transportar, ou simplesmente viver sem dinheiro).

Necessitei de uma pausa, uma pausa OFFLINE, apesar de continuar pontualmente nas redes sociais, no facebook, no instagram e até no pinterest. Mas era um continuar diferente, onde de forma ordeira e calma vou participando nas redes sociais, mas sem a pressão de colocar conteúdos todos os dias, de promover marcas e pessoas, de fazer trocas, de escrever no blog mostrando as minhas atividades diárias. Ou seja, utilizar as redes sociais apenas como uma "comum mortal"!

Mas depois de tanto tempo... precisei (e ainda preciso) de um tempo verdadeiramente OFFLINE. Para colocar a cabeça e o coração no lugar e perceber para onde quero caminhar. A experiência de viver de trocas, foi muito maior do que algum dia poderia pensar ou prever. Além de uma alteração total ao meu estilo de vida, foi também redescobrir e aproximar-me um pouco mais do meu verdadeiro eu. Mas um eu, que ainda anda um pouco confuso e até cansado, de tanta troca! Sim, as trocas cansam!!!

E pronto... estar OFFLINE não só das redes sociais, mas estar ONLINE connosco e com quem nos rodeia, de forma coesa, humana e limpa. Simples. Foi desta forma que experimentei um conceito de uma amiga: o OFFLINE PORTUGAL. O OFFLINE PORTUGAL nada mais é do que um sítio brutal para passar férias de forma OFF do mundo virtual. Ou seja, um mundo sem computador, sem internet, sem telemóvel, sem tablet. Em OFF mas muito ON. Eu explico...

A primeira coisa que se faz, no momento do Check-in é entregar os nossos aparelhos com ligação à net, quer sejam telemóveis, computadores ou tablets. Vão para dentro destas gavetinhas, mas ficamos sempre com a chave da gaveta onde os nossos aparelhos estão. E pronto, agora é só "gozar" a nossa estadia sem esta ligação "doentia" com o mundo virtual.

Desenganem-se que o dia-a-dia no OFFLINE PORTUGAL é uma seca, parado, sem coisas para fazer e com a noção que temos de estar OFF (tipo amorfos, quietos e quase mortos). Nada disso, ali estamos ON, mas ON no dia-a-dia, connosco, com os outros. Criamos uma família temporária com os hóspedes e com os voluntários e partilhamos quase todos os momentos do dia, em conjunto: nas refeições, nas idas à praia, nas caminhadas, nas aulas de yoga e surf, na piscina... E depois de jantar, em vez de ficarmos agarrados à televisão ou ao computador, estamos juntos de novo, conversamos, cantamos, dançamos, tocamos instrumentos e relaxamos.

No fundo estar OFF é verdadeiramente ON! :) "Disconnet to reconnet", é o lema do OFFLINE PORTUGAL!

Estive 2 dias neste maravilhoso estado... e para vos dizer a verdade, mal senti a falta do contato com o mundo virtual. Não posso negar que algumas vezes me perguntava porque não tinha o telemóvel na minha mala e especificamente ao deitar me lembrava de ir ver se tinha alguma mensagem no facebook ou um novo like no Instagram... Mas isso foi passando com o tempo! Repetia a experiência por pelo menos 11 dias. Será que conseguia?!

...

Boas temporadas OFF's para vocês. Aproveitem o Verão para menos fotos: aos pés na areia, ao pôr-de-sol laranja, aos pratos de caracóis, ao novo biquini... e mais: para olharem nos olhos das pessoas que vos acompanham nessas experiências.

Bem haja Rita e Bárbara por esta experiência. Valeu a pena estar muito ON... mas ON MESMO! :)

sábado, 27 de outubro de 2012

Queres (re)encontrar o teu AMOR!!!!

Tu és o meu amor!....



Ponham ♥ espalhados pela cidade, procurem chaves, caixas, pistas da Amélie, escrevam cartas de amor, abracem, sorriam, olhem nos olhos, sonhem em conjunto!!! Em Lisboa, em Portugal, no Mundo, no Universo, nas Galáxias todas... amor em toda a parte com tod@s e para tod@s! :) Divulguem pelo mundo que eu quero reencontrar a minha alma gémea, dia 1 de Novembro de 2012 às 00h no elevador de Santa Justa em Lisboa! Mandem uma mensagem a quem mais amam e digam: "Tu és o meu amor!"



A vida só se AMA uma vez!!! ♥

Por isso, Belivadores de todas as cores de Portugal e do mundo, venham! sonhem! Troquem abraços, beijos, peguem ao colo! O que quiserem e vos faça sentir vivos! O que vos ponha o sangue a correr!..... Apaixonem-se! Encontrem a vossa alma gémea - JÁ!!! <3

http://www.youtube.com/watch?v=rfGylBkHDFE&feature=youtu.be

Espero por vocês para uma eternidade com AMOR total! ♥

Evento: https://www.facebook.com/events/486437578055489/?ref=ts&fref=ts




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"Se me querem viva...

... dêem-me um projecto!" Este é o título de um artigo de uma revista de arquitectura que descobri numa reunião onde fui tratar da tal LOJA DE TROCAS, que foi aprovada e que em breve direi o local e mais detalhes! Vai ser finíssimo... mas ainda é segredo!

Quando vi este título, olhei para trás e senti que estou cada vez mais viva e que cada vez é mais entusiasmante viver, porque tenho um projecto de vida! Não é apenas e só trabalhar, é mais do que isso, é viver, mudar, transformar, arriscar, sentir e lutar! E isso é viver... sentir o sangue a correr nas veias... sentir que o sangue outrora vermelho está a passar para azul, aquela cor de sangue real ou de verdadeiros avatares ou até mesmo de estrunfes! LooooL... Bem, mas não pensem que sou só eu! Não têm visto como as vossas vidas têm sido mágicas nos últimos tempos?!... como há cada vez mais coincidências?!.... como o tempo está a correr?!... como tudo parece encaixar, mesmo as coisas que dizemos serem más ou difíceis?! Pois é, o tempo está a mudar... o tempo está a trocar-se também! E com ele, nós, os verdadeiros belivadores de sangue azul que dizem que o mundo é mágico e está cada vez melhor... também!

Dêem-me um projecto, se me querem viva... acho que consigo viver eternamente se correr nas minhas veias este sangue que me vibra e faz viver, sentir, não ter fome, não ter sede, não ter sono... Se querem... dêem-me... que depois eu troco e volto a dar! Eheheh...

...
Foi com este tema, que fiquei a pensar que está na altura de pôr o meu projecto a ser ainda mais ambicioso e por isso, tomei uma decisão hoje! Vou dar a possibilidade de quem queira sentir-se vivo como eu, possa ter um projecto como o meu! Ou fazer ainda mais parte do meu próprio projecto! Quem sabe assim não vivemos todos eternamente... Que é um dos meus sonhos mais utópicos? Hém??!?!? :)

Querem viver? Querem um projecto?... Se querem... se querem com muita força e com muita garra... eu dou! Eu dou um projecto para trocar as voltas à vida, trocar o mundo que ainda está um pouquito cinzento... bem, julgo que já tenho dado alguma coisita, né?! Mas desta vez vai ser diferente, desta vez, vão realmente sentir-se vivos com um projecto que pertence a todos.

O primeiro passo é inscreverem-se numa palestra intitulada Cidadania 2.0 (ver mais em http://cidadania20.com/) onde vou apresentar o meu projecto por apenas 4 minutos, mas que para mim e talvez para vocês possa ser a minha palestra mais motivadora de sempre! Quem disse que só quando falamos muito e temos muito tempo podemos motivar, hém!?!?! Eu vou "comprovar" que menos é mais... e vou também disponibilizar um projecto, a quem quiser começar a viver ainda mais!

Por hoje, faz favor de se inscreverem na Cidadania 2.0 (ver mais em https://www.facebook.com/events/383108355044797/?fref=ts) e amanhã continuamos a falar do assunto, ok???

E por hoje, deixo-vos uma musiquinha que pode ser que seja uma inspiração para o tal dia, o dia da (verdadeira) cidadania e que só tem mais 1 minuto do que a minha apresentação: http://www.youtube.com/watch?v=AXGONt31qEs


domingo, 23 de setembro de 2012

Um dia inteirinho à troca

Hoje foi o dia do Trocarte, um dia inteiro à troca com actividades e workshops! E foi ver gente a entrar, na Chill Out Art House! Chegámos às 40 pessoas! Foi lindo, ver gente a chegar, a sair, crianças a pular e a rir, pessoas desconhecidas entre si (bem, para mim eram quase todas desconhecidas), todas a colaborar com comida ou com objectos (como por exemplo, um vaso que precisávamos muito para a varanda) ou pura e simplesmente com a partilha de saberes. 

