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sábado, 17 de junho de 2017

Aceitar que se vive no Cacém! (Ups, Agualva!)


Hoje em dia, viver nos subúrbios e aceitar isso, não é fácil! Frequentemente tenho amigos que dizem que vivo longe, que o lugar é feio, que as pessoas são feias e que tudo está sujo e desarranjado. Têm medo da violência, de andar de comboio e de serem assaltados. 

Demorei muito tempo a conseguir dizer publicamente que vivia no Cacém e não em Sintra, quando alguém me perguntava onde morava. De qualquer forma também não vivo no Cacém. Vivo em Agualva, que é do outro lado da linha do comboio, do outro lado da ribeira. Basta conhecer a Avenida dos Bons Amigos (que lindo nome!) e a única coisa que têm de saber para virem a minha casa, é que é só virar à esquerda, como quem vai para o lado do coração. Vivo aqui porque há 40 anos (e há 40 anos viver aqui era bem bom) o Cacém era perto de Lisboa, era calmo e ainda tinha muitas vivendinhas bem bonitas. Foi a escolha dos meus avós, comprar aqui a casa. 

Vivo aqui há uma vida... já saí e já voltei e é sempre para esta casa que regresso. Vivo num rés-do-chão, não tenho grades nas janelas, ponho flores ao sol e sempre que estendo roupa, nunca nenhuma peça me desapareceu. Nunca me aconteceu nada... Esta é uma casa com história, passado, memórias... com partes boas e más.

Sempre quis viver noutro sítio... a minha escolha seria o Chiado (claro!) ou uma praça que há perto de Alcântara, que me faz sempre sonhar quando olho para um prédio com águas furtadas.

Lisboa é o centro de tudo. Hoje em dia é quase o centro da Europa, de tão na moda que está. E foi aqui que comecei a pensar se quereria mesmo mudar para Lisboa, logo agora que há mais turistas que "pessoas".

Depois de muito tempo, consegui fazer algumas obras e redecorações na minha casa. Hoje ela é mais minha. Está prática e funcional e um T1 chega-me perfeitamente, nem que seja para limitar o número de coisas que tenho. Tornei-me mais simples, com menos e mesmo assim, acho sempre que tenho demais.

Hoje sinto-me bem na minha casa. Ainda mudava algumas coisas, mas nada de preocupante. Frequentemente apetece-me levantá-la do chão e colocá-la num terreno relvado onde pudesse ter uma corda para estender a roupa ao sol e onde a minha cadela pudesse correr... mas isso não é possível. Possível é gostar de aqui viver. Gostar que os meus vizinhos (que conheço desde bebé) parem na minha janela para me cumprimentarem (ainda hoje isto aconteceu!). Gostar de ter SEMPRE lugar para estacionar o meu carro, na minha praceta a todas as horas do dia. Gostar de colocar coisas pesadas na janela da sala, para entrarem em casa, sem ter de entrar pelo prédio. Gostar que uma vizinha do prédio do lado, que nem sei bem quem é, grite do último andar e me pergunte: "Oh menina já anda sem muletas, está melhor?!". Gostar das laranjas que o meu vizinho traz da aldeia. E é assim que vou gostando de tanta coisa.

Todos os dias ouço os passarinhos aqui nas árvores da minha praceta. Às vezes oiço o amolador e outras vezes até há um senhor que toca acordeão no meio das pracetas para nos animar.

Esta semana tenho acordado cedo e aproveitado para fazer caminhadas matinais, no percurso pedestre junto à ribeira... Está lindo e bem cuidado! E fico maravilhada com as flores violetas, com as heras, com os patos reais, com os pombos, com a manutenção do jardim e com o equipamento desportivo que há, mas também com a quantidade de gente bonita que corre de manhã e também a quantidade de gente simpática que passeia com cães lindos de morrer!


Hoje já gosto de viver no Cacém (ups), Agualva... A Junta de Freguesia tem-se esforçado muito por melhorá-la. Há graffitis gírissimos autorizados, há caixinhas em algumas pracetas para abrigar os gatos, há um senhor arrumador de rua que tenta manter o chão limpinho e finalmente o jardim da minha praceta que tinha sempre lixo, tem flores brancas bem bonitas.

Se gosto mais de viver aqui?! Gosto! Se gostava de viver em Lisboa? Gostava! Contudo, aprendi a aceitar e a gostar do que tenho e tem sido mesmo uma agradável surpresa!

A única coisa que sinto mesmo falta... é de gente perto. Gente, que é a minha gente... Mas para essa gente, eu estou sempre longe... nem que o longe seja 30 minutos de comboio: "Epah ir ao Cacém... nãaaaaaaaaaaa..."

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Não quero ser feliz, quero ser livre!

Dizem que é o Mercúrio que está retrógrado que faz com que estes tempos sejam difíceis. Li algures que o meu mês de Fevereiro não ia ser dos melhores. Não sei se a astrologia tem sempre razão em tudo ou se colocamos a "culpa" nos planetas, o que é certo é que realmente há uns grandes "desafios" (para não dizer dificuldades) a afectar o meu dia-a-dia.

Primeiro, algumas das trocas que tinha asseguradas, como o supermercado e a gasolina deixaram de existir e isso, realmente não é um bom sinal para quando estamos limitadas a umas horas de trabalho por umas compras para a semana. Por isso, agora é puxar pela imaginação! Como comer?! Trocas em casa de amigos? Fazer sites em troca de comida? Encontrar um novo supermercado? Fazer entregas? Dar boleias por gasolina? Fazer woofing. Bem... é começar a pensar com rapidez.

Como senão chegasse as trocas falharem, a minha casa-de-banho teve uma pequena inundação e no mesmo dia o meu computador "pifou"!!! Resultado estou quietinha sem fazer nada do meu projecto, sem planear as palestras e sem actualizar as minhas bases de dados e demais afazeres. 

Há momentos na vida, em que a vida pára. Não quer dizer que tenha de parar e ficarmos sem comer, sem nos deslocarmos e sem trabalharmos. O que é sinal é que por um qualquer motivo, ela nos faz parar, para nos mexermos talvez com outra direcção. É isso que ando a pensar... Mas enquanto penso e não penso tive de resolver algumas situações: a comida, o computador e a deslocação. A deslocação é fácil, é andar mais de transportes, com a minha troca na CP. Quanto à comida talvez vá fazer um woofing por uns tempos para por a cabeça em cima dos ombros enquanto decido o que faço com a minha vida e decido o que quer fazer a partir daqui. A verdade é que trocas é giro, mas também cansa e já vou para 4 anos desta aventura. Quando trabalhava queria ser mais feliz...e ao fazer este projecto assim foi. Descobri muitas coisas novas, pessoas maravilhosas, 1111 actividades novas e formas de fazer tudo, e tornei-me mais livre. Com menos horários, menos responsabilidades diárias, mas muita criatividade e jogo de cintura. Hoje, quase sem dinheiro, sinto-me menos livre. O não ter dinheiro também não dá liberdade... ele tanto nos a tira, como nos a dá e essa liberdade e a escolha que se faz com ele é que é o verdadeiro sentir "da coisa".

Quanto ao pc e graças às pessoas maravilhosas que conheci: um amigo ofereceu-se para me arranjar o pc, outro emprestou-me um pc por uns tempos, outra arranja peças se for preciso e outra dá-me um computador que já não precisa, caso o meu não dê. E é isto o melhor do meu projecto não são as trocas, mas sim a quantidade de maravilhosas pessoas que conheci, com os valores do meu projecto: confiança, altruísmo e partilha...

Que mais se pode querer?!!? Muita coisa... mas a vida com amigos é bem mais fácil!

https://www.youtube.com/watch?v=rsvVzAn_qlI

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Torço o pé... não como!

Há pois é! A vida de trocas tem destas coisas, e quando trabalhamos diariamente para o “aqui e agora” temos consequências dos nossos actos ao momento. Hoje torci o pé. É algo que me acontece variadíssimas vezes. Bem sei que a causa deve-se ao excesso de peso e talvez à alimentação inadequada que tive todos estes anos e por isso, agora sofro deste mal, que tem sido uma constante nos últimos anos. 

Se quisermos dar um simbologismo “à coisa”, baseado muito em livros do género “O teu corpo diz: ama-te”, a ligação de torcer os pés está ligada ao caminhar e para onde queremos caminhar. Às vezes, temos de torcer o pé para ir ao chão e levantar-mo-nos novamente, com algumas dores é certo, mas com cuidados redobrados. É preciso parar e cuidar de nós!

Hoje torci o pé quando ia passear a minha cadela, para me preparar para ir trabalhar à troca, como sempre faço às 5as feiras, no supermercado, onde depois de algumas horas de trabalho, tinha direito a fazer as minhas compras semanais.

Conclusão: caí, magoei-me a sério... e a solução de hoje é mesmo ficar em casa, com o pé ao alto, gelo, descanso... e acabar as minhas mil e uma actividades ligadas ao meu livro.

Ora aqui está uma desvantagem de viver de trocas: trabalha-se tão ao momento e para o aqui e o agora que quando há um precalço na nossa vida, tudo fica afectado, podendo mesmo não termos comida para nos alimentarmos. Felizmente, tenho alguma comida ainda, tenho algum dinheiro (nestas coisas o dinheiro resolve sempre tudo) mas sobretudo tenho imensos amigos que já perguntaram se preciso de alguma coisa! Estas são as vantagens de viver de trocas! O manancial de gente que conhecemos, a quantidade de “boa gente” que nos rodeamos, vale por tudo, pelas torcidelas e por não ir trabalhar em troca de comida!