Foi muito interessante, porque a troca não foi directa, do género: "Eu faço-te isto se tu me fizeres aquilo." Nada disso. Cada um contribuiu com o que tinha de melhor, para o todo, para a comunidade! Julgo que num futuro é isso que acontecerá, em vez de troca directa, acredito num mundo em que cada um dá o que tiver de melhor para o todo, para a comunidade, para o mundo, porque sabe que está a contribuir para si também!

O dia foi animado! Eu fiz imensas coisas, tais como: Yoga, aula de cozinha vegetariana, workshop de desenho de retrato, leitura das mãos, tarôt terapêutico, reflexologia podal e ainda participei na palestra de Tantra: Amor e relacionamentos, que foi muitooooo interessante! Ainda fizeram a minha caricatura e eu ainda aprendi a fazer banda desenhada! O dia foi intenso! Muita gente sempre a chegar e a trocar... desde as 10h da manhã até à 1h da manhã! Conversas, sorrisos, muita música, muito amor no ar... um ambiente do mais saudável que possam imaginar! 

À noite, fui para a cozinha, pôr em prática os meus dotes culinários, mas mais do que isso, as aprendizagens que tenho vindo a fazer nas várias comunidades, no que toca à comida vegetariana e ao reciclar comida! E assim foi, eu mais umas 5 pessoas, arregaçámos as mangas na cozinha e  fizemos as seguintes iguarias: esparguete com molho de legumes e tomate, hambúrgueres de arroz integral e grão, salada em mix com molho de caril e tortellini de espinafres e queijo! Ouviu-se dizer que estava maravilhoso e eu também achei! Trabalhar em equipa foi muito bom... e me desafiar a fazer comida, ainda por cima vegetariana, para tanta gente, foi melhor ainda! E muito divertido!... e o que eu me ri!

Sabem, quando vemos na televisão, em alguns filmes (estou a lembrar-me por exemplo, da cena da Acção de Graças do filme Comer, orar e amar...) cenas de jantares, com muita gente a sorrir, muitas nacionalidades diferentes, pratos a passar de um lado para o outro, gente levantada a servir o vinho, música de fundo animada e muita alegria?!!? Sempre sonhei em estar em jantares assim... Jantares multi-culturais, descontraídos, cheios de gente diferente e divertida!... Pois, assim foi o nosso jantar! Eu senti-me num filme mesmo!

É este o sentimento que acredito... mesmo este! De união, partilha e de fazer o bem para o todo! Ali ninguém queria saber quem era quem, o que fazia, como se chamava, a idade, a religião... nada de nada... ali, apenas se estava! Ali, escutou-se, cantou-se, sorriu-se, viveu-se e acreditou-se num mundo melhor! Um mundo cheio de trocas... trocas de amor para todos, com todos e ao mesmo tempo!

Foi fantásticoooooooooooooooooooooooooooo!

E agora uma musiquinha, dedicada à nossa Elis e ao nosso Tom, que animaram musicalmente o Trocarte: http://www.youtube.com/watch?v=srfP2JlH6ls&feature=related

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ai Clarim, que deste cabo de mim!

O meu último dia de limpezas teve a cereja em cima do bolo com o limpar (por fora e por dentro) o meu carro. Como podem imaginar depois de ir a 4 comunidades seguidas, todas sabe-se-lá onde, atrás dos montes, na terra e na lama, nas árvores e nas plantas, com galinhas e cabras e mais a minha cadela (que deita imensos pêlos) a ser transportada por todo o lado, podem imaginar como o meu carro estava, não?

Desde que o comprei, nunca o tinha limpo por dentro com as minhas próprias mãos. Ou seja, descontraidamente dirigia-me a um centro de lavagens de automóveis e pela troca de 8, ou 10 ou 12 euros, entregavam-me o carro lavadinho por dentro e por fora, que era um descanso. Como esta coisa de viver de trocas limita o orçamento e como a casa da minha avó, tem uma garagem e uma mangueira, tive a excelente ideia de pôr mãos à obra e lavar o meu carro TODINHOOOOOOOO (incluindo lavar os estofos) com o belo do balde, pano, mangueira e o belo do sabão Clarim! Ora, se não tinha produtos para limpar carros, tinha de ser criativa e pensei que o sabão Clarim não devia fazer mal nenhum ao preto da pintura do carro e ao castanho da sujidade... 

E assim foi! Eu adoro tudo o que envolve água... adoro mesmo! Com as minhas belas galochas, que troquei há tempos, uma roupa muito velha e cabelo apanhado lá estava eu a esfregar o belo do carro, por dentro, por fora, dos lados, etc etc... Chiça!!!!!!!!! Tenho-vos a dizer que o valor que eu pagava antigamente, compensava bem o trabalho, porque isto de lavar o carro não é pêra doce, ainda mais, quando o carro está praticamente irreconhecível com tanta sujidade... Mas o que conta é que depois de ter suado um bom bocado, lá lavei o carrinho todo e ficou bem bonito! Digo, bonito enquanto estava molhado... eheheh... quando secou eu bem vi o efeito do sabão Clarim... Ahahahha... Deixou o carro cheio de veios e de manchas e sei lá mais o quê. Por isso, conclusão: acho que tenho de passar por um Elefante Azul (calha bem, um elefante à Believe) para gastar 1€ dos meus 1111€ e dar uma lavadela final... Aquilo como está, está tão "estranho" que quase não consigo ver a estrada no vidro da frente.. Ahahah... eu realmente, sou óptima a inventar!

Como não satisfeita com as lavagens, aproveitei a embalagem e dei uma banhoca à minha cadela, também de mangueira e de sabão Clarim. Uma vez que o preto do carro não saiu, certamente o preto da minha cadela também não! :) Ela adorou e eu... eu fiquei com uma inveja descomunal. E vai daí... dei uma banhoca em mim também! Uauuuuuuuuuu... há que séculos que não tomava banho de mangueira e sabe tão bem, especialmente quando está um calor abrasador como o de hoje! Uau... Foi mesmo muito bom! Acho que foi a minha primeira banhoca de mangueira desde que me tornei adulta! :) Mais uma coisa para a minha lista das "primeiras vezes" durante este projecto!

E é assim... hoje está tudo lavadinho... a brilhar... e eu só quero mesmo é descansar!!! :)

Hummmm que cheirinho... carro limpo... cadela perfumada!!! http://www.youtube.com/watch?v=NMj2322ZCIs

P.S. Só um pequeno apontamento sobre as galochas! As galochas são o máximo, mas eu acho que foram inventadas apenas e só para pessoas casadas, com namorados ou que vivam em conjunto com outras pessoas, porque para pessoas que estão sozinhas é uma dor de cabeça... digo, de pés! É mesmo muito díficil tirar as belas das galochas no fim do trabalho, sabiam? "Aquela coisa" fica a modos que entranhada, como se de uma segunda pele fosse, por isso, da próxima vez que as usar, vou tomar em atenção se estou com alguém por perto quando as tiver que tirar, para ver se me dão uma mãozinha! Digo, pézinho! ;)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

7 regras e 22 cabras


(continuação do dia anterior) Dormir no carro foi absolutamente surreal... apesar do meu carro ter espaço suficiente, o facto de ter dormido sem colchão foi sem dúvida super incomodativo, mas pelo menos não tive visitas inesperadas. Hoje sem dúvida vou colocar o colchão e dormir de forma cómoda, mas apesar de tudo, com pouco oxigénio.

Na sequência do que vos disse ontem, as minhas tarefas aqui a partir de ontem, é na ajuda da tradução (com o meu amigo google translate, claro) num documento que o patriarca da família escreveu sobre este modo de vida e que sem dúvida, vos poderei disponibilizar, caso tenham interesse, pois foi o seu pedido.

Assim sendo, tal como ontem vos disse, vou enumerar as sete regras para viver na natureza, segundo a família da Ilha Paraíso e são elas:
  • 1.       Viver ao ar livre (dormir ao ar livre, sendo que os casais devem dormir numa zona em forma de coração, as crianças numa forma de círculo e os animais em formas de quadrados)
  • 2.       Comida natural (totalmente crua, pois a comida cozinhada está morta e não faz bem à saúde)
  • 3.       Trabalhar na natureza com as mãos (não usar equipamentos ou electrodomésticos que necessitem de electricidade ou petróleo ou outra fonte de energia. Apenas e só, a energia manual)
  • 4.       Educação natural (as crianças deverão aprender em casa e não na escola, com a natureza e através da Arte, Música, Religião)
  • 5.       Lida de casa natural (o cuidado do corpo e dos cabelos deverá ser sempre feita com produtos naturais)
  • 6.       Cura natural (não utilizar nenhum tipo de medicamento, apenas e só plantas naturais)
  • 7.       Nascimento e morte naturais (o nascimento deve ser feito em casa, sem a ajuda de médicos e/ou químicos)

E pronto, se quiser saber isto e muito mais, nomeadamente todas as receitas crudívoras que tenho vindo a comer durante esta semana, é só me enviarem um email para vos enviar o documento em português. Também podem contactar com o Reinhold Schweikert através do seu blog  http://paradiseislandfamily.wordpress.com/. Se quiserem vir viver para aqui uns tempos, é só falarem com ele. Ele tem um sonho de ter mais pessoas a viver aqui numa tribo, para fazer desta quinta um exemplo de ecologia no nosso país. Aliás, já tem quartos espalhados por toda a quinta à espera de visitantes e possíveis moradores, pois o seu sonho era fazer uma tribo da Ilha Paraíso, que se pudesse copiar por todo o Portugal. Quem está interessado, hém?