Outra das vantagens, é que dentro do meu novo role de amigos, tenho enfermeiros, fisioterapeutas, massagistas, osteopatas, fasciaterapeutas... eu sei lá! Pessoas que mais do que trocas, dão ajudas e põem o seu maior dom ao serviço de uma bela amizade.

É por estas e por outras, que ainda não decidi deixar de viver de trocas! 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Por mais trocas que a vida dê, (às vezes) precisamos da nossa vida de volta!

Há já alguns anos que deixei de pedir ao Universo, a Deus, ao Menino Jesus, a Alá ou a que entidade seja, o que desejo. A verdade é que sempre que peço alguma coisa, na maior parte das vezes, realiza-se e depois verifico que não é assim tão bom como imaginava. Por isso, o melhor é não pedir nada e saborear aquilo que a vida nos dá.
Claro que há coisas que desejo muito, lá do fundo de mim e não acontecem e aí penso que senão acontecem é porque não é o melhor para mim.

Depois desta vida de trocada, de voltas, de troca de vida, com trocas e com graus e mais graus a rodar e a rodopiar... tenho a sensação, que de tanto trocar, troquei tanto, fiquei toda trocada e voltei ao meu estado inicial. Acreditem que nem sempre é fácil ter um sorriso na cara, estar feliz com as escolhas, com as adaptações que fizémos na vida, ou o que desejámos. Não falo propriamente das trocas. Sim, sou mais feliz agora... mas ainda não os 111% (será que um dia lá chegarei?!)!

Não tenho saudades da minha vida de antes... num escritório a trabalhar para os números: números de horas por dia, números de euros por mês, números de formandos, número de clientes, número de compras, número de kms por dia... números e mais números... Mas acreditem que viver de trocas também tem o seu lado negro (diria mais azul-escuro) da moeda!

É certo que tenho uma vida flexível, divertida, nada monótona, que conheço mil pessoas, que faço mil profissões, que ajudo muita gente com trocas e também inspiro algumas. Mas por outro lado, sinto-me cada vez mais dependente de toda a gente: de fazer trocas, de conseguir aquilo que preciso mesmo-mesmo-mesmo para a minha subsistência, de começar a engolir uns sapos de umas trocas que nem sempre são maravilhosamente bem sucedidas (pelo menos na minha parte), de ter o meu núcleo de amigos enraízado e não uma multidão de conhecidos... Conclusão: tenho saudades de ser eu e não a "menina das trocas"!

Claro que deste título nunca mais me livro, talvez um dia digam: "Lembras-te daquela menina que viveu de trocas durante 1 ano, 11 dias... e blá blá... agora, é uma senhora!" Só que esta menina precisa de começar a ser uma senhora, a pensar no que quer da vida, para onde vai, de onde vem, e de perceber se viver de trocas quase exclusivamente não é uma prisão, pior do que aquela de se viver com dinheiro exclusivamente.

Aprendi muito... tanto! Aprendi que há coisas que não se trocam... Aprendi que há coisas que precisamos mesmo de dinheiro! Outras que o melhor é trocar... nem que seja um olhar triste por um sorriso!

E é por estas e por outras, que tomei uma decisão, que há muito já devia ter tomado! Essa decisão passa por fazer uma página de facebook para a "menina das trocas", que afinal é "figura pública", não porque é VIP, loira e sai nas revistas cor-de-rosa, mas sim, porque realmente o público, ou pelo menos o público dos jornais, revistas e tv a conhecem. Assim está na hora de dividir o que é a "Andresa - menina das trocas", na "Andresa - que quer ser uma senhora" e por isso, decidi criar uma página de facebook que me possa distinguir. Aqui vai a página que se gosta de mim e quer continuar a seguir o que eu faço: faça LIKE! 

Eu vou continuar com o meu perfil pessoal, para os meus amigos, para quem realmente conheço e para quem está comigo dia-a-dia na "pessoa que quer ser senhora"!

(Desculpem o desabafo... há dias assim!)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Começar a trabalhar... por dinheiro?

Posso confidenciar que o motivo deste meu silêncio e da minha ausência é andar a pensar na vidinha... mais propriamente como iria resolver o pagamento das prestações do meu carro, agora que precisava de novamente o emprestar à troca, sem consegui-lo vender! Tentei muita coisa... pensei em muita coisa! 

Uma coisa que tinha em mente, era que tinha de arranjá-lo para o poder vender, pelo valor que devo à seguradora, mais propriamente os arranhões e as batidelas que fiz ao longo do tempo! E isso, finalmente consegui, como vos disse no post passado. Neste momento estou a fazer trocas com uma oficina... sendo que estou a limpar uma casa, a fundo, proveniente de obras que foram feitas... mas como percebem... vai ser preciso, mesmo muitas horas! :) Mas fiquei bem contente... 

Mas o que vos quero dizer, nem é esta parte... mas sim, a parte de não saber o que fazer, para resolver a situação. Claro que hoje, já vos escrevo com uma calma na alma, porque novamente o emprestei, mas andei uns meses bem atrapalhada. E de tudo o que pensei, a única coisa que achava lógica e honesta era começar a trabalhar... por dinheiro!

E pensei muito nisso... muito muito, até me corroer toda por dentro! Claro que eu acredito nas trocas... Claro que sou belivadora! Mas claro também que o dinheiro é a nossa moeda de troca e que se fosse bem utilizado tinha sido mesmo "uma boa invenção", não era? 

E se eu de uma hora para a outra quisesse começar a trabalhar por dinheiro? Só para pagar o carro? Ou só para ganhar os 50€/mensais que preciso? E isso seria uma forma de descredibilizar as trocas? Pareceria que tudo teria sido em vão?

Bem pensei... pensei... pensei tanto... e cheguei a uma conclusão: sinto-me presa! Presa porque decidi viver de trocas e parece que não posso viver de mais forma nenhuma... que não posso de uma hora para a outra fazer diferente... Mas sou eu a mim própria... sou eu que me ponho nesta "prisão pensante"!

Quando iniciei este projecto queria 4 coisas: ser mais sustentável, mais ecológica, mais saudável e mais económica... e consegui! Tornei-me alguém que jamais pensava que podia ser. Até me imaginava assim, mas achava que a Andresa viciada em compras de roupa, numa iria usar roupa usada e dada ou trocada por alguém, por exemplo. Mudei muito... e tornei-me estas 4 coisas! Mas destas 4 coisas, percebi que me tornei outras 2: mais humana e mais feliz. Quanto mais troco, mais amigos faço, mais melhoro as relações com quem troco e por isso, me sinto mais feliz, mais enriquecida e mais "cheia". É um "cheio" diferente, daquele que é ir a um shopping comprar roupa, ou doces ou chocolates. É um "cheio" que reconforta! 

Mas ao perceber estas 2 coisas, percebi que com elas era muito mais LIVRE! Ou seja, com as 6 coisas que vos falei, tornei-me uma pessoa mais livre! Faço o que gosto, o que quero, com quem quero, como quero, o que me dá prazer, o que necessito...  sou pouco escrava de um sistema, ou de um mercado, ou de uma moda... e isso me dá liberdade.. e a liberdade é o que mais prezo. Assim, se decido viver de trocas, para ser livre, vivo! Mas se decido que viver de trocas, me torna presa porque não posso ter opção de escolha, a nível monetário, já não sou livre. A liberdade é uma complicação do caraças... mas é sem dúvida o nosso melhor aliado!

Não, ainda não vou trabalhar por dinheiro! Não, porque consegui emprestar à troca o meu carro mais um bocadinho! Não, não vou trabalhar só porque sim, em algo que não estou motivada ou que é só para ganhar dinheiro! Não, isso não! Mas sim, quando voltar a fazer-me sentido, irei. Quando achar que é a forma que tenho de trocar, assumirei... porque o dinheiro, esse é uma troca! Errada é a postura que todos temos face a ele!


domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Às vezes desistir, é andar para a frente"