Além da ajuda na tradução deste documento, da parte da manhã fiz três actividades: vi como se faz queijo, vi como se tira o leite às cabras e acompanhei um dos filhos, que é pastor, no passeio das cabras. O queijo aqui é feito com cardos e somente com o leite da cabra e da vaca. Todos os dias são feitos 3 queijos, que são usados no dia seguinte como queijo fresco nas refeições e depois, com o passar do tempo são comidos como queijo já curado e posteriormente como queijo ralado. Uma das divisões da casa é somente para se fazer o queijo...

Depois fui ver, as 3 filhas mais velhas a ordenar as cabras. Na quinta há 22 cabras e são todas muito lindas! Não têm badalos, nem ferraduras, nem brinco na orelha. Comem as ervinhas dos montes e andam felizes e contentes. São umas cabrinhas mesmo biológicas. Foi muito engraçado o passeio que fiz com o filho mais velho, que é o pastor aqui da quinta. Todos os dias passeia as cabrinhas duas vezes: da parte da manhã durante 2 horas e à tarde, 3 horas. Eu acompanhei-o da parte da manhã e andámos sensivelmente 4 kilómetros. Foi um caminho que se fez muito bem, porque apesar de fazer umas festinhas às cabrinhas, conheci melhor o pastor e percebi os seus gostos e a sua filosofia de vida. Aprendi muito com ele. Disse-me duas coisas muito interessantes que passo a citar: “Eu gosto de todas as pessoas, porque se Deus gosta de todas, eu também tenho de gostar. Não há pessoas más, elas apenas estão doentes.” “Eu gosto de tudo o que faço. Faço tudo com gosto, porque assim tem de ser.” Fiquei a pensar como estas duas frases resumem de forma simples, verdades, que nem sempre estamos preparados para aceitar. Gostei muito de o ouvir. Falámos de música, de poesia, de ópera e quando lhe perguntei qual era a sua música favorita, escreveu-me num papel o seguinte nome: Maria Hellwing: Ersherzog johann-jodler... e Voilá, procurei no Youtube e aqui vai para vocês! 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Dia picante

Depois da minha primeira noite ao relento, que é como quem diz, num quarto que está espalhado pela quinta, mas que tem cobertores e um colchão para uma noite confortável, acordei com energia para trabalhar. Ou então foi das frutas dos cactos que comi, os ditos figos da Índia. O que vale é que o dia foi bastante variado, mas também bastante fluído, ou seja, as coisas foram-se fazendo.

De manhã fui apanhar ervas para dar de comer à vaca, chamada Selenata (acho que é assim que se chama... sei apenas que o nome quer dizer a “nata” do leite em Alemão) e da mula, que não tem nome. Depois de apanharmos ervas suficientes para lhes dar de comer, foi vê-las muito satisfeitas a comer cheiinhas de vontade a comidinha que lhes tínhamos preparado. Segundo me explicaram, elas comem duas vezes ao dia e no caso da vaca, ela também é ordenhada 2 vezes ao dia, sendo que no total dá 10 litros de leite. Eu achei que era mesmo imenso, mas quando o patriarca da família me disse que as vacas leiteiras do leite que bebemos empacotado, dão 50 litros de leite, pensei que alguma coisa não estava a bater bem. “50 LITROSSSSSSSSSSSSSSSSS...?!?!?! Mas isso é imenso!”, exclamei eu. E ele explicou-me que o normal seriam os 10 litros por dia, mais do que isso, só dão esse leite as vacas cheias de hormonas para que possam dar mais e mais leite... Bem, fiquei preocupada!

Depois desta tarefa, foi altura de ir pintar com as crianças da quinta. Pelo que me disseram, elas pediram ao pai se eu podia ir pintar e desenhar com elas. Como elas não falam português e eu não falo alemão, a nossa brincadeira foi a modos que muda, mas que funcionou, funcionou muito bem! Elas abriram um livro de animais, escolhiam o animal, eu copiava o animal para uma folha de papel a lápis e elas coloriam com lápis de cor ou com aguarelas. As crianças que brincaram comigo tinham entre 7 a 12 anos e eu pensei que tinha de fazer uns desenhos fáceis, mas quando vi as pinturas delas, fiquei de boquiaberta, porque pintam verdadeiras obras de arte. E pelo que me mostraram, também pintam a óleo e tudo... e digo-vos são cheias de arte! J Durante a brincadeira fiz o desenho de algumas delas e depois pedi para elas fazerem também a minha cara. A menina de 7 anos fez o meu desenho a lápis de cor azul (achei piada à cor) e a mais velha de 15 anos fez o desenho que está aqui no post. E digam lá que não está lindo?!

Da parte da tarde, depois do almoço e depois da sesta, fomos apanhar malaguetas... digo, imensas malaguetas... que depois de cortadas aos bocadinhos, à mão e à máquina à manivela, se colocou muito sal e se fechou em frascos para conservar. Segundo me foi explicado, depois de uns tempos podemos escorrer o líquido das malaguetas e juntando vinagre dá o tão desejado por alguns, Tabasco.

Depois desta tarefa, e depois de lavar milhentas mil vezes as mãos com água e sabão azul e branco, tenho-vos a dizer que toda eu estava picante... ora se passava as mãos pela cara, ficava a arder, as próprias mãos estavam a arder e como ainda por cima fiz uma ferida num dedo, com as malaguetas, acho que foi remédio santo: desinfecção perfeita! É assim a vida...

A vida aqui corre devagar... digo, anda devagar... mas de qualquer das formas, o dia pareceu que decorreu muito rápido... por outro lado, também se foi passando como se estivesse tudo perfeitamente coordenado e planificado.

E pronto, há ilhas e ilhas... http://www.youtube.com/watch?v=oQjX19ZPbDY

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Com o pilão na mão e o Fojo no coração


Hoje o dia foi longoooooooooo! Da parte da manhã, estivemos a acabar o caminho em pedra pequenina e branca, que eu já tinha falado há uns tempos, como denominado: “O caminho da paz”. A tarefa prendeu-se com fazer uns socalcos na encosta, para que em tempos de chuva, a pedra não fosse escorregando por aí a fora. Depois dos socalcos feitos, foi colocada a tal pedrinha nos mesmos, sendo que depois foi colocada essa mesma pedrinha em toda a encosta, de forma similar. Esta pedrinha, chama-se “Tubnan”, ou seja, esta palavra toda xpto, quer dizer todos os restos de pedrinhas e pózinho, que sobram quando se corta a pedra. No fim de todas as pedrinhas estarem distríbuidas é hora de pisar com o pilão para que as pedras fiquem todas juntinhas e presas ao chão. E pronto, lá me pûs eu com o pilão na mão, rampa acima, rampa abaixo para que as pedrinhas ficassem todas juntinhas e bem presas ao chão. Uma verdadeira odisseia, que só assim foi, porque estava uma calorada! ;)

Da parte da tarde, o trabalho foi colocar as juntas de cimento/areia/água entre as peças de tijoleira da cozinha, que ontem se começou a finalizar. Ora bem! Depois de fazer a massa para as juntas, foi colocá-la nos risquinhos, raspar e depois limpar. Como estava à sombrinha e sentadinha numa almofada no chão, foi um trabalho bem bom!!! Para não falar que fiquei toda branquinha e com cimento no cabelo. Quando fui tomar banho, ainda desconfiei da qualidade do shampôo que tinha feito na comunidade 5, com o belo do azeite, e pensei que talvez tivesse de pedir shampôo emprestado a alguém para tirar a massa cinzenta do meu cabelo. Mas não foi preciso! Não imaginam, como foi fantasticamente rápido retirar o cimento da cabeça, com o belo do shampôo de azeite. Bem bom!

O dia foi longo... Acabámos o trabalho lá para as 21h30 e o jantar foi decidido por unânimidade que seria pizza em forno de lenha. Assim, o pessoal começou a fazer a pizza a essa hora e foi pela noite toda. Acabámos de jantar já passava da meia-noite. As pizzas sobretudo vegetarianas, estavam fantásticas: com courgetes, beringelas, ananás, pimento, cebola, caril, pimenta, natas....... mas também chouriço e atum! ...fantásticas mesmo! Para sobremesa, pizza com chocolate, natas, banana, passas e canela... Hummmm... sem comentários! 

A noite foi longa... muito mesmo! As pizzas no forno de lenha, a companhia calorosa de todos, o fogo da lareira, o céu estrelado fantástico, a música tocada na viola, as conversas, os risos, as gargalhadas, as conversas disto e daquilo e por fim, o abraço à Fojo! Verdadeiramente imperdível! Foi um dia memorável, acreditam? A hora do recolhimento foi mesmo muito tardio, por isso, ficou combinado que o dia de folga fosse no dia seguinte, sábado e não, domingo, como é usual! Muito bommmmmmmmm! O Fojo no coração!... para sempre!


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aqui os ralos nunca estão entupidos


O dia hoje no Fojo passou por uma das tarefas principais, que foi acabar a casa da cozinha/sala colocando assim, a tijoleira no chão e as janelas. Não pensem com isso, que ficou tudo feito e que colocar a tijoleira no chão e pôr as janelas é tão rápido como se escreve. Nada disso. Além de se ter de deslocar a tijoleira de um sítio para o outro, o que demorou mais de 1 hora, uma vez que cada peça de tijoleira devia ter mais do que 5 kilos, tivemos de lavar cada peça de tijoleira porque já estava com alguns fungos de estar ao relento alguns dias e só depois colocá-la no chão. Claro que o chão não foi todo colocado num dia, mas sim uma das laterais da cozinha. Mas ficou bem lindo! Quanto às janelas, preparou-se apenas o espaço, ainda não existem vidros no espaço, mas estarão para breve, assim creio!

Durante estas tarefas, fomos presentiados pelo dono aqui do espaço, com um maravilhoso pão comprado aqui na zona, com um ainda mais maravilhoso azeite, aqui da zona também, que segundo a minha singela opinião e a de uma voluntária, sabe a azeite de ovo estrelado! Uma verdadeira delícia, que foi colocada na nossa boca, enquanto estavamos com as mãozitas cheias de terra, cimento e outras coisas que tais. 

Durante o dia há uma rotina própria que hoje vos conto, sendo ela:
6h30 – Acordar
7h – Dar de comer aos animais (galinhas, patos e cães) + fazer o pequeno-almoço + apanhar os verdes para as refeições
7h30 – Tomar o pequeno-almoço
8h30 – Lavar a loiça do pequeno-almoço + tempo livre
9h – Trabalho da manhã
11h30 – Fazer almoço
13h – Almoçar
14h – Tempo livre da tarde + lavar a loiça do almoço
16h/16h30 –Trabalho da tarde
18h30 – Fazer o jantar + dar de comer aos animais + fazer as regas das hortas e das árvores + tomar banho
20h – Jantar
21h – Lavar loiça do jantar e recolher

Geralmente nunca nos deitamos antes das 22h, porque ficamos sempre a conversar, aqui ou ali ou a falar sobre os grilos que estão a cantar. Desculpem, não são grilos, mas sim ralos. Os grilos fazem gri-gri, mas os ralos, que são os animais cantarolantes aqui do Fojo fazem Griiiiiiiiiii, logo são ralos, é assim o nome científico!

Hoje, o nosso período de descanso, que geralmente, pelo menos comigo é passado a dormitar na minha tenda ou a ler mais um capítulo do “Dormir nú é ecológico”, foi diferente. Tivemos uma aula de como fazer dentífrico com produtos naturais, ensinado por uma das voluntárias. Então experimentámos dois tipos: um amarelo e um esverdeado. Sendo que o amarelo foi colorido com açafrão e o esverdeado, com poejo. Disse, quem o “provou” que o de poejo estava saboroso, não fossem as folhinhas que iam ficando nos buraquinhos dos dentes, seria perfeito. Quanto ao de açafrão... bem, os dentes da pessoa que o experimentou, ficaram assim a modos que... digamos, amarelos! Ahahah... e como não queremos dentes amarelos, não sei qual será o destino desse dentífrico! 

Hoje também tive uma primeira vez: fiz comida vegetariana para 10 pessoas. E como para mim, o mais simples, fácil e saboroso é massa, assim fiz uma “massa com cenas”, como diria a rapariga onde vivi na anterior comunidade. Ou seja, traduzindo: cenas, são todos os legumes que aparecem pela frente quando se está a fazer a dita iguaria.

E pronto, hoje o dia foi assim... Foi também presentiado por uma ida à Biblioteca mais próxima daqui, que fica a 8 kms, uma vez que como já vos disse aqui não há electricidade. Usam-se painéis solares, forno a lenha ou as mangueiras que vão aquecendo a água do banho e algumas luzes na cozinha/sala ligadas a um gerador. De resto nada mais. Nada de frigoríficos, microondas, secadores de cabelo ou máquinas de lavar roupa ou loiça. Aliás, a roupa aqui é lavada num tanque a 1 km de distância! “Fínissimo”,diria eu!

http://www.youtube.com/watch?v=Liz6e4JYP6w

domingo, 22 de julho de 2012

A maternidade é uma coisa mágica!

A minha Luna Olive teve filhotes! Bem, não foi hoje dia 22, mas sim dia 20 mais propriamente quando eu tinha acabado de chegar da vivência da 5.ª comunidade! E são 5 rebentos muito giros!

Filhos do mesmo pai, (porque cá em casa, o casal dos gatos é totalmente monogâmico) saíram 2 laranjas, 1 preto e branco, 1 branco e 1 cinzento muito escuro! O pai é preto e branco, por isso, sabe-se-lá de onde vem o amarelo... Deve ser da mãe que é uma "salganhada" de cores!

Tive muita pena de não os ver nascer... muita mesmo! Nunca assisti a nenhum parto e gostava imenso de ver a sabedoria da minha gata, que ainda nem sequer tem 1 ano, a lidar com esta primeira experiência materna. Mas assim é a vida de trocas, não se pode estar em todo o lado! 

Quando cheguei a casa, tinha a mãe, os filhos e o pai todos na mesma caixinha, feitos família feliz! E do lado de fora, a minha cadela a querer cheirar tudo e a ganir baixinho, porque não estava a perceber os novos sons cá de casa (o miar chorando destes bebés felinos). 

Agora somos 10 bichos cá em casa: eu, a minha companheira de casa, a minha cadela Azeitona, a Luna Olive, o Poppey Olivier e os 5 gatinhos que não têm nome, mas para mim são todos uns "jeitosinhos belivadores"! E são tão fofos! E reguilas (principalmente os laranjas) na competição ao leite! E têm os olhos tão fechadinhos... e tanto pêlo que já têm! (Tudo descobertas que eu fiz, porque não tinha a mínima ideia de como é que os gatos vinham ao mundo.)

Neste momento, a minha vida "ainda" está santa... eles mal se mexem, não saem da cama onde está a mãe, as fezes que fazem a mãe come, só se alimentam do leite materno, por isso, nada de despesas e sujidades... mas daqui nada... Ui... Vai ser lindo, vai!!! 10 bichos num T1! Salve-se quem puder!

(PRECISO DE DONOS BELIVADORES, URGENTE.............. HELP)

Toda esta minha nova experiência fez-me pensar em muita coisa nova... (passando a redundância)
- como a natureza é perfeita, tudo se recupera, tudo está certo, tudo é o que é. O leite serve para amamentar, as fezes dos filhos são comidas pela mãe, as maminhas são muitas para dar para todos,  etc etc etc... 
- como as mães "bichezas" já têm todo o conhecimento inato, do processo pré-parto, parto e pós-parto, sem necessitarem de cursos e cursinhos de acompanhamento da gravidez ou de consultas preventivas da depressão pós-parto, ou problemas de auto-estima corporal e afins... Têm tudo lá dentro... é o que tem de ser... com a aprendizagem ao ter a maior calma do mundo, deixando os bebés chorarem de vez em quando... saindo de ao pé deles para tratar de si... estar totalmente disponível na amamentação... gostar de ali estar (reparei que a minha gata durante o processo de amamentação está constantemente a ronronar...)... ter prazer em ser mãe, sem complicações do "Será que é a altura certa? Será que sou nova? Será que sou velha? Será que vou ter complicações? Será que precisarei de "epidural"? Será que o pai vai aceitar bem as crianças?..." É aquilo que é.... e pronto, é o que temos!
- como os bebés começam tão pequeninos com a competição inata da alimentação e quando já se defendem e procuram naquilo que pretendem alcançar, mesmo sem conseguirem ver... lá vão eles às apalpadelas... porque afinal, viver é andar às apalpadelas em caminhos por vezes pouco seguros! :)
- como cada vez mais, temos de deixar rolar o que a natureza quer e pensou para nós. Por exemplo, disseram-me que geralmente quando as gatas têm muitos filhos (como é o caso da minha) morrem de cansaço e de tanto leite que dão e por isso, muitas pessoas, não deixam viver alguns filhotes para que a gata sobreviva. Quando me disseram que talvez fosse algo para eu fazer... só o facto de pensar sobre isso... me arrepiou os "pelinhos" todos que tenho! Não era/sou mesmo capaz! Por isso, a minha resposta foi que veríamos o que acontecia... veríamos o que a natureza guardava para nós... para a minha gata e para os seus gatinhos. Claro que a primeira noite foi quase toda em claro, cada vez que via um a chorar... lá ia eu ver o que se passava! Dava água e comida à minha gata-mãe, compunha a roupa, etc... mas quando dei por mim, a pensar que devia limpar um "cócó" que um deles tinha feito, pensei: "Andresa, essa não é a tua função... não interfiras." E assim foi... agora estão por conta deles.... mas eu estou de olho e de vez em quando faço umas festinhas à mãe para ela ronronar ainda mais! :)

Cada vez mais tenho pensado em fazer ou não um método contraceptivo para um dos meus gatos... mas sinceramente ainda não me decidi. Não queria fazer operações para que ficassem "incompletos" e também não lhes queria dar químicos... Se soubesse que tinha sempre uns futuros donos belivadormente azuis, tomava a decisão de deixar andar... deixar ser a natureza a comandar! A ver vamos... vou continuar a reflectir!