A primeira vez que ouvi a frase, que está hoje no título do meu post, foi de um amigo, que na altura era meu colaborador num projecto social. Ele referiu esta frase, quando desistiu do emprego e quando isso fez, com que toda uma equipa tenha desistido de um projecto. Pura e simplesmente porque não dava para continuar mais em frente.
Sempre tive um "pouco a mania", que é possível remediar tudo e que nunca devemos desistir de nada, mesmo quando esse "nada" nos magoa ou nos humilha ou não é tal e qual como sonhávamos. Devemos seguir em frente, porque é sempre possível alterar tudo! Errado! Há alturas na vida... que é preciso parar!!! 
Talvez esta tenha sido a minha aprendizagem sobre "desistir" para ir em frente... mas para vos dizer a verdade, raramente tomo esta postura, mesmo que me sinta desconfortável numa situação. Penso sempre que, se me comprometi tenho de ir em frente e até ao fim, por mais que me doa. 
Se não tivesse sido por esta minha mania, acho que uma das coisas mais dolorosas da minha vida, não tinha acontecido, apenas e só, se eu não tivesse insistido em ir com a situação até ao fim... mas pronto, águas passadas!
Este ano, acho que aprendi mais ou melhor esta forma de agir e por isso, desisti de várias coisas... umas delas que nem sequer iniciei por não me querer comprometer e depois falhar. No meio de mil e uma coisas para fazer, decisões a tomar, decidi pôr fim a algumas coisas que, ou porque não tinham a ver comigo, ou porque ainda não é altura de as fazer, pûs simplesmente, em "stand by". Assim, este ano, vou ter apenas e só como meta: cuidar de mim e definir o que é o Believe e como posso com ele ajudar os outros. Claro que este "cuidar de mim" não é assim tão simples e fácil e rápido... tal como a definição do Believe não é propriamente pêra-doce, mas por isso, vamos por partes: cuidar de mim e reflectir sobre o Believe. Claro que as minhas trocas diárias continuarão, tal como a preocupação em vender o meu carro e editar o meu livro (mal consiga o papel à troca)... e obviamente continuar com a casa de trocas de Torres Vedras a andar para a frente (ver mais em https://www.facebook.com/CasaTrocasTorresVedras?fref=ts)! Mas pronto: a prioridade é mesmo priorizar-me a mim e reorganizar todas as minhas ideias e as minhas acções face ao Believe que foram de uma forma "monstruosa" indo cada vez mais e mais além...
Coisas que desisti ou pus simplesmente em "stand by":
. a horta - não tenho suficiente para cuidar dela semanalmente, por isso, os meus dois amigos ficaram à frente dela e quando eu posso dou por lá uma ajudinha
. uma feira de trocas no Norte - seria uma coisa mesmo muito grande e neste momento, não tenho forma de me deslocar para o Norte sempre que queira, por isso, fica em stand by...
. a peça de teatro "A Alma Portuguesa", quero fazer uma peça de teatro, que já tenho tudo pensado e definido, mas será uma coisa mesmo "à la grande e à lá francesa" (ou será portuguesa) e por isso, aguardo quando for a altura de a dinamizar
. um livro para crianças e um jogo para crianças e para empresas - é outro dos meus sonhos, mas será quando tiver mais tempo para me dedicar a isto
. uma casa de trocas na terra da minha avó - pois, agora tenho de priorizar na casa de trocas de Torres Vedras

Desisto... para andar em frente! Às tantas nem desisto! Apenas páro!

"Mesmo que a tua sorte
Seja a de um perdedor
Nunca deixes de saltar

Se saltares muito alto
Não tenhas medo de cair (baby)
De ficar infeliz
Feliz a cem por cento


Só mesmo um pateta feliz"

sábado, 8 de fevereiro de 2014

É difícil ouvir dizer: "Confio em ti"

Quanto mais trabalho à troca, mais fico longe de tudo o que se relacione com lucro, valor, dinheiro, etc etc... Outro dia, ao falar com umas amigas sobre empresas e o valor/hora que os funcionários podem ganhar, cheguei a uma conclusão muito interessante: eu não sei quanto valho à hora! Melhor, eu não acredito em valores hora ou valores hora/por pessoa/por função! Fazendo uma retrospectiva nos meus mil e um empregos que tenho ultimamente à troca, não sei quanto valho, mas sei que valho bem e quando faço trocas geralmente as pessoas ficam satisfeitas e querem mais. Mas se eu valho 1€, ou 11€ ou 111€ ou 1111€ (lolo... que exagero... eu não sou futebolista, hém?) à hora, isso eu não sei! Actualmente tenho trabalhado nalguns sítios e por exemplo, num deles trabalho a 2€/hora para "ter" um produto que me é essencial e por isso, acho que é fantástico receber apenas 2€, se bem que sei que é muito baixo. Mas o prazer e a necessidade daquele produto compensa! Também trabalho por 5€/hora, para fazer "compras" numa determinada empresa. Também já fiz um site que me demorou um dia inteiro para pagar uma consulta de dentista e por isso, nem sei muito bem quanto ganhei à hora, mas precisei mesmo da consulta e gostei de fazer o site. Como diz uma amiga minha, geralmente o "importante não é o tempo, mas sim, o gozo que determinada coisa dá." Já tive bilhetes de espectáculos gratuitos, apenas por divulgar no meu blog e isso, sinceramente não sei o valor que tem, por isso, não gosto muito de fazer coisas à troca por divulgação... e geralmente não faço! 
Antigamente, o máximo que ganhei à hora em dinheiro foi 50€. Nos tempos "gorduchos" de formação, dava cursos de especialização a licenciados a 50€/hora e digo-vos que há por aí muito boa gente a ganhar muito mais... então quando se trata de coaching... ui!!! O que é certo é que muitas vezes, e a maior parte das vezes, ajudo uma pessoa com as minhas dicas belivadoras (poupadas, saudáveis, ecológicas, sustentáveis, humanas e felizes) e aquele tempo pode valer milhões!!! (looool) Tudo depende do que recebemos, do quanto precisamos e da satisfação que isso nos dá!
Geralmente, quando se trabalha para uma empresa à troca, a empresa tem sempre um valor/hora pensado e rever-te em valor de produtos... é o normal, porque como todos sabemos, tudo tem um preço! Contudo, quando se vive de trocas, independentemente desse preço há coisas que são muito valiosas e essenciais e que sem dúvida tem a ver com alimentação, deslocação e saúde. E nesse caso, para mim, mesmo que o valor seja baixo, compensa, porque me é essencial.
...
Ontem e hoje estive numa empresa, a trocar. E hoje aconteceu uma coisa muito diferente do normal das empresas que só pensam em valor, lucro, quantidades e dinheiro. Quando perguntei qual a quantidade de produtos que tinha direito pelos meus dois dias de trabalho a resposta foi: "Escolhe o que precisares. Nós confiamos em ti." Fiquei com um nó na garganta... e julgo que até com umas lágrimas nos olhos, que na altura achei que era a aragem quente de um radiador! E caíu-me no coração um sentimento evasivo, grande e profundo... de gratidão! Fiquei um pouco à toa! Confiarem em mim para trazer o que eu precisasse, sem dúvida era um grau de responsabilidade da minha parte. Não é nada fácil ouvir "eu confio em ti. conto contigo." E vindo de uma empresa, que como todas as outras é para gerar lucro, fiquei em paz, feliz e com uma responsabilidade acrescida. Daqueles sentimentos que nos fazem belivar, que sim... o mundo está a mudar e é para melhor!

"Let's get together and feel all right, As it was in the beginning (One Love!)" http://www.youtube.com/watch?v=vdB-8eLEW8g 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sonho nas mãos de uma criança

Foto by Cátia Cóias
Já algum tempo que não escrevo... não porque não tenha nada para dizer, mas porque ando a fazer muitas coisas!

Como sempre e para variar... contudo, depois da minha limpeza e arrumação da casa, com as orientações do Feng Shui ando muito mais focada e motivada para trabalhar em casa e por isso, estou a rentabilizar muito mais o meu tempo.

Além de continuar na minha vida de trocas, com supermercado, empresas, CP, entre outras... tenho também os projectos para ir ajudando (muitas vezes à distância): a casa de trocas Be Kyosk em Torres Vedras (ver mais em https://www.facebook.com/CasaTrocasTorresVedras?fref=ts); a loja de trocas de Coimbra Be shop, agora com a parceria do Movimento em Transição da zona; uma feira de trocas Big no Norte de Portugal, que em breve divulgo; o meu livro que anda a ser revisto; reuniões e mais reuniões; algumas palestras e novamente entrevistas para a comunicação social.

O que é facto é que as trocas continuam a dar que falar, quer seja pela crise ou simplesmente porque o trocar, faz com que conheçamos pessoas e estejamos mais próximos delas... :)

Eu cá continuo na vidinha... todos os dias, os meus dias são diferentes. Ora vou durante o dia para uma fábrica embalar pacotes de comida, ora vou a um lançamento de um livro, num sítio finíssimo ajudar no evento... Ora estou em casa a responder a emails e a dar entrevistas! O meu dia tem 24h e quase todas as horas são diferentes! A minha semana tem 7 dias e cada dia tenho uma profissão... cada dia sou uma Andresa... Cada hora sou uma nova pessoa! Parece caótico, mas com alguma organização e criatividade tudo se faz... E a verdade é que estive a pensar, que dificilmente me habituaria a ter novamente um trabalho de 8h/dia, em que os 5 ou 6 dias da semana fossem a fazer a mesma coisa num mesmo sítio.

Hoje pensei, que todos os seres humanos deviam só trabalhar em part-time, para terem tempo para si, para os amigos e para a família... Pensei em como os humanos deveriam fazer sempre coisas diferentes, que os desafiassem, que os tornassem criativos e dinâmicos... e não uns meros "cumpridores" de regras, ordens e tarefas. Depois pus-me a pensar que eu não sou ninguém para achar coisas para os outros... cada um tem a sua forma de ser... e um dia diferente ou trabalho em part-time ou novidades todos os dias podia não ser muito bom para algumas pessoas... Mas pronto, sou só eu a pensar!