E hoje deixo-vos o meu vídeo preferido de sempre... com gatos!!!! Espero um dia fazer isto a um dos meus bebés... depois filmo e publico no youtube, boa? Espero que se riam tanto como eu ri... e pus o meus colegas do meu antigo trabalho, a rir! http://www.youtube.com/watch?v=CwFN4bl2wvA

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Fazer as pazes com a minhoca!

A coisa mais fantástica que este meu amigo aqui tem em casa e que ele próprio fez, tem o nome nada mais nada menos do que: Fogão Foguete!  (ver mais em http://www.youtube.com/watch?v=rtM2NYfTEJI) Não, não é um fogão espacial, mas é um fogão especial que realmente não precisa de gás, nem electricidade, apenas e só de uma simples pinha e 3 pauzinhos de madeira, que às vezes até dão para duas vezes!

Este fogão foguete faz tudo o que vocês possam imaginar, desde grelhados, crepes, café da avó feito na cafeteira metálica, cozidos, etc, etc... Mas o mais fantástico de tudo é que este meu amigo, construiu o seu fogão foguete e neste momento até já vende ao público (se quiserem contactar com ele, segue a página dele, mais uma vez:  https://www.facebook.com/PermaBio). E é tão sustentável que basta ir aqui a uma mata perto de casa para apanhar uns pauzinhos que estão no chão e algumas pinhas para atear o fogo. E foi isso que hoje eu fiz: fomos à lenha, acendi o fogão foguete e ajudei na elaboração da refeição, sobretudo vegetariana, com produtos biológicos, entregues directamente do produtor e em casa, já que na varanda ainda não cabem todos os vasos para uma horta sustentável no dia-a-dia. :)

Começo a pensar que realmente não precisamos de muita coisa complicada e sobretudo cara, para viver... por exemplo, damos um dinheirão por placas de cerâmica (agora até há umas que aquecem através de indução, com panelas especiais de corrida e tudo) e exaustores caríssimos e modernissímos (ver estes por exemplo: http://www.decoralis.com.pt/star-de-elica-exaustor-de-cozinha-de-design-00470/). Mas o que precisamos apenas e só, para cozinhar, comer e viver é de um espaço ao ar livre e uma simples lata de tinta, que reciclada se transforma num fogão foguete. Bem... para sermos ainda mais simples, podemos sempre ser totalmente crudívoros, né?

Outra experiência que tive hoje... foi a ligação mais directa da minha vida, que se tornou em fazer as pazes, literalmente, com as minhas queridas minhocas da compostagem. Pois bem, não sei se lembram, num post anterior, sobre  a minha "aversão" a ter na minha cozinha mínima, um compostor com... MINHOCAS! Isto na era do meu segundo ex-marido, claro! Pois bem, aqui na casa deste meu amigo, como não podia deixar de ser, ele tem um compostor muito chique (ver mais em http://www.ecominhocas.pt/). Este compostor tem 3 níveis onde as minhocas vivem consumindo os restos de comida, excepto citrinos e alimentos com gordura! (Bem... deve ser por causa desta especificidade que na altura em que tive compostor, as minhocas morreram todas!!! :) Acho que na altura colocávamos tudo e mais um par de botas no compostor, excepto carne e peixe, claro está!) Além dos três níveis, o compostor tem também uma torneirinha onde se extrai o chá de composto, que é nada mais nada menos do que o líquido proveniente da trabalheira que as minhocas vão fazendo ao longo dos dias e que é óptimo para usar na rega das plantas, dando um poderosíssimo efeito de "power"! 

Mas a sério... é mesmo fantástico ver os restos da nossa comida ser colocada no compostor e após vários dias, vê-la com o aspecto de terra, sem odores e sem restos da comida! Não acham que as belas das minhocas fazem um trabalho mesmo fantástico?!?! Eu acho!!! Essas é que vivem mesmo à troca. Dão-nos fertilidade à troca de comida, já viram que vidinha santa? Pronto, está decidido na minha próxima reencarnação quero ser minhoca! LoooooL... Bom... por enquanto, acho que me fico nesta vida, e começo, em breve, por ter um compostor, na minha mínima cozinha com as ditas minhocas! :) Assim sendo, aproveito a comida, dou de comida a seres vivos e adubo com estrume as plantas da minha praceta! Assim, volta tudo ao ciclo da vida!!!! Começa num ponto e termina no mesmo ponto... sai da terra e vai para a terra! Como tudo o que devia ser na vida!

...

Hoje à noite... andei 6,5 kms! Epah! Estava de rastos... aliás, ainda estou! Pois é, acho que o meu maior handicap, nesta coisa da vida saudável é mesmo tudo o que dependa do meu corpo, ao nível do esforço físico. Chamem-me de preguiçosa ou gordinha ou sei lá, mas o que é facto é que andar, correr, fazer ginástica ou outra coisa que tal, excepto estar com o rabiosque à frente do computador, me parece sempre muito esforço! Bem... dizer isto aqui, parece mesmo mal... eu que quero ser uma pessoa saudável, ecológica e poupada, não me parece muito bem, dizer a viva voz que NÃO GOSTO DE MEXER UM PÉ! Pior ainda, se forem os dois e a uma velocidade mais que 500 metros à hora! :)

Pois é... é aqui que está o meu calcanhar de Aquiles e é aqui que vou ter de insistir, sabe-se lá como! A verdade, verdadinha é que eu julgava que não conseguia, de todo, andar nem que fosse um kilómetro e a verdade, verdadinha é que por exemplo hoje, no total, andei 8 kms. Para mim é uma grande meta! 

Bem, uma grande meta e umas grandes dores nos pés, nas virilhas, nos gémeos, nas canas das pernas e tudo o mais que se situe da cintura para baixo! LoooooL... Contudo, também percebi que o meu ex-marido é que tinha toda a razão do mundo: "Andresa, uns bons sapatos valem uma vida!" E assim foi, foi com ele que comprei as botas de andar/montanha mais caras da minha vida, (que valiam uma colecção inteirinha de Primavera/Verão de sandálias fashions do chinês) e que até hoje, são as botas com maior durabilidade da minha vida! Conclusão: comprar caro, nem sempre é consumismo! Comprar caro pode e deve ser, pensar em grande, pensar no futuro... e já agora, pensar nos pés! 

Pois bem, eu não pensei nos pés quando fiz a mala para vir para aqui e por isso, logo no primeiro dia fiquei com uma borrega (eu traduzo, borrega em Castelo Branco é sinónimo de bolha) num pé! O raio da "bicha" (borrega) está a melhorar a seu tempo, com o bálsamo de Calêndula que o meu amigo me facultou e que também é da sua autoria! Miraculoso! :)

Enfim... é a vida... e na vida o que precisamos mesmo de fazer é começarmo-nos a mexer... quer seja fisicamente, quer seja mudar de mentalidade, quer seja a mudar de vida, quer seja a mudar de hábitos, quer seja a mudar a sociedade ou algo que para nós não faça mais sentido... O que interessa, pessoal é: "Start to move" : http://www.youtube.com/watch?v=LknjfLqsyd8&fb_source=message


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Dia de silêncio


Aqui nunca há silêncio! Nunca! Sabem, aquele silêncio que se ouve na cidade, às tantas da noite, nos breves segundos em que não passa um carro?! Pois é, aqui não há! Bem, aqui também não há carros a passar... ou comboios, ou metro, ou barco ou outros barulhos citadinhos... mas aqui nunca há silêncio! Nunca! Porque se ouve sempre o som das cascatas, as folhas a bater ao vento, um passarinho a chilrear ou as abelhas, borboletas ou moscas a voar... Aqui o silêncio não existe... aqui existe música constante! Sempre... A música da natureza!