... cada vez vejo mais longe a possibilidade de voltar a ter um emprego, dito de normal, a ganhar um ordenado base, a ter sempre o mesmo dinheiro todos os meses, a não ter tempo, a cumprir horários dia-a-dia... cada vez mais, acho que quanto mais vivo assim, mas longínqua fico do meu outro eu... Contudo, não digo que não viva sem dinheiro... continuamos a precisar de dinheiro... ou para os ditos pequenos luxos ou independências diárias... ou apenas e só para alguma coisa que achemos que nos dá segurança! No meu caso preciso de dinheiro ainda para:
. pão
. bilhetes de metro e carris
. alguma comida que não consegui comprar
. comida para os meus animais
. os meus luxos: um bolo ou um chocolate... (isto tem de acabarrrrrrrrrrrrrrrrrr)
. gasóleo, quando uso o meu carro (que é pr'aí uma vez por mês)
. prestação do meu carro (por enquanto um amigo anda com o meu carro e esta parte é com ele... mas sinceramente preciso de resolver isto... tenho 5 anos ainda para pagar o carro e não o consigo vender.. raios... com dívidas destas, viver à troca é difícil......... ui)

... consigo quase tudo o resto com trocas... e é bem mais fácil! Para já só troco quando preciso, logo só preciso de "trabalhar" quando preciso... 

Isso agora é mais fácil... mas quando estou doente ou estiver mais velhinha não sei se será assim... mas pronto, adiante!!! Vendo e andando... por enquanto o coração leva-me por aqui..................... 

Dedico esta música, à Cátia Cóias que tirou esta foto do post e outras mil............. lindas e azuis!!!! (ver mais do trabalho dela em: https://www.facebook.com/pafotograficahttp://www.youtube.com/watch?v=9r6FqT7F1s0

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Feliz de quem é ignorante!

Sei que ainda quase nada sei... e nem sei se o que sei, sei! Contudo, depois de começar o meu projecto de trocas, deparei-me com uma data de informação que nem sabia que existia.

Habituada a "comer" e "assimilar" tudo o que há de mais comercial, a ver tv, a ouvir noticiários e a acreditar na publicidade que nos é deparada dia-a-dia em frente aos olhos, pouco tempo havia (e também pouca crítica) para pôr em questão tudo isso.

Ver tv para mim já é algo de outra geração, pois há mais de 5 anos que não a vejo... Comprar revistas, há mais de 2 anos... Ver noticiários ou ver notícias, quase há meio século... Enfim... sobra-me as crenças que tenho cá dentro, as aprendizagens que fiz ao longo do tempo, os livros que li, as coisas que me diziam... e agora, as coisas que me dizem... o que se vê no facebook e ainda a publicidade espalhada por aí.

Tudo isto para vos dizer, que era bem mais feliz, quando achava que tinha dentro de mim todo o conhecimento (diga-se o conhecimento comercial do comum mortal) em que acreditava que ia morrer, cheiinha de doenças sem pensar muito no amanhã!

Pois é... hoje, com mais informação... e tanta informação de tantos os lados, estou prestes a explodir, porque tudo o que achava como certo e lógico e normal... é tudo posto em questão!

A ver...
Produtos de higiene, nomeadamente anti-transpirantes e não sei mais quê, que têm alumínio e provocam cancro
Pasta de dentes com flúor que fazem muito mal aos dentes... 
Pão feito com banha de porco...
Toda a comida que leva açúcar, sendo o açúcar não considerado um alimento, que vicia e que precisa de outros alimentos para ser digerido e ainda há quem diga que faz larvas no estomâgo
Carne e peixe que fazem mal, porque demoram 2 dias a ser digeridos pelo estomâgo e logo, apodrecem dentro de nós
Comida congelada, enlatada, processada cheia de químicos para conservação
Água da torneira que também tem flúor e outras águas que também têm agentes químicos que não nos faz bem
Leite e derivados cheios de antibióticos, tendo até sido retirados da roda dos alimentos, pela faculdade de Havard
Produtos derivados da soja já não são uma boa escolha, porque a soja já está geneticamente modificada
Alimentos tropicais, algas, sementes e bagas que vêm de outros países, também não são boa escolha, porque são colhidos com muita antecedência e como não são produtos locais não são indicados para o nosso organismo. Devemos consumir produtos locais
Protectores solares que provocam cancro de pele
Vacinas que em vez de prevenirem doenças, são feitas para proporcionarem doenças
Verduras, frutas e outros que tais com sementes patenteadas e que precisam de produtos químicos para se desenvolverem melhor
Alimentos com glúten que fazem uma cola nas paredes do intestino
Pensos higiénicos e tampões que têm químicos e provocam cancro
Perfumes, fragâncias e cheiros para pessoas e para o lar, que provocam doenças
Aviões que deitam químicos para empestarem o ar
Wireless que faz mal ao cérebro

Eu sei láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

A lista das coisas que tenho ouvido é interminável... e eu estou pelos cabelos! Percebi que ao fim de 37 anos, tudo o que consumia era pura e simplesmente errado e feito para morrer antes do tempo, sofrendo muito!

Solução?!? Deixar de comer, deixar de beber, deixar de respirar... deixar de viver!!!
Bem, claro que estou a exagerar... mas vocês não acreditam, como tudo isto me tem posto a cabeça cheia... 

Para se ter uma vida saudável começando pela alimentação, só se formos vegan e crudívoros... e se plantarmos os nossos alimentos em terra saudável, com água de nascente e num local com muito ar puro... e mesmo assim não sei! Acho que o melhor é mesmo nos tornarmos avatares e nos alimentarmos de energia! LoooL *

Olhem, eu estou a modos que sem saber muito bem o que fazer à vidinha de tanta coisa que ouço... Estou em burnout total!!!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"Burrocracias" da vida!

Parece que esta semana é semana de me deparar com os "impeçilhos" burocráticos onde estamos metidos... :/

Hoje tive de ir à segurança social. Já lá tinha ido há uma semana e dirigi-me ao segurança da entrada a explicar o que precisava. Ele quase sem palavras foi buscar o impresso e deu-mo dizendo que depois teria de voltar. E pronto, não me disse nada mais!

Hoje volto lá, com o impresso e com a papelada solicitada. Felizmente moro perto da segurança social e por isso, não tive de estar nas filas desde as 8 da manhã. Mas adiante. 

Fui então atendida e o funcionário desata-se a rir em tom irónico dizendo: "Terá de entregar mais documentos que esses não são suficientes." Eu olho para ele um pouco admirada e disse-lhe: "Mas então, estou a entregar todos os documentos que o impresso refere." Diz-me ele: "Pois, mas faltam aí documentos. O impresso está desactualizado." Eu olho para ele, ainda mais admirada e digo: "Pois, mas o segurança deu-me este impresso e não referiu que era preciso mais documentos além dos mencionados." Ele responde-me novamente com a "maior lata do mundo": "Sim, mas o segurança, fez-lhe o FAVOR de entregar o impresso. Ele trabalha numa empresa externa e não tem de dar essas informações. Já lhe fez muito de entregar o impresso. Se a senhora quisesse saber mais, deveria ter marcado antes comigo para eu lhe explicar."

Pára tudoooooooooooooooooooooo... Passei-me um bocado!!!! Até compreendo que o segurança e tal é de uma empresa externa... Mas já não posso compreender que o impresso esteja desactualizado e que nada seja dito... :(

Melhor, não posso muito compreender que o segurança não pudesse dar essa informação. Bem sei que não é a função dele... mas enfim... o senhor passa o dia todo parado e quieto a ver se se passa alguma coisa... quando não se passa nada... acredito que dar uns impressos e umas informações seja a distracção mais interessante do seu dia de trabalho, não?! 

Fico mesmo passada... "possuída" mesmo!!!! Mais uma vez, como uma simples ajuda melhoraria e facilitaria tudo, não!?

...

Além disso, se nunca vos disse, tenho de vos dizer... há profissões que realmente são mesmo "desnecessárias". E sim... estou a falar dos seguranças, mas também dos revisores dos bilhetes do comboio, e dos polícias, e dos funcionários das portagens e dos funcionários da EMEL... E mais mil coisas... Mas a verdade, verdadinha é que todas estas profissões só existem por culpa "nossa", porque queremos que nos controlem... queremos que o vizinho do lado tenha o bilhete do comboio, porque eu também o comprei... Queremos ter um lugar à frente do ginásio, mesmo que o percurso de casa para o ginásio compensasse a mensalidade do ginásio e do dito bilhete da EMEL... e ah, é claro da gasolina! E quando nos vimos alguém que está a ser agredido ou roubado, queremos que haja alguém com o "poder" para lá ir tratar do assunto, porque na verdade, nós até finjimos que não vimos. 

E é assim a vida... meio mundo a controlar o outro meio mundo... E nós também a controlarmos o vizinho do lado... e o colega do escritório e mais a mãe e a filha e tudo e tudo... E nós...?!!? Sim, nós também nos controlamos a nós próprios... e à nossa mente, ao nosso coração, à nossa alma... nem que mais não seja, para nos deixarmos estar e não sermos nós próprios no meio da liberdade profunda que anseia sair cá para fora!!!

Soluções!?!??! Apenas e só mais consciência!!! Consciência profunda para perceber que metade da realidade que vivemos não é mesmo nada de nada importante e que as nossas vidas estão controladas até ao mais ínfimo pormenor... por nós!!! E porque nós assim o exigimos! 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dar (às vezes) é tão complicado!

Hoje fui à loja social da minha freguesia! Uma vez tinha lá ido, para me oferecer para fazer uma feira de trocas aqui na minha freguesia e fui visitar a loja social. Explicaram-me que a loja era só para pessoas carenciadas e que tinham de ser entrevistadas pela assistente social da freguesia. Até aqui tudo bem.

Depois disseram-me que esta entrevista era só para a ajuda de alimentos, uma vez que a roupa podia ser dada a todas as pessoas, porque há roupa a mais! Fiquei contente e triste! Por um lado, pensei que se precisa-se um dia de roupa, poderia lá ir e aí fiquei feliz! Por outro lado, fiquei triste, porque no meio desta crise, ninguém pára de comprar roupa e por isso, há excesso de roupa... Mas adiante!

Hoje voltei lá... Decidi que já que não compro roupa, poderia ir às "compras" na loja social, para mudar um bocadinho o meu guarda-roupa. E então lá fui eu! Apresentei-me e disse que como me haviam dito, a roupa era dada e por isso, queria dar uma vista de olhos para ver se levava alguma coisa. Estavam duas senhoras a atender... Não estavam a fazer nada, apenas a tomar conta da loja e uma respondeu-me: "Mas para levar roupa, tem de ter marcação." E eu respondi: "Mas eu não quero ser atendida pela assistente social, quero mesmo só levar a roupa ou calçado, como me havia dito ser possível."  A senhora voltou a responder-me: "Mas mesmo assim, tem de ter marcação."

Fiquei impávida... ora, com tanta roupa e sapatos e sei lá mais o quê que ali há... com duas pessoas a atender que não estavam a fazer nada, apenas e só a atender, para que era preciso marcação!?! E ainda por cima não havia ninguém na loja!!!!

Fui dar uma vista de olhos à roupa e aos sapatos, mas perdi a vontade e para dizer a verdade não havia nada do meu género... mas fiquei a pensar nisto... em como o nosso país entrou nesta onda das marcações, entrevistas e reuniões, de burocracias e procedimentos que nos impedem a todos de lidar e de ser simples e simplificados. 

Até para dar... temos de percorrer um caminho longo... cheio de métodos e esquemas, reuniões e entrevistas e sei lá mais o quê!

Fiquei a pensar neste "dar burocrático" e também fiquei a pensar em todo o "dar" que dia-a-dia utilizamos. Como cada vez é mais díficil, dar um abraço, ou um elogio, ou um agrado sincero. Em como mesmo nos relacionamentos, temos de ter sempre esquemas e burocracias e jogos e métodos, de saber se se dá o suficiente e tendo sempre o cuidado de não dar mais da conta, porque não podemos "mostrar o jogo". 

Eu não sou assim! Eu dou e dou... ponto final! Quando quero dar, quer seja roupa, sapatos ou amor... é para dar e acabou... não há cá meias medidas... jogos e troca-tintas e coisas complicadas que só fazem o ser humano cada vez ser mais mecanizado e anti-social. E dou e volto a dar... 

Só que quem muito dá, muito espera receber... e quem muito dá é exigente na retribuição... Ora bolas... ainda não sou assim tão altruísta como pensava ser.... raios!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Crises, não monetárias... mas sim, existenciais

Quando estamos alinhados com a vida, tudo nos parece mágico e fácil e fluído e tudo e tudo e tudo... Mas é nas crises, que se acreditamos (belivamos) realmente, deveríamos seguir em frente com mais força do que antes... Mas digo-vos, neste momento ando em crises existênciais. Das boas e das fortes! E das grandes... lolol.... 

Depois de um ano de experiências e de mudanças radicais na minha vida, não me dei conta do gasto de energia que tive, da quantidade de pessoas diferentes que conheci, das mudanças e adaptações que tive de fazer e do desgaste emocional e físico, que sinto hoje. Por muito que o ano tenha sido positivo, útil e fantástico... as sequelas começam a aparecer e o cansaço de trocas e mais trocas, palestras e tal... começam a não ser novidade!

Neste momento, a minha subsistência é mesmo muito pouca. A notar:
- despesas mensais da casa: uma amiga está no meu quarto e paga as despesas e não o aluguer
- (alguma) comida: colar autocolantes num supermercado uma vez por semana, em troca de produtos
- fazer sopa para os sem abrigo e trazendo sopa e alguns legumes para casa em troca
- deslocações: transportes públicos (ainda tenho algum dinheiro) ou de carro, esporadicamente com o gasóleo que o meu amigo põe, usufruindo em troca o meu carro

Tudo o resto que acham que são as despesas de uma pessoa, como sair, comer fora, comprar roupa ou outros gastos, esqueçam... não estão no meu orçamento... nada de nada!

E com tudo isto começo a pensar... o que me move a fazer trocas, a continuar a viver assim, quando podería ter uma vida mais estável... Arranjar eventualmente um emprego ou levar dinheiro pelas palestras que dou ou até dar formação a troco de dinheiro, ensinando as pessoas a serem mais poupadas e ecológicas, por exemplo. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão! Sei que sou uma pioneira das trocas e ninguém disse que era fácil viver assim... ainda por mais, quando não vivo numa comunidade e sou das poucas pessoas que vivem desta forma... 

Posso dizer que a minha sustentabilidade vai ficar finalmente assegurada, quando tiver a minha horta em acção (que será para o mês de Junho) e quando formalizar a troca com os transportes públicos (que me parece que está para breve também)... Contudo, percebo que neste momento a minha sustentabilidade passa por sobrevivência e não por vida... E a vida também é feita de desejo, de vontade, de prazer... Por isso, há que começar a pensar em dar uma volta aqui à vida... Das duas uma: ou começo a ter mais prazer ainda em todos estes projectos que estou a coordenar... ou começo a ter prazer na vida dia-a-dia nem que seja a colar os ditos autocolantes no supermercado e a andar mais a pé para compensar a falta de gasóleo. Fazendo assim destes momentos, o meu hobbie predilecto!

Esta época que passo, posso dizer-vos que até hoje foi a mais transformadora, adulta e "entranhada nas minhas entranhas" assemelhando-se a um novo nascimento, como mulher e pessoa. Não é nada fácil... é doloroso, mas uma dor saborosa, daquela que percebemos que vai ser muito importante no futuro, como o novo nascer de um dente ou o nascer de um filho. É isso mesmo... sinto a desabrochar o meu primeiro dente do siso... e a dar à luz uma nova Andresa que tem uns flashes do que ela possa vir a ser, mas ainda não vislumbra na perfeição toda a sua forma.

Intenso? Perfeito? Mágico? Fugaz?... Tudo isso e muito mais... muito que sei e muito ainda mais, que não sei... mas que vou adorar saber, viver e sentir...

Como costumava dizer numas epócas atrás da minha vida:
"Estou melhor que ontem, mas amanhã vou estar melhor que hoje" e "Dói, eu sei... mas vai valer a pena."

Oxalá! http://www.youtube.com/watch?v=_tWhbZH6U9k

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Iswarices

(a foto não está muito nítida, mas é o que temos... eheheheh)

Iswari significa Deusa em Sânscrito. A Deusa está associada à Mãe Terra que nutre e nos dá tudo aquilo que precisamos para suster a nossa vida. Mas neste caso, Iswari é a empresa onde estive a fazer umas troquinhas. 

A Iswari é uma empresa de super alimentos. E o que são superalimentos? São alimentos super concentrados energética e nutricionalmente, fornecendo ao nosso organismo uma dose extra de aminoácidos, vitaminas, minerais e outros nutrientes, de uma forma 100% natural, equilibrada e totalmente assimilável pelo corpo, o que não acontece com os complexos vitamínicos e minerais sintéticos. Alguns devem conhecer, como as bagas gogi ou as sementes de chia. 

E pronto, aí fui eu colar etiquetas por troca de uns produtos jeitosos, mas mais importante ainda, em troca de um kit de detox para me desintoxicar e para ficar linda e maravilhosa, cada vez mais natural e ecológica! (ver mais em http://pt.iswari.net/PROGRAMAS/DietaDetoxIswari.aspx). Agora só falta mesmo marcar o dia D, do início da desintoxicação do corpo e da mente... e também desintoxicar a casa, a alma e tudo o que me rodeia... Sabem, há momentos que precisamos mesmo disto. :)

Esta fase que estou a passar desde que o projecto acabou, tem sido algo "entoxicante"... A fazer trocas, já nem sei bem porquê... se por uma ideia que começou com um mudar de vida, mas agora é quase como um provar de que se é capaz... Viver de trocas numa sociedade em que pouco as há, é muito mais díficil quando somos os únicos... e por isso, este tempo tem-me feito pensar e reflectir, onde estou e para onde vou... Talvez me precise de desintoxicar de todas as ideias pré-concebidas, crenças e estados de alma que me levaram até aqui e pensar no que quero eu, no que quero transmitir, o que é verdadeiramente importante... e o que é fulcral. Por exemplo, se é importante ter saído de um emprego estável, mas que não era enriquecedor, para trocar por trabalhar de vez enquanto a colar etiquetas para ter alguma alimentação, ou fazer sopa para os sem abrigo, para ter sopa quente e alguns legumes. Se o dinheiro é algo em transição e por isso, a abater, ou se deverá ser considerado como um meio e não um fim. Se viver de trocas tem de ser levado como uma bandeira que se ergue, correndo o risco de nos considerarem anti-capitalistas ou anarcas ou mesmo marginais, ou se viver de trocas é uma filosofia tendo por base a ecologia, sustentabilidade, saúde e poupança.