E além do silêncio que aqui não existe, parece que aqui não há o sentimento de solidão, que muitas vezes aliamos ao silêncio... porque parece que estamos sempre acompanhados pelo pássaro que pia à nossa volta, ou pelo vento, ou pelo miar do gato que quer uma festinha... parece que o silêncio é um silêncio de protecção, como se algo exterior a nós e enorme a nós, pudesse de facto nos guardar, nos proteger, nos encaminhar... 

O silêncio da cidade é mais acutilante... porque quando há silêncio, nos breves segundos em que os semáforos já não funcionam, os carros não passam, ou as pessoas não falam ao telemóvel, nesses instantes há de facto silêncio... um silêncio gélido que nos deixa sós, connosco mesmos num momento cinzento das nossas vidas!

Hoje o dia foi de silêncio e também o meu último dia por cá. A foto que hoje coloco foi tirada ontem, antes do dia do silêncio, não com todas as pessoas com que passei estes dias, mas com algumas... A foto foi tirada ontem, porque hoje além do silêncio, não houve contacto visual, não se podia comunicar com os animais, ou ler, ou ouvir música... apenas e só, estar connosco próprios nas tarefas delineadas para o dia.

O meu dia foi nas limpezas... principalmente nas limpezas das casas-de-banho e do duche. Mas acho que foi mais um trabalho de "limpeza pessoal"... Um trabalho sem ter necessidade de usar a palavra, um trabalho de mim para mim. E sabem que mais? Soube-me muito bem... Muito mesmo! É muito raro estar calada um dia inteirinho, a não ser que esteja em casa na minha vidinha... E quando comentei que iria estar um dia todo em silêncio, as pessoas que melhor me conhecem disseram logo que devia ser difícil para mim... mas não foi nada... aliás, foi mesmo muito bom! Um longo dia de silêncio... Quando saí daqui para o mundo lá fora, na minha viagem para Lisboa, voltar a ouvir música no carro parecia-me descontextualizado... falar com pessoas a pedir as indicações, parecia que a voz não me saía normal... tudo isto, devido e só, ao silêncio... 

À noite, depois da meditação, tivemos a reunião de grupo "discussão de consciência" e só naquela hora pudemos comunicar uns com os outros sobre o nosso sentimento do "aqui e agora"... e o som das palavras depois de um dia de silêncio foi belamente ensurdecedor! :) As palavras saídas das pessoas que tinham estado um dia em silêncio... o facto de durante um dia não se ouvir palavras... e a qualidade da escuta, foi surpreendente! Parecia que todos nós, tínhamos um outro tipo de voz... não sei explicar bem, como se fosse uma voz de unidade.

Esta procura da "consciência", é feita através deste dia de silêncio, mas também no tipo de meditação que se pratica, na forma como se trabalha, como se vive em comunidade, como se procura a busca incessante de se ter menos ego e de se caminhar para uma evolução iluminada, por que todos começamos a despertar neste momento. O impulso do despertar está cada vez mais alerta, cada vez mais presente... porque a verdade é que o despertar está a ser feito, o mundo está cada vez a dar mais passos na sua evolução... e rapidamente tudo ficará azul. O que quero com isto dizer é que como outro dia ouvi dizer numa palestra: "Os humanos estão finalmente a juntar-se com as mesmas preocupações... ainda não conseguem estar juntos para resolvê-las, mas finalmente já se preocupam com o mesmo." E é esse o despertar! O despertar que está na hora de cuidar de todos, do mundo, das pessoas, dos animais... não é o mundo, o Planeta Terra que tem de ser salvo, porque ele, bem ou mal sempre vai existir... o que deve ser salvo, são as pessoas, para que possam continuar a existir neste mundo... 

Andrew Cohen fala um pouco sobre tudo isto em: http://www.youtube.com/watch?v=0_WrAt1QFak

E deixo-vos também o som do silêncio, que existe mais ou menos no dia-a-dia do "Awakened Life Project" http://www.youtube.com/watch?v=kGgTuEcuOoI e uma música que fala da mais pura das verdades: "You can´t always get what you want" http://www.youtube.com/watch?v=0_WrAt1QFak

Grata*

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ora, apanha aí!


Hoje foi o dia da apanha! Eu explico! Da parte da manhã apanhei os verdes para fazer a salada das refeições de hoje. Os verdes são os alimentos verdes, ou seja, as folhas verdes para fazer a salada. Claro que não fui sozinha fazer esta tarefa porque se fosse, acho que apanhava tudo menos o que fosse comestível! É que escolher os verdes, para mim não é tarefa fácil. Eu de verdes para salada, só conheço: a alface e a rúcula. E como aqui não há alfaces, fico-me com uma escolha muito reduzida. Pois bem, aqui as saladas são feitas com imensas folhas diferentes, a saber: folha de videira, folha de favas, folhas de funcho, folhas de amaranto, folhas de hortelã pimenta, rúcula selvagem e outras tantas que não me lembro do nome. Só vos digo que as saladas ficam bem mais giras e saborosas do que as que habitualmente comemos com a alface “pré-fabricada” que não sabe a nada! (Mas eu gosto muito de alface!)

Depois deste “apanhamento”, fui apanhar folhas secas para fazer uma técnica de permacultura. Fui apanhar um saco grande de folhas e ervas secas, mesmo ao pé da ribeira, com uns fetos bem verdinhos, numa escadaria de pedra-xisto “abandonada” nos limites da quinta... Com o cheiro da natureza, com o som da ribeira e aqueles raios de luz aparecendo de onde em onde através das árvores e dos fetos, parecia que estava numa floresta encantada... e acho que se visse por lá a passar uma fada ou um duende, acho que não acharia nada estranho... mas sim, contextualizado! O cenário perfeito para fazer a peça “Sonho de uma noite de Verão” do Shakespeare.

Por falar em apanhar... depois do almoço, quando me recolhi na minha tenda para escrever o meu dia no meu blog, apanhei umas framboesas pelo caminho. Vocês conseguem imaginar o prazer de apanhar framboesas vermelhinhas a meio de um caminho, sem as ter de lavar, indo directamente para a nossa “barriguinha”? Pois é! É fantástico! Acho que se começou a tornar um ritual... ao passar nas framboeseiras, tiro sempre uma e deleito-me com esse prazer de arrancar-comer! Mas hoje, foi uma mão mais cheia, porque serviram para o meu lanche!

A Quinta da Mizarela situa-se numa encosta e tem várias casinhas de pedra, umas já recuperadas e outras ainda em ruínas em fase de recuperação. Neste momento, existe uma casa propriamente dita onde vive o casal que gere esta quinta, a casa onde tem a sala da meditação, a casa dos espaços comuns (com cozinha, sala de jantar, sala estar, casa-de-banho e escritório) e a casa para tratamentos (massagens e outros) que está a ser recuperada. Além das casas, há casas-de-banho composto e duches, espalhados pelo terreno. Existe também a Yurt que é mais utilizada para quem vem de fora e quer alugar um espaço onde ficar. Os outros espaços da quinta, são: o galinheiro, a horta, a casa dos burros, as colmeias e um terraço com um toldo verde onde se fazem actividades ou reuniões de grupo ao ar livre. Ao pé da quinta, passa uma ribeira de onde é retirada a água para a quinta, que tem umas cascatas bem pertinho para quem se quer deliciar nas suas águas “gélidas”. J

Amanhã é o meu último dia nesta comunidade... Aqui não fico 1 semana inteira como de costume, porque tenho de estar em Lisboa no sábado para participar num seminário. Amanhã é o meu último dia, mas hoje foi o dia das despedidas, porque amanhã é o dia do silêncio aqui na comunidade. Assim sendo, todas as actividades para o dia de amanhã foram combinadas hoje à hora do jantar e amanhã durante todo o dia as tarefas são feitas em silêncio. É um dia introspectivo, connosco mesmos... A ver vamos! J

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tomei banho com uma bailarina!


Admiro as pessoas que trabalham todo o ano nas quintas, a cuidar da terra, dos animais, da casa... admiro mesmo! Não sei se na minha perspectiva é falta de hábito ou não foi meu costume ou então eu não nasci mesmo para este tipo de vida. Acho que em grande parte, a minha grande dificuldade se prende com a minha forma física não ser das melhores e por isso, me canso mais... e sinto mais dificuldade a fazer tudo. 

Estas casas da quinta, onde está a cozinha e a sala comum ficam no alto da serra, tendo-se de descer uns 4 ou 5 socalcos, traduzido em resmas degraus, feitos de xisto, muito bonitos, mas muito desregulares nas alturas, cada um do seu tamanho e feitio que me custa muito subir e descer. Por isso, estão a ver, cada vez que se preciso de alguma coisa das casas, toca a subir a serra, toca a descer a serra, toca a subir novamente. Pelo menos durante o dia, no mínimo tenho de subir e descer umas 3 vezes, mas o pessoal aqui faz isso com uma perna às costas e desce e sobe muitas mais vezes. E parece que não lhes custa nada! Às tantas nem custa... J Por isso, admiro as pessoas que trabalham da terra, porque as condicionantes são tantas... e tem de se saber tantas coisas, como a altura para plantar, escolher entre semear ou plantar, técnicas de lidar com os animais, já para não dizer, conseguir diferenciar as mil espécies de plantas verdes que cresce nas hortas.