O que quero afinal? E para onde vou?.... Tenho pensado tanto nisto... e tenho desconstruído até mais não... e apesar de não ter chegado a muitas conclusões, sei que a minha vida não passa por voltar a trabalhar a tempo inteiro, diariamente a fazer a mesma coisa... que a minha vida não passa por trabalhar por conta de outrém em algo que não sinto que contribua para a felicidade de alguém... Sei também que quero ser cada vez mais livre e independente de consumismos e materialismos... sei que não tenho problema nenhum com o dinheiro e talvez, ter um meio termo, ou pelo menos mais 1111€ por um ano para viver, talvez seja a solução imediata mais tranquila e mais honesta... do que andar a sobreviver de trocas e a viver um pouco ao Deus dará.. ou melhor, ao que os outros dão ou trocam...

Não digo com tudo isto que estou arrependida da minha decisão de deixar tudo e viver de trocas e estar onde estou. Nem por isso... nada disso! Sinto que foi uma transformação muito grande, muito interior e muito livre e que me deu contacto com outras realidades, outras pessoas, outras perspectivas, outros conhecimentos, outros mundos... Tinha de acontecer... a minha vida não se podia limitar por mais anos, dentro de um cubo chamado "escritório"...

Mas agora é altura de olhar para trás... ver as minhas competências, as minhas aptidões, o que aprendi, para que nasci, qual a minha missão e ver como posso fazer um batido multicolor e de superalimentos (lolol) para continuar a minha caminhada... nem que mais não seja, na continuação da mensagem, de que todos andamos à procura da felicidade e da liberdade... de sermos mais humanos e menos mecânicos... de vermos a vida com outros olhos, numa realidade que se apresenta, mas que ao fim ao cabo não é propriamente a realidade real, por assim dizer... 

Está na hora de pegar os ingredientes todos, adicionar uns pozinhos de pirlimpim e encontrar o equilíbrio da Andresa de outrora consumista, profissional, perfeccionista, organizada e dentro da lei e misturar com a Andresa do ano passado, a hippie, fluída, aventureira e corajosa... numa Andresa que se apresenta como aquilo que é o mais díficil de se ser: ela própria!

http://www.youtube.com/watch?v=84i7zQ_ACnU


sexta-feira, 29 de março de 2013

Pensar fora da caixa, mas dentro da caixa...


Já notaram que ando muito paradinha por estes lados, não é verdade?... Pois bem, ando mesmo paradinha, desde que a notícia do Público saiu e tive aquelas quantidades enormes de contactos e pedidos de trocas e tal. Neste entretanto, muitas coisas já aconteceram, tais como, o projecto da casa de trocas cultural já estar a iniciar com as associações locais, mas isto será algo que explicarei com mais detalhe futuramente).

De trocas, pouco tenho feito... quer dizer, não voltei a trabalhar à troca de dinheiro e como sabem não tenho grande dinheiro comigo... contudo, tenho vivido de uma forma recatada, poupada, com pouco dinheiro, mas comprando o que nem sempre consigo trocar ou é-me urgente, tal como a comida para os meus animais. Sei que conseguiria sempre fazer trocas, tal como consegui o ano passado, mas o facto e a verdade é que me sinto cansada... e não é das trocas que me sinto cansada... mas sinto que devia ter tido nos "entretantos" umas férias ou um retiro forçado!

Não me posso queixar, de como o meu projecto está a dar frutos, a nível de aldeias, freguesias e câmaras, mas o que é facto é que me fui esquecendo de mim... fui ajudando este e aquele projecto, e as minhas trocas e as minhas necessidades foram ficando para trás. É verdade e a mais pura da verdade... penso sempre mais nos outros do que em mim... E se até pode ser algo de se louvar, é algo que sinceramente, nos tempos que correm, terei de ter algum cuidado e equilibrar a balança do "dentro" e do "fora", de "mim" e do "outro"... Como diz o anúncio: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?"

... então é por isto que ando muito caladinha... tenho os projectos a organizarem-se e desta vez ainda vai ser melhor, porque já tenho uma equipa de belivadores a belivar bastante, mas o que sinto neste momento é que tenho de dar um "alto e para o baixo" na minha vida pessoal, para pensar primeiro em mim, não de forma egoísta ou egóica, mas de uma forma desprendida e de valorização pessoal. Parece fácil, né? Mas talvez seja o máximo do meu esforço, senão vejamos, qual foi a coisa que não consegui fazer o ano passado no meu projecto?... Pois, a resposta é EMAGRECER. E isto só dependia exclusivamente de mim... e é isso que tenho de apostar... apostar em mim... belivar em mim... e depois toda a magia acontece... ainda mais!

... vou continuar mais uns tempinhos na minha caixa, sim? Darei notícias em breve... por enquanto vão ouvindo Amélie e sonhem!

http://www.youtube.com/watch?v=mMNUF2lxwKg&NR=1&feature=endscreen



sexta-feira, 1 de março de 2013

Trocar ou não trocar, eis a questão?

Com a avalanche de contactos que tive depois do artigo do Público, chegou-me este em particular: uma empresa de produtos de maquilhagem denominada Sleek Make Up. A troca consistia em fazer maquilhagem com os seus produtos, que me seriam oferecidos, dando um testemunho sobre a qualidade dos mesmos. 

A primeira coisa que perguntei era se os produtos eram biológicos e ecológicos, onde a resposta foi "não". Fiquei pensativa, se deveria aceitar ou não... Na verdade, não tinha maquilhagem e estou sempre a precisar de fazer trocas destas, já para não falar na maquilhagem que será precisa para a peça de teatro "A portuguesa". Assim decidi aceitar a troca.


Chegou-me uma encomenda giríssima directamente de Londres, com tudo o que uma mulher que gosta de maquilhagem pode "pedir e chorar por mais": baton, sombras, pincéis, base, pó... eu sei lá! Lindo, lindo de morrer! No Carnaval lá experimentei as belas das pinturas numa amiga que ficou maravilhosa, também com uma bela peruca que eu emprestei. Depois também eu me mascarei da mesma forma, ora vejam aqui na foto (se bem que a maquilhagem não se percebe muito...). Realmente os produtos são de muito boa qualidade e bastante duráveis... apenas não são portugueses nem biológicos. :(

E foi aqui que pensei para com os meus botões, que tenho de começar a seleccionar melhor as trocas. Não que me tenha arrependido da troca com a Sleek Make Up, que realmente adorei os produtos, mas contudo, tenho de tomar mais em atenção, às escolhas e às ofertas que me fazem e perceber se estão nos seguintes pârametros de um produto possa ser:
. ecológico
. biológico
. saudável
. produto local ou português
. sustentável
. poupado (ou pelo menos com trocas)


Pois, se decidi viver de trocas, acho que tenho de pensar bem pensadinho, como será a minha vida a partir daqui... nunca mais serei a mesma... depois de se experimentar em belivar, não dá mais para sair fora!... :)

E pode parecer que não tem nada a ver, mas só me apetece por esta música http://www.youtube.com/watch?v=d5p56hEK-1A

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Emagrecer para ser feliz

Como já disse por aqui uma data de vezes... um dos meus objectivos do meu projecto era mesmo emagrecer 11 kilos. Não é que só precisasse de 11 kilos, mas para começar, pareceu-me um bom número. Destes 11 kilos, emagreci 3 e os outros  ficaram pelo caminho... :(

Tenho a teoria que ser feliz emagrece e por isso, esperava emagrecer os 11 kilos apenas e só do ar... só por felicidade.  E como não os emagreci, só há duas conclusões a retirar: ou a felicidade não emagrece ou então durante este ano, não fui assim tão feliz.

Acho que é um bocadinho das duas coisas. Se for a ver, nos primeiros dois meses do projecto, emagreci 5 kilos e deve ter sido do peso que me saiu de cima de deixar de trabalhar... Depois quando estive na "Ilha Paraíso" emagreci 3 kilos em 6 dias. Se fizermos as contas devia ter perdido 8 kilos, pelo menos... mas teria perdido, se entretanto não tivesse engordado com as coisas maravilhosas que me trocam e sobretudo com a "catrefada" de hidratos de carbono que ingiro.

Por isso, a última conclusão que tomo é que realmente não é só de felicidade que se emagrece... nem do ar... mas em grande parte do esforço. Vai daí, pus-me a pensar na minha vida do "engorda-emagrece" e sendo eu uma menina que já experimentou tudo o que é dieta, posso referir que a que me custou menos e que durou foi aquela que fiz, quando eu era feliz. Estar feliz em conjunto com estar apaixonada, faz grandes milagres na balança. Contudo, acho que tem de se associar sempre a ingestão de produtos saudáveis e de exercício físico (o meu eterno inimigo).