Aqui a vida é sempre a subir (a serra) e a descer (a serra). E não é que para fazer uma simples ligação à internet ainda é pior?!?! Pois é... na Quinta da Mizarela há internet, mas como é limitada e aqui vive muita gente, os voluntários se quiserem ligar-se à internet têm recorrer a um clube recreativo numa zona aqui perto, chamada de Pardieiros. E é onde eu hoje fui para me ligar um bocadinho à net, ver as mensagens, os emails, o facebook e actualizar o meu blog. E tenho-vos a dizer... que se aqui continuasse mais tempo, deixava de o fazer e o vício da internet seria completamente ultrapassado num instantinho... a subida até ao carro é de “morte”... são 20 minutos a subir, a subir, a subir, que eu fiquei logo com os bofes de fora num ápice... Depois, da subida, 10 minutos de carro, na curva contra curva... o caminho é perto, mas as curvas da serra têm de se fazer com cuidado... e por fim, ufa, internet! J Fiz isto no meu tempo livre entre as 14h e as 16h, mas com tanta descida e subida tive nada mais nada menos do que apenas 1 hora na internet. Melhor que nada!

...

Quanto às minhas tarefas, hoje limpei as janelas da sala da meditação e mudei a serradura do galinheiro! Esta parte foi mesmo muito engraçada! Além de ter de tirar as “necessidades” do galinheiro, varrê-lo e limpá-lo de novo, no fim, coloquei um ovo que dizia: “Do not remove”. Ou seja, um ovo que tem isto escrito na casca para quando a pessoa for limpar o galinheiro voltar lá a colocá-lo. E isto tudo porquê? Porque as galinhas têm de saber que é ali que se chocam os ovos e não noutro sítio qualquer! Giro, hém? No fim dos meus afazeres ainda consegui fazer uma festinha numa delas, que teimava em “viver” dentro do balde onde coloquei a serradura suja! J

Hoje fiz mais uma coisa pela primeira vez, além de limpar o galinheiro, que nunca tinha feito! J Tomei banho com uma bailarina! LooooL... Eu explico! O duche da zona dos voluntários é muito giro... tem uma parede de pedra de onde saem umas flores lindas azuis, um espelho prateado e uma bailarina! Mas esta bailarina que vos falo não tem “tutu”... é como se fosse uma caldeira, onde se coloca lenha a arder para que possa aquecer um tubo de alumínio que aquece a água do banho! E foi a minha primeira vez a acender um lume: atear fogo a uma pinha, da parte de baixo, colocando o lume para baixo, colocar dentro da bailarina (epah isto pareceu mal em escrever.. lolol) e depois colocar lenha até fazer um fogo suficiente para que o tubo aqueça e faça um banho jeitoso! Muito bom!!!



terça-feira, 3 de julho de 2012

Um coice por dia nem sabe o bem que lhe fazia!


Acordei às 6 horas da manhã como se tivesse dormido uma eternidade. Realmente dormir no campo, no meio da natureza é muito bom... e quando se dorme 8 horas é ainda muito melhor... e quando se sai à rua e se vê o orvalho como a primeira imagem da manhã é ainda muito, mas muito melhor!

Dormi na tenda dos voluntários, com uns colchões e um saco cama emprestado... mas parece que dormi na cama big size do Sheraton... eheheh... 

Na casa principal, existe uma sala comum que tem dois quadros, um deles com a distribuição das tarefas diárias e semanais e um outro com a lista das tarefas de rotina. Quanto às tarefas já falei ontem. Hoje vou falar da rotina.

6h30 – Acordar, se bem que esta hora é decidida por cada um. Após acordar, permanece-se em silêncio.
7h – Meditação: esta meditação é feita sentada, em silêncio e de olhos fechados. Não há música ou sons ou outro tipo de orientação. É pura e simplesmente ficar consigo próprio e ver o que acontece... porque acontece o que tem que acontecer!
7h45 – Momento livre ou de exercício: cada pessoa pode aproveitar este tempo para fazer uma actividade que queira, tal como um passeio, um banho na cascata, ler um livro, fazer exercício físico ou as suas tarefas pessoais tais como tomar banho. Neste momento, o silêncio já não é mantido.
8h30 – Pequeno-almoço: sobretudo cereais, fruta, leite de aveia ou cabra, mel ou chá. Adoro comer as framboesas acabadas de colher ou os alperces vindos directamente da árvore. Durante o pequeno-almoço há distribuição de tarefas para o dia ou dão-se recados gerais.
9h30 – Ínicio do trabalho da manhã: cada pessoa na comunidade tem a sua tarefa e a sua função, que podem ser, na horta, na oficina, nas lides domésticas, entre outras.
12h30 – Fim do trabalho da manhã
12h45 – Meditação
13h15 – Almoço: sobretudo saladas cruas e um prato cozinhado, bolachas integrais, fruta e para beber chá ou água.
14h – Momento livre e descanso: durante este período cada pessoa poderá escolher o que pretende fazer. Por ex: descansar, passear, trabalhar no computador, ler um livro, entre outros.
16h – Ínicio do trabalho da tarde: que poderá ser a tarefa que se iniciou de manhã ou outra.
19h – Fim do trabalho da manhã
19h30 – Jantar: similar ao almoço
21h – Meditação
21h30 – Fim do dia

Hoje o meu dia de trabalho foi a pintar com óleo de linhaça umas tábuas de madeira para fazer um tecto de uma casa. Juntado ao óleo de linhaça foi colocado um pouco de petróleo para afungentar os insectos que queiram dar uma trincadela na madeira... Esta não sabia eu! Pintei no total 150 tábuas de madeira. Mas foi bastante agradável...  Senti-me novamente o karate kid! J

Da parte da tarde, tive de “interromper” a tarefa para ajudar a montar a YURT (ver mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Yurt) feita de paus pintados de laranja com flores, em forma circular e um tecto em forma de cone. À volta destes pauzinhos são colocadas 4 capas, que mais parecem as saias das nazarenas. Parece simples ao dizer, mas colocar é mesmo a modos que complicado. Éramos 4 e demorámos umas 2 horas. :)

Hoje à hora do jantar foi proposto fazer um brainstorming sobre o que é ser uma pessoa sustentável. Achei muito curioso o tema, pois tenho pensado no que é que o ser humano se irá tornar em breve. Será que vamos estragar o mundo de tal forma que não sobreviveremos ou será que nos vamos tornar tão sustentáveis que não vamos precisar de “estragar” mais o mundo?! Bem... o futuro o dirá!

...

Relativamente ao título do blog de hoje, a curiosa história de hoje passou-se com os dois burros, cá da quinta: o Nuno e o Mingo.  Estava eu nas minhas andanças entre a tenda e o duche quando vejo duas das voluntárias paradas ao pé da cerca dos burros cá do sítio. Perguntei-lhes o que se passava, ao que me responderam que tinham de passar pelos burros, mas tinham medo que os ditos cujos as mordessem ou lhes dessem um coice. “Hummm pensei eu. Não deve ser díficil, afinal são apenas animais, que parecem inofensivos.” E lá fui eu, feita aventureira e "chica esperta" a passar pelos animais, com direito a umas festinhas do focinho e tudo. “Amorosos” – pensei eu. E são mesmo! Não sei porquê mas desde que o projecto começou que estou bem mais próxima dos animais, não sinto medo deles e mais do que isso, sinto-me muito conectada com eles. Só me falta perceber o que eles dizem. LoooL... Precisei de passar mais uma vez por estes animais, mais uma festinha e mais um sorriso na minha cara! E por fim, precisei de passar uma terceira vez... e voilá, coice valente na minha perna! Vá lá que não cai ao chão... “E pronto” – pensei eu – “sorte de principiante.”

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A minha primeira vez!

Estive pr'aqui a pensar a quantidade de coisas que já fiz pela primeira vez, na sequência do meu desafio pessoal.