Um dia fui assim como esta foto... olho para ela e nem me reconheço... aliás, continuo com essas calças de ganga cá em casa (o maravilhoso número 36) e não as troco nem por nada, porque um dia hei-de usá-las novamente. (Acho que enquanto emagreço e não, vou colocá-las dentro de uma moldura para enfeitar as paredes. LooooL) Gostava que fosse num passo de magia... de acordar de um dia para o outro "Et voilá, os kilos foram ao ar"... mas acho que o mundo das fadas ainda não acontece totalmente no nosso presente e por isso, acho que tenho de fazer dieta novamente................ :(

Não sei se faça uma troca com uma nutricionista... com uma clínica... ou um instituto... sei lá! Acho que era uma boa! :) De preferência algo que fosse vegetariano ou macrobiótico. Contudo, sei que a troca que preciso mesmo, é com uma horta ou uma mercearia que tenha produtos muito verdes e frescos. Tenho de começar a ver isso! Mais um projecto para 2013!

De todas as fases da minha vida, talvez seja esta aquela que me sinto melhor comigo mesma e com menos vontades de comer porcarias e doces... ainda as como, mas não é nada de significativo comparado com a minha antiga vida de consumismo, onde ia mais de 5 vezes ao McDonald's por semana, comia doces (gomas, chocolates, bolos, folhados) todos os dias, não andava nada de nada... Julgo que este ano, com a impossibilidade de fazer compras, me trouxe esta nova rotina de não comer determinadas coisas... por isso, há que aproveitar o andar da carruagem. Por outro lado, como me sinto bem melhor, não sinto uma prioridade urgente de emagrecer... aliás, estou um bocado preguiçosa desta vez... porque já sei no que me vou meter e da última vez que fiz dieta, quase que jurei a mim própria que era a última. Gastei imenso dinheiro (mais de 3 mil euros em 6 meses: dieta, alimentação e massagens) e pensei que era a última... aquela que me ia tornar magra para o resto da minha vida! Um acontecimento inesperado fez com que recuperasse tudo num instantinho e cá estou eu de novo.

E cá estou eu de novo a pensar na vidinha e nesta coisa que é fazer dieta... a tomar consciência deste "meu calcanhar de Aquiles"!... E comecei a pensar... a pensar... que em vez de emagrecer por estar feliz, devia era emagrecer para ser feliz... porque por muito que uma pessoa se sinta bem consigo própria e tal... há sempre uma outra sensação com um "corpo novo", nem que seja na facilidade de arranjar roupa.

Bem.... vou continuar nas minhas reflexões dietistas... http://www.youtube.com/watch?v=Yj8HSvlsG_A

sábado, 22 de dezembro de 2012

E agora, depois disto tudo?

... agora... agora, vou fazer uma pausa kit kat! Este ano foi preenchido e atribulado como tudo! Tenho de descansar uns dias, antes de iniciar os 1112 projectos que se seguem. Eu que não queria agenda marcada, acho que já tenho calendário preenchido até pelo menos Março! :)

... é isso! Agora vou descansar! Gozar a época natalícia, actualizar os pendentes, arrumar a casa, tratar de mim e organizar este próximo ano que promete ser ainda melhor que este!

Há uma frase que eu tenho a mania de responder sempre que me perguntam se eu estou feliz! Costumo dizer o seguinte: "Estou mais feliz que ontem e sei que amanhã estarei mais feliz que hoje!". E é verdade! Tenho um feeling que este meu próximo ano ainda vai ser melhor do que este, ou melhor, que vai ser uma continuação deste.

Sinto que este ano foi um ano embrionário, como se estivesse dentro de um útero materno, apenas a angariar conhecimentos e sabedoria, para agora que nasci, as pôr em prática. Apesar de ainda não ser tão ecológica, sustentável, saudável e económica como sei que posso ser... sei também que aprendi imensa coisa que devo e sinto que é altura de pôr em prática, com a maior brevidade possível.

Hoje quando fui dar a palestra fazendo o ponto de situação dos critérios avaliativos conseguidos ao longo deste tempo, tomei noção que só não consegui realizar totalmente 2 coisas: os 11 distritos (consegui 8) e os 11 kilos (consegui 3). Contudo, ao ir falando do que tinha feito e das mudanças que fui "sofrendo" ao longo deste ano, por vezes, já não me reconheço na mulher que existia dentro de mim no passado! Houve coisas em mim, que esqueci, outras que não me fazem mais sentido e outras que sei que tenho de voltar a "incluir" na minha vida! 

Ao dar esta palestra, também me dei conta, que ao longo deste ano limpei a casa de muita gente, tratei da maquilhagem e da roupa de outra gente e o que é facto é que a minha casa e as minhas coisas e até eu própria, foram ficando para trás. Com isto me vou perguntando, como posso ajudar os outros, se em primeiro lugar não estou a ajudar-me a mim ou a cuidar de mim!? E julgo que é isso que me faltou este tempo todo e que rapidamente tenho de focar mais uma vez. Preciso de me cuidar, de me alimentar realmente melhor, de me arranjar, de meditar, de fazer exercício físico, de me embelezar, de organizar e limpar a minha casa, de cuidar da minha roupa, de ter mais tempo para os meus animais! Só assim poderei cuidar dos outros, das casas dos outros e das vidas dos outros!

Há uma coisa que ouvi uma vez e nunca mais me esqueci. Não sei se já contei aqui no blog, mas cá vai de novo. Nas explicações do que fazer caso haja um acidente de avião, as hospedeiras dizem sempre que antes de ajudarmos uma criança a colocar a máscara, temos de colocar a nossa máscara primeiro. E julgo que com isto está tudo dito! Não há forma de darmos oxigénio ao outro, se nos falha o oxigénio! Sei que melhorei imenso ao longo deste tempo, mas acho que ainda não tenho oxigénio suficiente para mim! Preciso de aprender isto rapidinho! Preciso de aprender a pôr a máscara em primeiro lugar em mim e de respirar esse oxigénio, dando graças por o ter e só depois ajudar todos os que precisarem dele. Pode parecer um acto de egoísmo, mas o que começo a pensar é que não é mais do que um acto de amor próprio e depois deste ano, preciso mesmo de "me repousar".

Agora que o meu projecto, enquanto desafio pessoal findou, não findando a minha vida de trocas... continuarei a escrever no blog, mas só quando me sentir realmente inspirada ou tiver algo de muito útil a dizer-vos. Ao longo deste tempo, nem sempre foi natural e intrínseco escrever dia-a-dia no meu blog... mas agora, agora estou finalmente livre dos timmings, dos euros, dos critérios avaliativos, das metas... que me auto-impus! Agora vou viver de trocas (porque é a minha escolha) mas ao meu ritmo, sem pressas, sem pressão e sem limites! Vivendo a vida, desacelerando, fazendo escolhas conscientes... no caminho da liberdade e da felicidade a 112%!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Don't compare your life with others, you have no idea what their journey is all about" (Randy Pausch)

"Não compares a tua vida à dos outros, não tens a mínima ideia de como é a viagem deles.", diz o título do meu post de hoje. E é mesmo verdade!

Tantas vezes nós olhamos para uma pessoa e queremos ter a vida dela, a forma dela ser, de pensar, de estar, de sentir, os bens dela, a família dela... mas não temos a mínima ideia de como ela é na realidade.

Uma vez, joguei um jogo em que me perguntaram quem eu queria ser e a única coisa que me lembrei de dizer na altura, foi: "não gostava de ser ninguém em especial, gostava de ser eu." E é verdade, não há nada que aspire mais do que ser eu... ser eu própria... e acreditem que ser eu própria dá uma trabalheira tamanha, que não imaginam. Sermos nós próprios é difícil como o caraças, complicado como tudo e uma responsabilidade imensa e enorme. Dizer-mos aos outros aquilo que realmente estamos a pensar, sem querermos ser simpáticos ou "fazer sala", mas sim, dizermos o que sentimos e quem nós somos, da forma mais assertiva, sincera e honesta do nosso mais ínfimo ser. 

É isto que desejo, cada vez mais! Ter a minha própria viagem, uma viagem onde me possa sentir bem, sem ter medo das alturas do avião da vida, dos enjoos do barco ou dos acidentes nas auto-estradas. Uma vida em que me sinta segura, confiante e autêntica do que sou eu... como ser humano que desejo ser cada vez mais. Não ter a vida de ninguém... ter a minha, aquela que está dentro de mim e que nem sempre consigo trazer cá para fora. Dizer o que não me agrada da forma mais assertiva possível, mostrar o que quero sem ter "medo" do que pensam ou deixam de pensar... rir quando apetece rir... chorar quando apetece chorar... ser eu quando se tem medo de se ser aceite ou não... ser apenas e só: ser eu!

E estou com esta conversa toda, porquê? Porque muitas vezes quando dou palestras ou falo com alguém sobre o meu projecto, as pessoas acham-me muito corajosa, aventureira, confiante, inspiradora e... às vezes nem sei bem porquê. Não sei se isto que sinto é (falsa ou verdadeira) humildade, se é não me dar valor ou se realmente é apenas e só, uma sensação de que a minha vida é isto e ponto final, não há nada de importante, de mais especial ou fantástico. É apenas e só a minha escolha de vida! Uma vida que pode não ser totalmente formal e "normal" mas que não tem nada de especial! Outro dia pus-me a pensar que talvez eu não ache a minha vida nada de "fantástico" ou anormal, porque a minha escolha foi tão de dentro... tão intensa e tão decidida, que não foi custosa... e por isso, nós achamos sempre que só o que é custoso é que realmente é importante ou vale a pena ou é especial... talvez seja por isso...

Contudo, apesar de tudo, do meu sorriso de sempre, do meu olhar sincero e de toda esta minha vida que cada vez mais tem sido fantástica com tantas trocas que tenho feito e tantas pessoas que tenho conhecido, a única coisa que vos posso dizer é o "Don't compare your life with me, you have no idea what my journey is all about"! Cada vida é uma vida e é incomparável!

"...se te atreveres a ser... Completamente tu" http://www.youtube.com/watch?v=wIdtzK_bclM

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ter para ser...

Tenho a certeza que os desenhos animados da minha infância estariam diferentes se hoje os fossemos re-desenhar. Todos crescem e nem sempre da forma que estaríamos à espera! Por isso, nunca devemos esperar nada... eheheh... 

Passados alguns anos, as prioridades mudam e sem dúvida a Alice do País das Maravilhas (por exemplo) acharia que um país das maravilhas seria um país consumista, cheio de materialismo e de muitas e variadas coisas para "encher" o ego! Bem... claro que isto seria só uma vertente da coisa!!! Ehehehe...

Aproveitei só este desenho e esta deixa, para falar de uma "conclusão" que tenho vindo a pensar estes últimos dias: as prioridades do ser humano passaram do "ser" para o "ter". Não sei contudo, se algum dia a prioridade foi o "ser", acho que antigamente era o "estar". Estar com a família, amigos, com a natureza... etc etc... mas depois não sei qual foi a volta que isto deu, nem onde nem como, começou a virar-se tudo para um "ter" desmedidamente grande! A quantidade de centros comerciais que abriram nos últimos tempos, por exemplo, é uma coisa descomunal. A publicidade e o marketing, sem dúvida foram duas áreas que cresceram tão exponencialmente que já não nos veríamos sem elas, nos dias de hoje. E porquê!? Porque temos sempre de ter algo para comprar e algo para vender. 

Os meus pais sempre me ensinaram uma velha máxima que é: "Gasta somente o que tens" e foi algo que nem sempre foi muito bem aprendido, mas cada vez mais, o é. Os meus (ex) sogros por exemplo, nunca compraram nada a crédito ou a prestações. Até mesmo a casa deles, preferiram sempre alugar porque diziam que se não tinham dinheiro para a comprar toda de uma só vez, também não se queriam estar a endividar, porque não sabiam o dia de amanhã! E é muito bem pensado, sim senhores!

De créditos e prestações, só tive 2 na minha vida, chamadas de: casa e carro. A primeira casa que comprei, teve de ser com prestação ao banco, claro está e quando foi para vendê-la perdi imenso dinheiro, porque não valorizou. A segunda compra com prestações foi o meu carro. Aliás, já tive 3 carros a prestações, mas os dois primeiros fiz permutas e a coisa funcionou... Agora este é que me está a tirar do sério... Onde é que eu tinha a cabeça para fazer uma compra a 9 anos!?!!? Bem... a cabeça estava em cima do corpo e na altura, o corpo dizia-me que ia estar a vidinha toda a trabalhar no escritório, porque estava efectiva e com um bom salário ao final do mês... O que o meu corpo não sabia, é que a dado momento da minha vida, o meu coração começaria a falar mais alto.

Mas pronto... isto tudo para vos dizer... que o problema dos dias de hoje são nada mais nada menos do que os créditos. O desejo de ter algo e não ter ali o dinheiro para o comprar. Quer seja, uma casa, um carro, viagens, férias, uma jóia, roupa ou um electrodoméstico. E aí, toca a ir aos créditos, aos cartões fabulosos com plafonds e coisas que tal... é uma vida muito facilitada esta dos créditos, sim senhor! O que não pensamos é que é um ciclo vicioso, que nos mete numa rodinha de hamster sem saída, porque depois queremos sempre mais e mais... e mais... e outra vez mais! Porque se comprámos aquela roupinha tão lindinha, outra vai sair em breve numa outra lojinha perto de si. E pronto, aí andamos na tal rodinha de hamster.

Se fosse hoje, mudava algumas coisas na minha vida para não ter encargos e ser mais livre! Uma era não ter carro com prestações e às tantas nem ter carro mesmo... outra era não ter animais em casa, cada vez mais penso em como isto de ter animais de estimação é anti-natural. E por fim, a outra é não ter casa própria que tem sempre de se pagar condomínios, EMI e as ditas prestações. Outro dia ouvi falar que o nosso país é dos que tem as casas mais caras da Europa e onde as pessoas fazem questão de ter casa própria. Eu já fui também assim... é uma coisa que nos está enraízada, como se esta coisa do apego nos seja algo necessário à sobrevivência! Bem... eu estou praqui a "cantar de galo", mas o que é certo é que tenho casa própria de família e isso é realmente um dom... Contudo, tenho conhecido cada vez mais ideias super interessantes para que as pessoas sejam o mais partilhadas possíveis e se ajudem cada vez mais... porque ser rico, não é só ter bens... é ser rico também por dentro.


Vamos mudar a letra da música!?!?! I'm a true girl :) Eheheheh... http://www.youtube.com/watch?v=FbJa10fzNOM

domingo, 2 de dezembro de 2012

Haja tempo e "connects"...

Agora que me falta menos de um mês para começar a viver quase que a 100% de trocas (uma vez que já não tenho disponíveis outros 1111€) começo a pensar como é diferente o meu orçamento anual de há um ano para agora!

Quando iniciei este projecto, tive de fazer um orçamento inicial, com base nas despesas oficiais que eram normais para mim até à data de 10 de Dezembro de 2011, que já agora passo a partilhar convosco. Contas feitas por alto, até eu viver sem ser por trocas, gastava em média 15000€ anuais, sem contar muito com actividades de lazer. Assim sendo, estes 15000€ incluíam apenas as seguintes despesas: internet e telecomunicações; gasóleo; portagens; refeições fora de casa; comida e veterinário dos meus animais; despesas mensais de água, luz, gás e condomínio; compras para a casa (alimentos, produtos pessoais e do lar); selo, seguro, revisão e prestações do carro; saúde; cuidados de beleza; hobbies e férias. 

O que é certo é que tive de minimizar estes 15000€ para a módica quantia de 1111€ como todos já sabem. Assim sendo, abdiquei totalmente das seguintes despesas: internet e telecomunicações; refeições fora de casa; despesas mensais (porque é o "departamento" da minha hóspede); cuidados de beleza; hobbies e férias. O que se continuou a manter, foi mesmo, o selo, o seguro e a prestação do carro e ainda que poucas vezes, algum pagamento para o gasóleo. De compras para a casa, quase ou nada faço, bem como detergentes e produtos de beleza que vou arranjando nas trocas. Férias, não gasto dinheiro, pois viver de trocas é nada mais nada menos do que se estar sempre de férias, não estando! :) E hobbies... bem, para quê ter hobbies, quando toda a vida é um verdadeiro e alegre hobbie?

Esta divagação toda, para partilhar convosco, que se falta menos de 1 mês para o término do projecto, começo a pensar que agora sim, vou viver de trocas, porque já não tenho nenhuns 1111€ para gastar sempre que precisar e por isso, começo a pensar que tenho de me fazer à vidinha, tendo como prioridades o seguinte:
- comprador do meu carro, para acabar de vez com as despesas do selo, seguro, prestações do carro e gasóleo
- parcerias com companhias de transportes. Há que fazer uma troca com a CP, carris ou metro, para ver se consigo ter alguma autonomia face às minhas deslocações. Bem sei que andar a pé ou de bicicleta (agora que já tenho uma) é opção, contudo, não me parece que consiga andar de bicicleta todos os dias mais do que 40 kms, pelo meio das estradas e estradinhas que substituem a IC19... Mas nada é impossível, hém?
- parcerias com supermercados, mercearias ou restaurantes de preferência vegetarianos. Pois bem, julgo que continuo a ter a possibilidade de trocar com a minha vizinha e com outras pessoas que me vão arranjando alguns alimentos, contudo, para conseguir dar vazão e continuar a trabalhar na vida das trocas, preciso de ter mais disponibilidade e mais segurança ao nível das trocas que faço, ou seja, com maior sustentabilidade. Por outro lado, julgo que apesar de ter mudado a minha alimentação, ainda não foi o suficiente para me sentir saudável e está à vista porque não emagreci quase nada. Assim sendo, é urgente que faça cada vez mais trocas de comida saudável, biológica e sobretudo vegetariana, isto porque continuo sem tempo e espaço para ter uma horta.
- parcerias com empresas que tenham alimentos para animais. Preciso de ter assegurada a comida para os meus bichanos para o ano todo. Quanto a veterinário, apesar de ter uma amiga no Porto, preciso também de encontrar alguém aqui da zona de Lisboa para ser mais facilitador para mim, ao nível das deslocações.

Assim que me lembre é o que preciso por agora... coisa pouca! :) Acho que despesas com roupa, maquilhagem e bijuteria ainda não vão sendo precisas, contudo, começo a pensar algumas vezes (mas pouquinhas...) como gostaria de ter uma peça de roupa nova, um par de sapatos ou um colar novo. Mas para vos dizer a verdade, ainda não sinto muita falta!... Só um pouquinho! Acho que isso é uma questão de começar a aprender a costurar de vez e a fazer as minhas próprias peças de roupa...

Haja tempo! Havendo tempo tudo é possível! Tempo e... como eu costumo dizer, "Connects"! :)

http://www.youtube.com/watch?v=ntm1YfehK7U