Ora vejamos:
- subir a uma árvore
- comer um bolo crú
- comer rosas no arroz
- conduzir uma carrinha grande
- apanhar fruta
- fazer doce de alperce
- dormir numa tenda marroquina colectiva
- aprender a andar de bicicleta
- usar uma casa-de-banho seca
- lavar os dentes com um pó artesanal feito de bicabornato de sódio
- ver uma cobra enorme ao vivo e a cores (e solta)
- ver uma nuvem com as cores do arco-íris (dias antes do projecto iniciar, mas foi devido ao projecto, por isso, listo aqui também)
- aparecer numa capa de revista
- dar entrevistas à televisão
- visitar a Madeira
- plantar uma árvore
- dar abraços a desconhecidos
- sorrir para desconhecidos condutores de outros carros, quando estava a conduzir
- andar descalça em plena rua de uma cidade
- dar boleia a desconhecidos
- falar num cabaret circense
- convidar desconhecidos para jantar na minha casa
- comer queijo por "simpatia" (a única coisa que não gosto de comer é queijo com sabor a queijo... e tive de comer devido a uma "troca")
- emprestar o meu carro a um desconhecido
- trabalhar na cozinha de um restaurante
- limpar casas-de-banho públicas
- fazer uma sessão fotográfica aos pés
- pedir guarida a uma "quase" desconhecida
- deixar a minha casa à guarda de um "quase desconhecido"
- estar quase uma semana sem telemóvel
- comer uma refeição com alimentos respigados no caixote do lixo
- ter mais de 2 dias sem tomar banho por "condicionantes externas" 
- olhar para as estrelas com verdadeira paixão
- acreditar que todos juntos somos um só
- ... 

"We're one, but we're not the same" http://www.youtube.com/watch?v=ZpDQJnI4OhU

sábado, 23 de junho de 2012

Estive a assar sardinhas...

Mais uma vez, um dia em cheio... Ora aqui vai:

10h - Reunião com o director de hotel do Four Views (ver mais em http://www.four-views-baia.com/pt/index.html) porque hoje é noite de São João e aqui na Madeira nesta noite fazem-se uns festejos do São João super engraçados, na praia, intitulados "Ceia de São João". O pessoal leva comida para a praia, partilha a comida e depois à meia noite dá o mergulho de São João. Eu andei a ver se conseguia ir a alguma ceia destas, com alguma família de cá do Funchal, mas o que me arranjaram, foi ir trabalhar para um hotel, onde se festeja o São João com a ceia típica. Claro que alinhei e por isso, lá fui reunir-me com o director do hotel, para combinar a troca: ajudar na ceia de São João, em troca de provar as belas iguarias madeirenses e ver o fogo de artifício, do Festival do Atlântico (http://www.festivalatlantico.com/) à noite.
11h30 - Visita ao Mercado dos Lavradores, onde vai ser a feira de trocas de amanhã. Fui falar com alguns comerciantes sobre as trocas e conhecer o espaço. E foi engraçado, porque alguns tinham-me visto na televisão e como comerciantes, não gostam muito da ideia das trocas, né?! Assim, não consegui fazer grandes trocas, mas provei a banana da Madeira, a delícia das mulheres, a pitanga, o maracujá banana e mais alguns frutos que agora não me lembro do nome. Porque a Madeira tem frutos até mais não.
13h - O almoço foi um pic nic na praia, com uma das pessoas que organizaram a Feira de Trocas, do movimento em transição e onde se tirei a foto deste post. Bem, estive uns 30 minutos à beira mar a comer as belas iguarias que ela me levou e apanhei logo um escaldãozito no nariz e na testa... Assim, já posso dizer que fui à praia na Madeira. :) A vista para a praia é linda em todos os sítios da Madeira, aliás de quase todos os sítios da Madeira se vê o mar... e isso é mesmo bom! :) Acho que só há um sítio, o Curral das Freiras, onde o mar não se avista!
17h - Fui dar uma palestra na Fnac do Funchal... Ainda se juntou um grupinho de umas 50 ou 60 pessoas e foi muito bom... o ambiente e as pessoas foi mesmo azul à Believe.
19h30 - Lá fui eu fazer a troca com o hotel. Assei sardinhas no fogareiro à beira de piscina onde o jantar foi servido, arranjei pão de alho e lavei a loiça! Tenho muita admiração por quem trabalha na hotelaria, sempre tive. Porque cansados, de pé, com rapidez e prontidão suficiente, têm de ser sempre simpáticos e profissionais, trabalhar em dias de folgas se for preciso, aos fins-de-semana e feríados, por turnos, tirando geralmente férias em alturas que não há férias, apenas e só porque trabalham para servir quem está de lazer. Enfim... 
22h30 - Lá vi o fogo de artifício de um varandim do hotel, onde não havia clientes, degustando a ceia de São João com os pratos típicos da madeira, tais como: maçaroca de milho cozidas, batata doce, semilha (que é a "nossa" batata normal), pescada panada, atum de escabeche, bacalhau de cebolada, atum ao sal, milho frito, salada de polvo, castanhas com laranja, etc etc... era tanta comida, mas tanta... que foi mais uma vez, que me pus a pensar com os meus botões, como há tanta comida nuns sítios e tão pouca noutros... :(
O fogo de artifício foi lindo... de todas as cores e feitios, no fundo do céu e do mar, parecia magia saltitante... Ao som de música cronometrada parecia magia pelos céus... muito lindo! Fiquei a imaginar como será na passagem de ano, quando toda a ilha se enche de artifício por todos os lados e todos os cantos... deve ser de cortar a respiração!

... Apetecia-me colocar a música a combinar com o título do post, mas parece mal, né?!?!?! Eheheh... por isso, aqui vai outra musiquinha a combinar com o post: Passagem de ano de 2012: http://www.youtube.com/watch?v=J3N9RRegPUw

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Já cheguei à Madeira!

É verdade e oficial: já cheguei à Madeira! O distrito de Portugal com 11 concelhos, mesmo mesmo belivador! :)

Sabem quando dizem que a Madeira é linda? Pois é... é mesmo linda... nunca imaginei que fosse tão linda... ainda não parei de abrir a boca desde que cá cheguei... São encostas e encostas de serra sem fim, com casinhas, bananeiras, vales, túneis, pontes... lindas de morrer! :) E flores... flores... flores... de todas as cores e feitios... E casas típicas, parecem coloniais... Às vezes tenho flashes e parece-me que estou em Cuba... até alguns carros são engraçados: os carochas, os 4L e os táxis bem amarelos, que por cá chamam de "Abelhinhas". Bem... mal pus um pézinho em terra, comecei logo a amar! :)

A minha vinda à Madeira, não foi bem uma troca, porque não foi solicitada por mim, mas sim, pelo grupo "Madeira em Transição" que queriam fazer uma feira de trocas por cá. Como conheciam o meu projecto, pensaram que se podia juntar as duas iniciativas e voilá, lembraram-se de me convidar para lançar a 1.ª Feira de Trocas do Believe in Madeira, que vai ser no próximo domingo, entre as 15h e as 19h no Mercado dos Lavradores, na Praça do Peixe, que a Câmara disponibilizou para o efeito. Sim, porque a Câmara do Funchal (ver mais em http://www1.cm-funchal.pt/) já beliva! :) 

Depois quanto às minhas dormidas, conseguiram um patrocínio da Pousada da Juventude Quinta da Ribeira (ver mais em http://microsites.juventude.gov.pt/Portal/pt/PFunchal.htm), que é um casarão com traços antigos e lindaaaaaaaa... com um jardim fabuloso, que me faz lembrar mais uma vez, a minha estadia em Cuba! *

Nas refeições, contaram com o apoio, aos almoços, do restaurante/ervanária Terra Mãe (ver em https://www.facebook.com/pages/Ervan%C3%A1ria-Terra-M%C3%A3e/220914321270879que tem uma comidinha caseira e vegetariana de bradar aos céus. Hoje comi um prato regional típico adaptado, versão vegetariano, com batata doce, maçaroca de milho (há anos que não comia maçaroca de milho), brócolos, tofu, etc... e para sobremesa uma delícia de maçã fantástica. Em troca, vou ajudar no jardim da ervanária. Quanto aos jantares vai ser assim um bocado, "seja o que Deus quiser"... por isso, cada dia vou ver onde me podem fazer trocas. Hoje fui ajudar uma instituição que distribui comida aos sem abrigos aqui do Funchal, a C.A.S.A. (ver em http://casa-apoioaosemabrigo.org/), que faz o trabalho fantástico de recolher a comida que sobra de um dos hoteis aqui da Madeira e entregar aos sem abrigo ou famílias mais carenciadas. Como sobrou uma "covete" de lasanha, foi isso o meu jantar. Lembrei-me que talvez possa ajudar esta associação a angariar mais comida, junto de mais hoteis, com os meus contactos em hotelaria do meu antigo trabalho... a ver vamos!

Hoje o dia foi preenchido, a ver:
10h30 - Chegada à Madeira
15h - Entrevista na RDP Antena 1, no programa "Ao natural", com Teresa Mizon
19h - Palestra no Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos (http://www.cm-camaradelobos.pt/Centro_C%C3%ADvico-1149.aspx), um local, onde já costumam fazer umas feiras de trocas, intituladas Trocastock! Adorei saber que já há sítios aqui na Madeira que tinham esta forma de fazer diferente... o trocar é que está a dar!
21h30 - Trabalho de voluntariado na C.A.S.A.

... Se alguém acha que vim cá de férias, para me banhar neste belo mar azul... está muito enganado... que também aqui, eu não páro! É sempre a andar, correr, voar e bailar! http://www.youtube.com/watch?v=H2qghj7itIk